<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-36616367</id><updated>2012-01-14T13:34:56.539Z</updated><category term='Nostalgias'/><category term='Exposição fotográfica'/><category term='Admirações'/><category term='Rimanços'/><category term='Constatações'/><category term='Cenas ridículas'/><category term='Indignações'/><category term='Angústias existenciais'/><category term='Meditações'/><category term='Abardinanços'/><category term='Comemorações'/><category term='Guia áspero'/><category term='Alívios do caneco'/><category term='Cromos da minha caderneta'/><title type='text'>Mataspeak</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://mataspeak.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36616367/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mataspeak.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36616367/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>CMata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12803581531108411574</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://2.bp.blogspot.com/_n_0WB6ohfsc/SXFCmyxXa1I/AAAAAAAABA4/HWvYy4E_t1Q/S220/IMG_0073smallCM.JPG'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>238</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36616367.post-8774691052559518572</id><published>2012-01-14T11:32:00.004Z</published><updated>2012-01-14T13:34:56.549Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Admirações'/><title type='text'>A melhor hora</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right" class="MsoListParagraph" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; mso-add-space: auto; text-align: right;"&gt;&lt;span lang="EN-US" style="font-size: 9pt;"&gt;“-This could be the worst disaster NASA's ever faced. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right" class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: right;"&gt;&lt;span lang="EN-US" style="font-size: 9pt;"&gt;-With all due respect, sir, I believe this is gonna be our finest hour.”&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right" class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right" class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-size: 9pt;"&gt;Resposta de Gene Kranz, director de vôo da Apollo XIII,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right" class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-size: 9pt;"&gt;a um dos directores da NASA, no filme com o mesmo nome&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-Y_wSqxtDgPE/TxFnht13r4I/AAAAAAAAC4k/8udeW9xDzwY/s1600/apollo+xiii+insignia.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;No outro fim-de-semana, rodando os canais da têvê de braço esticado, aconteceu apanhar a menos de meio o “Apollo XIII”. Ora eu já vi o filme por inteiro duas vezes, mas apesar disso deixei-me ficar e voltei a viver as peripécias verídicas de Jim Lovell, John Swigert e Fred Haise à deriva pelo espaço numa casca de noz analógica arrebentada por uma explosão. E voltei a vibrar com os esforços de toda aquela gente de camisa branca e óculos de massa, sentada diante de ecrãs remotamente pré-históricos na sala de controlo da NASA em Houston, para os trazer para casa. E, estranhamente, já é a segunda ou terceira vez que isto acontece precisamente com este filme e pus-me a perguntar aos meus botões porque será que perco sempre duas horas a rever o já muito visto. Certamente não por ser uma grande obra: uma fita quadradona, certinha e sem riscos, quase um documentário, com uma costela patrioteira ianque ainda por cima.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Talvez porque retrate um estranho mundo, que parece tão peculiarmente distante e perdido no tempo que me pergunto se alguma vez existiu, em que as coisas que pareciam impossíveis pareciam possíveis. Em que os corpos graves se tornavam ligeiros e as distâncias insuperáveis curtos saltos. Em que sonhos milenares da humanidade se cumpriam e perguntas sem resposta eram respondidas, mesmo que só pela metade, porque sempre traziam novas perguntas. Em que a fé tinha-se na espessura da ciência e não na película ténue da tecnologia de pechisbeque dos “smartphones”, dos ecrãs de plasma e de outros expositores de menus deslizantes.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Mas existiu, sim. Nesse mundo, para aqueles homens de carne e osso que aqueles actores encarnam,&amp;nbsp; o fracasso não constituia opção enquanto o último esforço não fosse tentado, a derradeira solução não fosse pensada, o último murro na consola não fosse dado. E deles dependia a vida que outros homens arriscavam quase impensadamente e por isso era tão preciosa. Homens estes que atravessaram o muro do som sem saber o que estava do outro lado só porque havia um muro para passar e um outro lado para ver o que havia. E que depois se montaram num petardo de trinta e tal andares e entraram em órbita, acreditando que voltariam e voltaram.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-Y_wSqxtDgPE/TxFnht13r4I/AAAAAAAAC4k/8udeW9xDzwY/s1600/apollo+xiii+insignia.jpg" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="291" src="http://1.bp.blogspot.com/-Y_wSqxtDgPE/TxFnht13r4I/AAAAAAAAC4k/8udeW9xDzwY/s320/apollo+xiii+insignia.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Poderão dizer aqueles a quem este entusiasmo possa parecer pueril que havia um contexto político e ideológico e etc., e que nada daquilo passava por inocente no meio de uma guerra fria. Sei disso tudo, mas pouco interessa. Tais detalhes são a espuma da História. Relevante, relevante, foi cumprirem-se em menos de um decénio as palavras de Kennedy: “iremos à Lua e faremos outras coisas, não por serem fáceis, mas por serem difíceis.” &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Nesse mundo dei eu os meus primeiros passos e vi nascer alguns dos meus interesses e formei a minha visão de para onde devemos ir, visão que partilhava com muitos da minha idade e que marcou o que quis estudar, o que quis ler, que profissão escolhi e como a levei por diante – de um certo modo, o que quis ser.&amp;nbsp; Porque por diante era o caminho e o desconhecido resolvia-se apenas com um pouco mais de esforço. Os da minha idade, que leram as bandas desenhadas dos personagens da Disney naquelas versões brasileiras que comprávamos nos quiosques, recordarão talvez a frase publicitária que o inventor maluco Prof. Pardal tinha na parede do seu “atelier”: inventa-se tudo; o impossível demora mais um dia.