Ontem pela manhã, o meu filho comentou-me: “já foi!”. E eu: “o que é que já foi?”. “O Saddam, foi enforcado, vem aqui na net”, respondeu. Disse-lhe na altura: “tenho sobretudo pena das mulheres e crianças que vão morrer hoje por causa dessa decisão idiota. Essas, acabam de ser condenadas à morte, só que ainda não o sabem”. A meio da tarde andavam nos sessenta, ao fim do dia tinham sido setenta e sete, mortos em atentados em bairros xiitas.
Eu não sou bruxo, não sou é totalmente estúpido. O Iraque tornou-se um caso típico de cegos conduzindo outros cegos.
Ainda por cima parece que já se pode ver na Internet o filme da execução. Provavelmente para que não haja dúvidas. Com este género de exibição na praça pública, vamos regressando paulatinamente à barbárie do circo máximo, do pelourinho ou do cadafalso com a ralé a aplaudir.
Os telejornais comentaram esta execução de um modo asséptico, como quem fala do empate do Desportivo das Aves, utilizando expressões como o “ex-ditador” ou “o tribunal que o condenou” em tom de justificação.
O homem foi um ditador hediondo, do género dos que costumam entrar na Casa Branca, no Kremlin ou no Eliseu pela porta da frente, sempre que tal dá jeito. Só que, e por mais nojento facínora que o tipo tenha sido, a exibição pública de um prisioneiro algemado e de fato cor-de-laranja, o seu julgamento fantoche por um tribunal de vencedores e a morte de um homem, seguida de visionamento planetário pelo You Tube, a mim envergonham-me.
Fico sem saber onde é que posso devolver o meu cartão de sócio da civilização ocidental.
A todos um ano melhor do que este.
Eu não sou bruxo, não sou é totalmente estúpido. O Iraque tornou-se um caso típico de cegos conduzindo outros cegos.

Os telejornais comentaram esta execução de um modo asséptico, como quem fala do empate do Desportivo das Aves, utilizando expressões como o “ex-ditador” ou “o tribunal que o condenou” em tom de justificação.
O homem foi um ditador hediondo, do género dos que costumam entrar na Casa Branca, no Kremlin ou no Eliseu pela porta da frente, sempre que tal dá jeito. Só que, e por mais nojento facínora que o tipo tenha sido, a exibição pública de um prisioneiro algemado e de fato cor-de-laranja, o seu julgamento fantoche por um tribunal de vencedores e a morte de um homem, seguida de visionamento planetário pelo You Tube, a mim envergonham-me.
Fico sem saber onde é que posso devolver o meu cartão de sócio da civilização ocidental.
A todos um ano melhor do que este.