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-E4DhC4qBzaE/TxFnkx2jZ3I/AAAAAAAAC4s/BPzpphC_0OU/s1600/houston.jpg" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="212" src="http://2.bp.blogspot.com/-E4DhC4qBzaE/TxFnkx2jZ3I/AAAAAAAAC4s/BPzpphC_0OU/s320/houston.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;De vez em quando há mundos desses, em que a Lua ou a Índia ficam à mão de semear, em que as abóbadas não caem, em que as crianças deixam de morrer de varíola, em que se mede com rigor o diâmetro da terra contando o número de passos entre Alexandria e Assuão. Hoje esses mundos parecem longíquos, e os povos cabisbaixos reduzem a bitola e vergam-se aos ditames medíocres do possível. Reúnem-se em cimeiras estéreis e proferem num comunicado em papel “sound bites” que perduram um dia em vez de afirmar de cima do púlpito frases que marcam uma década. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Quando eu era criança, nos tempos desse outro mundo, à casa onde eu passava férias ia uma senhora de quem os mais velhos diziam “ela não acredita que o homem foi à Lua”. E nós, os mais pequenos, íamos ter com ela enquanto passava a ferro, estranhados com esse cepticismo:&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: 6.0pt;"&gt;- Ó Céu, tu não acreditas que o homem foi à Lua?&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: 6.0pt;"&gt;- Eu não, meninos.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: 6.0pt;"&gt;- Mas tens que acreditar, é verdade, não viste na televisão?&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: 6.0pt;"&gt;- Isso são filmes, meninos, eles não estavam mesmo lá. Alguma vez aquilo podia ser?&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: 6.0pt;"&gt;- Ó Céu, nós vamos arranjar uns livros com fotografias para te mostrar.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm;"&gt;- Meninos, isso já não é para mim, é para vocês.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;E com este final diplomático lá continuava a dar ao braço, imperturbada na sua descrença, pousando sobre a nossa decepção um olhar terno nos olhos repisados por setenta anos de muito labor e um sorriso de misteriosa sabedoria. A Céu tinha todas as desculpas para a sua desconfiança: era uma mulher de grande simplicidade, que não tivera estudos e que se construira a si própria sem ajuda. Ganhara o direito a acreditar ou deixar de acreditar no que lhe apetecesse. &amp;nbsp;Mas mesmo ela sabia que o mundo poderia ser outro, como se deduz da sua última resposta. Hoje, ao revés, a descrença da Céu está no poder nos palácios e nas chancelarias, pela mão de pessoas que beneficiaram de todas as oportunidades e teriam portanto outras obrigações, mas que como ela se reduzem ao seu pequeno mundo próximo de limitações e receios – ainda por cima sem o viço da Céu e com muitos mais vícios.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Dantes, fomos à Lua. Agora, nem à Terra conseguimos chegar.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36616367-8774691052559518572?l=mataspeak.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mataspeak.blogspot.com/feeds/8774691052559518572/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36616367&amp;postID=8774691052559518572' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36616367/posts/default/8774691052559518572'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36616367/posts/default/8774691052559518572'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mataspeak.blogspot.com/2012/01/melhor-hora.html' title='A melhor hora'/><author><name>CMata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12803581531108411574</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://2.bp.blogspot.com/_n_0WB6ohfsc/SXFCmyxXa1I/AAAAAAAABA4/HWvYy4E_t1Q/S220/IMG_0073smallCM.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-Y_wSqxtDgPE/TxFnht13r4I/AAAAAAAAC4k/8udeW9xDzwY/s72-c/apollo+xiii+insignia.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36616367.post-5855127011473056273</id><published>2012-01-02T01:17:00.004Z</published><updated>2012-01-02T09:21:13.093Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Exposição fotográfica'/><title type='text'>Exposição fotográfica (XXXVII)</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: left;"&gt;Passeio em Serralves a 27 de Novembro de 2010&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: left;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&amp;nbsp;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-Lx1PW_EkJqs/TwEDfk6Qo-I/AAAAAAAAC4I/HdnppQEQt5Y/s1600/Sacho.jpg" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" src="http://1.bp.blogspot.com/-Lx1PW_EkJqs/TwEDfk6Qo-I/AAAAAAAAC4I/HdnppQEQt5Y/s320/Sacho.jpg" width="213" /&gt;&amp;nbsp;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-lpmMDlsWHrU/TwEDeiETL7I/AAAAAAAAC4A/VdB-vcsJFxk/s1600/Rosa+ii.jpg" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="213" src="http://1.bp.blogspot.com/-lpmMDlsWHrU/TwEDeiETL7I/AAAAAAAAC4A/VdB-vcsJFxk/s320/Rosa+ii.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-tWEB9BYtIMs/TwEDRd5-SeI/AAAAAAAAC24/Q4KbwPR82Sk/s1600/A+casa.jpg" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="213" src="http://3.bp.blogspot.com/-tWEB9BYtIMs/TwEDRd5-SeI/AAAAAAAAC24/Q4KbwPR82Sk/s320/A+casa.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-wd_CSNVM0yo/TwEDZ4fpsSI/AAAAAAAAC3o/RePel0IvzCU/s1600/Ipanema+Park.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="213" src="http://2.bp.blogspot.com/-wd_CSNVM0yo/TwEDZ4fpsSI/AAAAAAAAC3o/RePel0IvzCU/s320/Ipanema+Park.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-ZKuuICj8BIw/TwEDTVZdkjI/AAAAAAAAC3A/hYRbmfAzEcA/s1600/Bancos.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="213" src="http://4.bp.blogspot.com/-ZKuuICj8BIw/TwEDTVZdkjI/AAAAAAAAC3A/hYRbmfAzEcA/s320/Bancos.jpg" width="320" /&gt;&amp;nbsp;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-CUtfvQHiylI/TwEDWCWkAPI/AAAAAAAAC3Q/4uI4Ouhs3Ro/s1600/Entrada.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="213" src="http://3.bp.blogspot.com/-CUtfvQHiylI/TwEDWCWkAPI/AAAAAAAAC3Q/4uI4Ouhs3Ro/s320/Entrada.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&amp;nbsp;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-tQz-ZSV1CSQ/TwEDUm6v2XI/AAAAAAAAC3I/7zMJ1PfjKW0/s1600/Bombas.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="213" src="http://3.bp.blogspot.com/-tQz-ZSV1CSQ/TwEDUm6v2XI/AAAAAAAAC3I/7zMJ1PfjKW0/s320/Bombas.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-AqRYj3dTfZg/TwEFpGJlFWI/AAAAAAAAC4c/njH3eUZFwrU/s1600/Espadas.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="209" src="http://3.bp.blogspot.com/-AqRYj3dTfZg/TwEFpGJlFWI/AAAAAAAAC4c/njH3eUZFwrU/s320/Espadas.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-VrQ_2w0771c/TwEDbqtpQNI/AAAAAAAAC3w/9ZCmA-4zKF4/s1600/Livros.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="213" src="http://1.bp.blogspot.com/-VrQ_2w0771c/TwEDbqtpQNI/AAAAAAAAC3w/9ZCmA-4zKF4/s320/Livros.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-SYT8TZg73cY/TwEDc02WrQI/AAAAAAAAC34/CYiwwDR38es/s1600/Reflexo.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-Bod81l0iWds/TwEDYb_mG5I/AAAAAAAAC3g/ZDRgGGiA9eM/s1600/Filme.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="213" src="http://4.bp.blogspot.com/-Bod81l0iWds/TwEDYb_mG5I/AAAAAAAAC3g/ZDRgGGiA9eM/s320/Filme.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&amp;nbsp; &lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-EuGIlxjyYEc/TwEDhJ_CiKI/AAAAAAAAC4Q/ZbuZd9WMsrE/s1600/Vermelho.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" src="http://1.bp.blogspot.com/-EuGIlxjyYEc/TwEDhJ_CiKI/AAAAAAAAC4Q/ZbuZd9WMsrE/s320/Vermelho.jpg" width="213" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36616367-5855127011473056273?l=mataspeak.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mataspeak.blogspot.com/feeds/5855127011473056273/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36616367&amp;postID=5855127011473056273' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36616367/posts/default/5855127011473056273'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36616367/posts/default/5855127011473056273'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mataspeak.blogspot.com/2012/01/exposicao-fotografica-xxxvii.html' title='Exposição fotográfica (XXXVII)'/><author><name>CMata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12803581531108411574</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://2.bp.blogspot.com/_n_0WB6ohfsc/SXFCmyxXa1I/AAAAAAAABA4/HWvYy4E_t1Q/S220/IMG_0073smallCM.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-Lx1PW_EkJqs/TwEDfk6Qo-I/AAAAAAAAC4I/HdnppQEQt5Y/s72-c/Sacho.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36616367.post-7833332012518889858</id><published>2012-01-02T00:04:00.004Z</published><updated>2012-01-02T01:57:25.578Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Indignações'/><title type='text'>Contos da barbárie – parte terceira de umas quantas</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal"&gt;Há um quarto de século atrás eu estava a terminar a universidade e no verão passeei de mochila às costas por uma Europa de postos fronteiriços e moedas variadas. Sem plano traçado, achei-me a dado momento em Heraclion, capital de Creta, num hotelzito decrépito do centro onde por menos de mil dracmas a água saía quente da torneira se o sol estivesse a dar com força em cima dos painéis colectores situados no terraço.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Heraclion é uma cidade pequena, muito mediterrânica, onde sabe bem sentar à tardinha numa esplanada de cadeiras baixas numa viela sombreada e beber um “ouzo” frio ou então passear entre os vestígios venezianos do velho porto, olhando a azáfama de um noite de Agosto, para cá e para lá em busca do restaurante mais apelativo, do “retsina” mais fresco, cedendo ao empregado mais insistente, que nos puxa pelo braço no meio da rua, gozando a brisa última que o mar sopra como consolo de um dia de fogo a quarenta e tal graus.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-Wp_5mgWaAXI/TwDzipkPqbI/AAAAAAAAC2U/29sPXjHrG40/s1600/cnossos.jpg" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://1.bp.blogspot.com/-Wp_5mgWaAXI/TwDzipkPqbI/AAAAAAAAC2U/29sPXjHrG40/s1600/cnossos.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;A um bilhete de autocarro de distância fica Cnossos, a principal atracção turística. Lá fui eu a quarenta à hora num chaço velho, as janelas abertas como único ar condicionado, no meio de uma sociedade das nações de cabelo louro ou de olhos em bico, cercado de chapéus de palha, óculos de sol e máquinas “reflex” em punho, em busca da civilização minóica.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Diz o Mito que o Palácio de Cnossos foi projectado por Dédalo, célebre precursor da aeronáutica, criador das asas com que o seu filho Ícaro, célebre precursor do acidente de aviação, se partiu todo no mar Egeu junto à ilha de Icaria, por ter querido voar alto de mais (faltou a Dédalo inventar o altímetro ou o plano de vôo). Continua o sempre falador Mito que o palácio foi construído para o rei Minos, filho de Zeus e de Europa, uma betinha fenícia jeitosa e de bom “pedigree” que Zeus raptou disfarçado de touro para seguidamento levar a cabo as suas más intenções. Esta atração fatal por gado “vacuum” continuou na geração seguinte, quando Minos foi encornado – como verão, é o termo – por um touro branco com quem a sua mulher Pasiphae manteve um “affaire” dentro de uma alcova de madeira em forma de vaca, desenhada pelo sempre prestável Dédalo. Tanta confusão bovina estava destinada a dar raia e a união contra-natura gerou naturalmente um monstro, o Minotauro, meio homem-meio touro, que se alimentava de pessoas. Recorrendo novamente ao estirador de Dédalo, Minos mandou construir junto ao palácio um estrutura confusa como a legislação portuguesa, o Labirinto, para guardar o filho bicho. Quem entrasse já não conseguia encontrar a saída e acabava devorado pelo Minotauro. Este regabofe só terminou quando o ateniense Teseu, filho do rei Egeu, entrou no labirinto para limpar o sebo ao monstro e conseguiu voltar graças ao truque reles do fio de Ariana, filha de Minos e portanto meia-irmã do Minotauro, que ajudou Teseu em troca de uns favores sexuais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-8KbkhJl2MFo/TwDzotHUuYI/AAAAAAAAC2g/Xqq4Sa94Xs0/s1600/minotauro.jpg" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://1.bp.blogspot.com/-8KbkhJl2MFo/TwDzotHUuYI/AAAAAAAAC2g/Xqq4Sa94Xs0/s1600/minotauro.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Só para acabar a história, no caminho de volta Teseu deu uma tampa em Ariana, deixando-a pendurada na ilha de Naxos, porque afinal andava com outra, Fedra, nem mais nem menos que a irmã de Ariana. Talvez &amp;nbsp;meio distraído com estas baldrocas, Teseu esqueceu-se de trocar a vela preta do navio para outra branca, sinal combinado com o pai para indicar o sucesso da missão (não havia na altura “roaming” entre Creta e Atenas). Egeu, vendo chegar ao longe a vela negra, julgou que Teseu tinha sido comido pelo Minotauro e lançou-se do penhasco ao mar, que passou a ter o seu nome. Como os incompetentes acabam às vezes por ser compensados, na sequência da argolada Teseu recebeu o trono de Atenas.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Perante esta novela da TVI em versão minóica, somos levados a pensar que a tal menina Europa era capaz de ter maus genes, que desde então se disseminaram por aí, e quase apetece desculpar as orelhas do Sarkozy e as bochechas da Merkel.&amp;nbsp;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Percorrendo Cnossos quatro mil e quinhentos anos depois, quando momentaneamente me via sózinho diante daqueles frescos coloridos, de um restauro voluntarista, admirando aquelas imagens alegres e vivas de mulheres de cabelo solto e jovens pulando festivamente nas costas de touros, não era a tragédia de Minos que me vinha à cabeça, mas o pensamento que naquele sítio, durante mais de mil anos, viveram ali uns tipos que começaram isto tudo: trabalharam metais e barro, plantaram e colheram, desenvolveram uma arquitectura, misturando arte e tecnologia (usavam medidas anti-sísmicas elementares), fizeram-se ao mar, venderam o que tinham e compraram o que não tinham, começaram uma escrita, distribuiram entre si riqueza, divertiram-se em festas. E de repente, algo se passou que feneceram. Teorias dizem que sofreram as consequências de uma erupção catastrófica em Santorini; outras um incêndio descontrolado numa ilha muito florestada; outras ainda – e que me parecem mais prováveis – uma invasão por guerreiros do continente grego. Um dia chegaram os bárbaros e aquela civilização brilhante foi soterrada.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: center;"&gt;&amp;nbsp;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-gjyN3nRJvu4/TwDztWFcF2I/AAAAAAAAC2s/OB_g0P50YKc/s1600/fresque-de-cnossos-musee-heraclion.1302960896.jpg" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="220" src="http://1.bp.blogspot.com/-gjyN3nRJvu4/TwDztWFcF2I/AAAAAAAAC2s/OB_g0P50YKc/s320/fresque-de-cnossos-musee-heraclion.1302960896.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;No final deste Dezembro que terminou, na mesma Heraclion onde reinou como primeira raínha de Creta a Europa que deu nome ao continente, um aluno de liceu de treze anos desmaiou de fome em plena sala de aulas. A opinião pública grega chocou-se ao saber que em sua casa, a casa de uma funcionária municipal com quatro filhos, não se comia nada há dois dias. E que esta subnutrição, eufemismo tecnocrata para fome, se estava a propagar na antiga classe média grega. Também aqui, à Creta de hoje, &amp;nbsp;chegaram um dia os bárbaros. Não pessoalmente, mas por interpostos sicários. E esses bárbaros longíquos e afirmativos acham que aquele rapaz que cai de fraqueza é um preguiçoso, que tem o que merece e que a sua fome é um facto económico que como tal não pode ser resolvido. Não será de estranhar que assim pensem: é essa inteligência sofrível e essa ética duvidosa que lhes define a barbárie.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Os avós desse rapaz e de outros mais resistentes que tenham conseguido enganar a dor de estômago, lembrar-se-ão ainda dos trezentos mil gregos que morreram de fome no inverno de 1941-42, quando chegaram um dia outros bárbaros – ou seriam os mesmos? – procurando impôr à Europa um império de mil anos. Os bárbaros de hoje aparentarão menos agressividade que esses de há setenta anos e os efeitos ainda não são tão extremos, mas a convicção, essa, essa parece já perigosamente a mesma. A História é marreca e dá muita curva para trás. Como escrevia Camus, o bacilo da peste não morre.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Triste é que a esta união política em que crianças passam fome por falta de solidariedade e excesso de sectarismo insistam os bárbaros em chamar Europa, por ironia a mãe do espírito que renegam. Se querem assim tanto dar um nome grego à coisa, usem um mais adequado: por exemplo, Hades.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-JBy6cWnxF_U/TwDznRSKffI/AAAAAAAAC2c/ZKHl7X_IRpA/s1600/children_greece_ww2.jpg" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="310" src="http://4.bp.blogspot.com/-JBy6cWnxF_U/TwDznRSKffI/AAAAAAAAC2c/ZKHl7X_IRpA/s320/children_greece_ww2.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36616367-7833332012518889858?l=mataspeak.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mataspeak.blogspot.com/feeds/7833332012518889858/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36616367&amp;postID=7833332012518889858' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36616367/posts/default/7833332012518889858'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36616367/posts/default/7833332012518889858'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mataspeak.blogspot.com/2012/01/contos-da-barbarie-parte-terceira-de.html' title='Contos da barbárie – parte terceira de umas quantas'/><author><name>CMata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12803581531108411574</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://2.bp.blogspot.com/_n_0WB6ohfsc/SXFCmyxXa1I/AAAAAAAABA4/HWvYy4E_t1Q/S220/IMG_0073smallCM.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-Wp_5mgWaAXI/TwDzipkPqbI/AAAAAAAAC2U/29sPXjHrG40/s72-c/cnossos.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36616367.post-6219366451102628112</id><published>2011-12-25T21:15:00.004Z</published><updated>2011-12-26T03:12:07.140Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Indignações'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Meditações'/><title type='text'>O pipi dele, outras leituras e um a-propósito natalício</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Tinha prometido a mim próprio não comprar mais livros enquanto não desse um bom avanço no monte que lá está em casa por abrir. Dantes pensava ler tudo o que sobrasse quando me reformasse, mas como nestes tempos “troikaneiros” a idade da reforma se vai afastando de nós de cada vez que chegamos próximo, como a tartaruga do Zenão de Eleia, esse plano gorou-se. Para não ter que voltar do além para acabar as leituras em dívida, com susto dos que cá ficarem, decidi acabar com as aquisições.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Mas no fim-de-semanada passado, a braços com as compras da quadra, entrei numa livraria e fraquejei: vieram-me acidentalmente agarrados aos coutos cinco pequenos volumes que tratei de despachar imediatamente, numa lógica de “last in,first out”, apressando-me a esconder da minha má consciência o corpo do delito.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-MA4q14x31oc/TveRyG1GhYI/AAAAAAAAC14/R36CCeWEEPk/s1600/o+meu+pipi.jpg" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" src="http://3.bp.blogspot.com/-MA4q14x31oc/TveRyG1GhYI/AAAAAAAAC14/R36CCeWEEPk/s320/o+meu+pipi.jpg" width="212" /&gt;&lt;/a&gt;Comecei pelo “Sermões” da autoria de “O meu pipi”. Quando há cerca de oito anos o mesmo incógnito autor editara o seu “Diário”, vários amigos e colegas me gabaram então a excelência do pipi, recomendando a leitura. À época não calhou. Despachei agora as cem páginas dos sermões e ri alarvemente durante uma hora, ficando de alma lavada que nem de molho em lixívia. Estes sermões são um desafio e uma homenagem à inteligência: por detrás do chorrilho incontinente de asneiras, deduzimos o homem culto e subtil, de uma ironia fina, que manobra a língua com extrema perícia (refiro-me obviamente à língua pátria).&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Do que me lembro de leituras diversas, para se escrever sobre sexo sem dar ar de parvo só há duas vias: ou o implícito ou o barrasco. Entre estes dois extremos, entre a frase singela que sugere o acto e passa ao assunto seguinte e o arrazoado de palavreado forte e ordinário há um vazio inacessível, como o espaço entre duas orbitais do átomo.&amp;nbsp; O meu pipi, seja ele quem fôr, percebeu que tinha que dar esse salto quântico para fugir àquela imagética melosa e falsamente sensível, em que o acto sexual se consuma com o auxílio de arpões divinos, rosas em botão, êxtases sublimes e outras hipérboles manhosas do género. Com o meu pipi, não há cá disso. Seguindo uma tradição portuguesa que vem de longe e culmina no Elmano Sadino, arma-se do exagero brejeiro e de uma improvável fineza de escrita e é só rir. E por esse efeito até se ajusta a estes momentos adventícios, supostos ser de alegria.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-koM8HuLZCjk/TveRzF4xs9I/AAAAAAAAC2E/C8sq_M_srsg/s1600/short+movies.jpg" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" src="http://2.bp.blogspot.com/-koM8HuLZCjk/TveRzF4xs9I/AAAAAAAAC2E/C8sq_M_srsg/s320/short+movies.jpg" width="202" /&gt;&lt;/a&gt;Logo de seguida fui a um “Short movies” de Gonçalo M. Tavares, jovem escritor que a crítica muito tem aclamado e ademais genro de pessoa amiga, e que eu não conhecia ainda. São contos curtíssimos, indo de algumas linhas até página e meia, descrevendo algo que se vê, como se de um filmezito se tratasse, com o plano focando no detalhe ou alargando-se para a panorâmica. Quase todos os episódios são estranhos, alguns chegam a perturbar. Com uma escrita depurada, “Short stories” funciona como acepipe e convida a ler outras obras do autor. Não será na verdade livro muito natalício ou só o será de uma forma oblíqua, porque quando inquieta recorda-nos que existe um lado inquietante do Natal em que o papel brilhante de embrulho esconde vidas alquebradas pela desgraça.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Lembrei-me disso ontem quando parei num semáforo no topo da Marquês da Fronteira, a caminho de umas compras tardias. À porta do Estabelecimento Prisional de Lisboa, uma fila de umas dezenas de pessoas, maioritariamente mulheres e crianças, esperava ao frio de Dezembro pela hora da visita. Os adultos aguardavam quedos, atabafados de casacos, as mãos pendentes segurando sacos garridos e prendas berrantes nos seus papéis de embrulho. As crianças cirandavam à volta. A porta, essa, mantinha-se fechada, emperrada pelos regulamentos que hão-de determinar uma hora de entrada, hora que é sempre à mesma hora mesmo em dia de paz e amor, mesmo em dia em que está frio lá fora e lá fora crianças correm excitadas com a melhor prenda que vão ter: encontrar-se finalmente com um pai que se encontra preso. O semáforo abriu e eu arranquei, continuando sem saber se aquilo não era Natal ou se o Natal era afinal aquilo.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-P52VKwuxNjg/TveRxQ4oWEI/AAAAAAAAC1w/pizDs4KvQZ4/s1600/hatred_democracy.jpg" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" src="http://1.bp.blogspot.com/-P52VKwuxNjg/TveRxQ4oWEI/AAAAAAAAC1w/pizDs4KvQZ4/s320/hatred_democracy.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;A terceira leitura chamou-se “O ódio à democracia”, ensaio do filósofo francês Jacques Rancière. Leitura provocadora para estes tempos em que a democracia começa a andar mais nas bocas e nas desculpas do que nas cabeças e nos propósitos. Rancière desafia os nossos próprios preconceitos sobre a democracia, fazendo-nos notar que qualquer distribuição de poder que não seja por tiragem à sorte (como existiu na Grécia antiga) reflecte uma deriva oligárquica (para uma classe bem-nascida ou mais rica ou mais culta, mas que inevitavelmente se julga com um direito natural ao poder e é portanto não-democrática na essência). Daqui evolui para um conceito de democracia não como um sistema político em si, mas como a característica de um sistema político que tem suficientes mecanismos de contra-poder para ir contrariando essa deriva. Isto se percebi bem, porque Rancière, como qualquer intelectual francês, tenta escrever da forma mais complicada possível, provavelmente para se sentir ele próprio como pertencente a uma elite qualquer.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;No final, Rancière zurze no actual estado de coisas na Europa, concluindo que a oligarquia desavergonhada que governa hoje o Ocidente está a perder quaisquer travões democráticos que ainda mantivesse. E como aqui reside a causa primeira de muitas consoadas tristes por essa Europa fora, este até poderá ser um volume de leitura apropriada nesta quadra natalícia.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-Is6a9FinumU/TveRyvjwDvI/AAAAAAAAC18/iS6kthxQGJM/s1600/pink-clash-book.JPG" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" src="http://2.bp.blogspot.com/-Is6a9FinumU/TveRyvjwDvI/AAAAAAAAC18/iS6kthxQGJM/s320/pink-clash-book.JPG" width="254" /&gt;&lt;/a&gt;A quarta leitura, onde ainda estou, é uma biografia de uma das minhas bandas-fetiche, os “The Clash”, pela voz de cada um dos seus membros. Grupo de miúdos menos afortunados das ruas de Londres, sem qualquer formação musical, arrojados no companheirismo (Paul Simonon foi convidado para ocupar o baixo eléctrico sem saber tocar, só porque era um tipo porreiro: os outros ensinaram-no, inclusive no meio dos primeiros concertos), tornou-se um grande grupo de “rock”, de “hits” e de causas, uma banda militante, com coisas para dizer e indignações para cantar (mesmo que eu não concorde com muitas, ou com a maior parte), o que hoje nos parece um exotismo do passado, impregnados que estamos da gelatina do pensamento único.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;E foi neste livro, na voz do seu guitarrista Mick Jones, o que passou a infância mais difícil, com pais violentos que o deixariam aos oito anos a cargo de uma avó, que encontrei o pensamento de Natal deste Natal. É quando ele recorda essa avó, a quem chama carinhosamente “my nan”:&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;- She nurtured me, rescued me from all the fighting and stuff when I was really young, and protected me as much as she could and she never questioned it.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;De facto, a generosidade não está apenas em dar, reside sobretudo em não esperar nada em troca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;E vendo com atenção, os Clash jogam bem com o espírito da época natalícia, festa que celebra o nascimento de um militante. Razão para considerar que o vídeo abaixo passa bem por um cântico de Natal.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;iframe allowfullscreen="" frameborder="0" height="315" src="http://www.youtube.com/embed/hiQoq-wqZxg" width="420"&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36616367-6219366451102628112?l=mataspeak.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mataspeak.blogspot.com/feeds/6219366451102628112/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36616367&amp;postID=6219366451102628112' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36616367/posts/default/6219366451102628112'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36616367/posts/default/6219366451102628112'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mataspeak.blogspot.com/2011/12/o-pipi-dele-outras-leituras-e-um.html' title='O pipi dele, outras leituras e um a-propósito natalício'/><author><name>CMata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12803581531108411574</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://2.bp.blogspot.com/_n_0WB6ohfsc/SXFCmyxXa1I/AAAAAAAABA4/HWvYy4E_t1Q/S220/IMG_0073smallCM.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-MA4q14x31oc/TveRyG1GhYI/AAAAAAAAC14/R36CCeWEEPk/s72-c/o+meu+pipi.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36616367.post-682022341819184229</id><published>2011-12-03T18:10:00.000Z</published><updated>2011-12-03T18:10:27.482Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Comemorações'/><title type='text'>Cinco anos</title><content type='html'>&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt; 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Partilhei sentimentos, com maior ou menor sinceridade, tentei o humor, com mais ou menos piada, procurei interrogar quando achei que falava de coisa séria. Sempre que releio os textos, passados meses ou anos, acho alguns jeitosos, outros já roídos pelo tempo, outros ainda levam-me a interrogar-me sobre o que teria bebido naquele dia. Tudo somado, tenho em relação ao Mataspeak o mesmo sentimento que constava da letra de um fado vadio que costumava trautear um colega meu de faculdade: “É feia, mas gosto dela, e até tenho uma certa vaidade...”&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Vaidade alimentada sobretudo pelos leitores que vão aparecendo, incrementando o contador de visitas, deixando um comentário, enviando uma mensagem, recomendando que prossiga &lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;ou simplesmente lendo. Como dizia a minha avó Palmira, numa carta que me escreveu quando eu fiz dezoito anos e que para meu grande desgosto extraviei (mas não esqueci): sem leitores não há escritores.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;E felizmente vai havendo leitores, alguns até entusiastas, como aquela senhora que me bateu hoje à porta insistindo em oferecer um bolo de aniversário. Não posso obviamente identificar a pessoa, por isso cortei a cara, mas deixo aqui uma foto dela segurando o bolo, que era bonito e soube bem.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-Q6_c_vnvAbM/Ttplzb0o2HI/AAAAAAAAC1k/sQyWJeEFrRs/s1600/BirthdayBabe.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://3.bp.blogspot.com/-Q6_c_vnvAbM/Ttplzb0o2HI/AAAAAAAAC1k/sQyWJeEFrRs/s1600/BirthdayBabe.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36616367-682022341819184229?l=mataspeak.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mataspeak.blogspot.com/feeds/682022341819184229/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36616367&amp;postID=682022341819184229' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36616367/posts/default/682022341819184229'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36616367/posts/default/682022341819184229'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mataspeak.blogspot.com/2011/12/cinco-anos.html' title='Cinco anos'/><author><name>CMata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12803581531108411574</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://2.bp.blogspot.com/_n_0WB6ohfsc/SXFCmyxXa1I/AAAAAAAABA4/HWvYy4E_t1Q/S220/IMG_0073smallCM.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-Q6_c_vnvAbM/Ttplzb0o2HI/AAAAAAAAC1k/sQyWJeEFrRs/s72-c/BirthdayBabe.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36616367.post-7131467501493299168</id><published>2011-12-01T18:14:00.001Z</published><updated>2011-12-01T18:29:33.957Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Comemorações'/><title type='text'>Vinte anos</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal"&gt;Faz hoje vinte anos certos, Mataspeak e Mataspeaka davam o nó diante da Santa Madre Igreja.&amp;nbsp; Costumo dizer que na data em que Portugal comemora a recuperação da sua independência, perdi eu a minha. Ainda bem. Tenho infelizmente um pudor pateta em abrir o peito em público, senão dir-vos-ia que têm sido vinte anos melhores do que eu mereço. Sou um gajo com sorte.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Pensei pôr aqui um vídeo daquela bela canção do Moustaki que diz que “la femme qui est dans mon lit n’a plus vingt ans depuis longtemps”, mas estive a ouvir a letra com mais atenção e concluí que fica melhor daqui a mais vinte anos. Até lá, é alegrar-nos: quando a coisa corre bem, o amor não envelhece, eterniza.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36616367-7131467501493299168?l=mataspeak.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mataspeak.blogspot.com/feeds/7131467501493299168/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36616367&amp;postID=7131467501493299168' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36616367/posts/default/7131467501493299168'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36616367/posts/default/7131467501493299168'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mataspeak.blogspot.com/2011/12/vinte-anos.html' title='Vinte anos'/><author><name>CMata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12803581531108411574</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://2.bp.blogspot.com/_n_0WB6ohfsc/SXFCmyxXa1I/AAAAAAAABA4/HWvYy4E_t1Q/S220/IMG_0073smallCM.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36616367.post-2557866161730431778</id><published>2011-12-01T17:46:00.000Z</published><updated>2011-12-01T17:46:56.425Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Constatações'/><title type='text'>Contos da Barbárie – parte segunda (de umas quantas)</title><content type='html'>&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt; 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Há trinta e quatro anos, os Kraftwerk viram longe e compuseram esta pérola sobre a Europa de hoje que ilustraram num vídeo digno do melhor expressionismo alemão.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;iframe allowfullscreen="" frameborder="0" height="315" src="http://www.youtube.com/embed/-QG5hIR-Yt8" width="420"&gt;&lt;/iframe&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36616367-2557866161730431778?l=mataspeak.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mataspeak.blogspot.com/feeds/2557866161730431778/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36616367&amp;postID=2557866161730431778' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36616367/posts/default/2557866161730431778'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36616367/posts/default/2557866161730431778'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mataspeak.blogspot.com/2011/12/contos-da-barbarie-parte-segunda-de.html' title='Contos da Barbárie – parte segunda (de umas quantas)'/><author><name>CMata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12803581531108411574</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://2.bp.blogspot.com/_n_0WB6ohfsc/SXFCmyxXa1I/AAAAAAAABA4/HWvYy4E_t1Q/S220/IMG_0073smallCM.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://img.youtube.com/vi/-QG5hIR-Yt8/default.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36616367.post-271973935936735153</id><published>2011-12-01T17:32:00.000Z</published><updated>2011-12-01T17:32:30.686Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Constatações'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Indignações'/><title type='text'>Contos da Barbárie – parte primeira (de umas quantas)</title><content type='html'>&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt; 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O comentador televisivo, papagueando algum despacho da Reuters, dizia que Saif se declarava inocente das acusações que pesam sobre ele, mas que – lembrava o locutor com ar suspicioso - esteve junto ao pai durante toda a recente guerra civil líbia.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Soa a fruta da época que um telejornal ocidental, daquele Ocidente que inocentemente consideramos compostinho e democrático, ache facto suspeito e reprovável um filho estar junto ao pai em tempos de guerra. É a teoria da má semente, que lemos com reprovação nos livros de História mas que volta a galope assim que a estupidez se instala: os filhos partilham dos vícios e das culpas dos pais. Já Pombal condenara à morte as crianças da família Távora, que só se salvaram pela intervenção da rainha Mariana e da princesa Maria Francisca, herdeira do trono. Outros tempos, tempos bárbaros, dirão alguns, infelizmente convencidos do que dizem.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Saif al-Islam não beneficia hoje da protecção simpática das multinacionais que lhe patrocinaram uma exposição de arte, certamente convencidas do seu grande talento pintor, ou da empresa de consultoria cujos serviços bem pagos contribuiram para que ele acabasse a sua tese de doutoramento. Não beneficia sobretudo da asa do pai, que em tempos recentes era recebido com pompa por presidentes e primeiros-ministros, prontos a esquecer o massacre dos seus próprios cidadãos nos céus de Lockherbie em troca de umas concessões rentáveis de exploração petrolífera. Tornou-se agora um vencido e já pode ser alvo da indignação bem-pensante.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Não sou tapado ao ponto de não pensar que muito provavelmente Saif al-Islam não teria as mão limpas. Detinha altas responsabilidades num regime corrupto e brutal. Justamente por isso, seria justo, para ele e para as suas possíveis vítimas, que fosse justamente julgado por um tribunal justo. Infelizmente tal não irá acontecer. Na Líbia, as novas autoridades já anunciaram que a lei será baseada na “sharia”. Com tal ponto de partida e com as carnagens de vingança tribal que se viram duram a guerra civil, não tenho grandes esperanças de um sistema judicial local minimamente potável. E quanto ao Tribunal&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;Penal Internacional, por mais formalismos e vestes talares que tenha, ainda não me convenceu. A primeira característica da Justiça deve ser a sua universalidade. Ora o TPI só julga vencidos, por conta dos vencedores.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-lYDeR8iEEec/Tte5-pvr03I/AAAAAAAAC1U/ylXIhlGUDdc/s1600/Alix_VaeVictis_WEB.jpg" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="252" src="http://3.bp.blogspot.com/-lYDeR8iEEec/Tte5-pvr03I/AAAAAAAAC1U/ylXIhlGUDdc/s320/Alix_VaeVictis_WEB.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Todo este carnaval de pretensa democraticidade e justiça à volta da revolução líbia e do patrocínio que o Ocidente lhe proporcionou é particularmente peçonhento. Dizer que aquela guerra tribal, que com forte probabilidade irá descambar num regime islâmico, é uma revolução democrática só mostra um de dois: cinismo ou estupidez. Infelizmente, na maioria dos casos, será a segunda opção. E eu sinceramente preferia que ao menos tudo fosse assumido como simples “realpolitik”: pareceria mais honesto e até mais simpático. Quando o chefe gaulês Breno proferiu a sentença imortal “ai dos vencidos”, não estava com teorias vãs de bondade e superioridade moral. Breno tinha derrotado os romanos e exigira um pagamento de mil libras de ouro para retirar o cerco à cidade. Durante a pesagem, quando os romanos protestaram que os pesos trazidos pelos gauleses estavam falsificados, de modo a aumentar o montante de ouro a entregar, Breno mandou a sua espada para cima dos pesos que estavam na balança, aumentando ainda mais a batota e soltando o tal “vae victis”, que é como quem diz “não estejam com tretas, ganhei, sou o mais forte, dito as regras e se protestam ainda é pior”. E o que eu vi passar-se na Líbia foi “vae victis” no seu maior esplendor, só que com a altivez de Breno trocada pela mesquinhez mediatizada de Cameron e do pequeno Nicolas.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;Quando os ventos da História soprarem para longe a poeira do deserto, talvez as imagens mais duradouras deste triste episódio sejam o linchamento em directo de Khadafi por uma matilha de cobardes raivosos, o bimbo do deserto a exibir as pistolas do ditador como se roubá-las a um cadáver fosse um feito apreciável, as filas de básicos em romaria para tirar fotografias ao cadáver com telemóveis e, pior ainda, o silêncio comprometido dos líderes, comentadores e “media” ocidentais em relação a esta panóplia de vergonhas.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Vá lá que - fraca consolação - desta vez não tivemos a líder suprema da Europa, a “ossie” luterana Merkel, a vir publicamente anunciar a sua satisfação com a morte de um homem, como fez quando os americanos despacharam o Bin Laden. Que um chanceler alemão viesse dizer que lamentava ter que se ter chegado a esse ponto, mas que compreendia a acção americana, isso é algo que poderá ser discutível mas que se poderá entender como “realpolitik”. Que a Angela venha a correr para diante dos microfones manifestar alegria por uma execução sumária, só para piscar o olho ao lado de lá do Atlântico, e ninguém comente, diz muito sobre o nível a que estamos a todos a chegar. Explica também muito do que nos está a acontecer nesta Europa em crise.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-En3KBBtNX3E/Tte5_OgLfVI/AAAAAAAAC1Y/Hje2WE8rekw/s1600/khadafi+2.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="193" src="http://4.bp.blogspot.com/-En3KBBtNX3E/Tte5_OgLfVI/AAAAAAAAC1Y/Hje2WE8rekw/s320/khadafi+2.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;E para aqueles que neste momento estão a vacilar, a pensar “os gajos eram uns facínoras e tiveram o que mereciam”, não me venham com essa que não tem puto a ver! A democracia não exerce a vingança, pratica a justiça, e nesta vida temos que fazer escolhas: ou somos civilizados ou aceitamos com tranquilidade que homens em bando matem outro indefeso, por muito facínora que tenha sido. Lamentavelmente, não há posição intermédia. A opção é vossa.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36616367-271973935936735153?l=mataspeak.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mataspeak.blogspot.com/feeds/271973935936735153/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36616367&amp;postID=271973935936735153' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36616367/posts/default/271973935936735153'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36616367/posts/default/271973935936735153'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mataspeak.blogspot.com/2011/12/contos-da-barbarie-parte-primeira-de.html' title='Contos da Barbárie – parte primeira (de umas quantas)'/><author><name>CMata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12803581531108411574</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://2.bp.blogspot.com/_n_0WB6ohfsc/SXFCmyxXa1I/AAAAAAAABA4/HWvYy4E_t1Q/S220/IMG_0073smallCM.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-lYDeR8iEEec/Tte5-pvr03I/AAAAAAAAC1U/ylXIhlGUDdc/s72-c/Alix_VaeVictis_WEB.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36616367.post-1244016771547760681</id><published>2011-11-08T01:54:00.006Z</published><updated>2011-11-09T00:29:36.139Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Exposição fotográfica'/><title type='text'>Exposição fotográfica (XXXVI)</title><content type='html'>&amp;nbsp;Longo passeio no Porto, a 28 de Novembro de 2010&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-iFgzk-maifw/TriFdc-NzsI/AAAAAAAACzs/szz0s5LBdHc/s1600/Freixo+%25C3%25A0+noite.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="213" src="http://1.bp.blogspot.com/-iFgzk-maifw/TriFdc-NzsI/AAAAAAAACzs/szz0s5LBdHc/s320/Freixo+%25C3%25A0+noite.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;Pousada do Freixo à noite&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-lTBVW2G3HXI/TriFm4NjjkI/AAAAAAAAC0E/fZ0phmw4Z5M/s1600/Pousada+do+Freixo.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="213" src="http://2.bp.blogspot.com/-lTBVW2G3HXI/TriFm4NjjkI/AAAAAAAAC0E/fZ0phmw4Z5M/s320/Pousada+do+Freixo.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&amp;nbsp;Pousada do Freixo de manhã&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&amp;nbsp;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-0dkmd9_c2VU/TriGKTEx8iI/AAAAAAAAC0Q/54EUenivkJo/s1600/r+As+pontes.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="213" src="http://1.bp.blogspot.com/-0dkmd9_c2VU/TriGKTEx8iI/AAAAAAAAC0Q/54EUenivkJo/s320/r+As+pontes.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&amp;nbsp;As pontes sobre o Douro&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-AvaxzLVqOpg/TriFfusTLOI/AAAAAAAACz0/YYmc8PHYY2s/s1600/Lendo+o+Jornal+na+Ribeira.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="213" src="http://4.bp.blogspot.com/-AvaxzLVqOpg/TriFfusTLOI/AAAAAAAACz0/YYmc8PHYY2s/s320/Lendo+o+Jornal+na+Ribeira.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&amp;nbsp;Lendo o jornal na Ribeira&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-6uCeSLncTFU/TriGJaLOY2I/AAAAAAAAC0M/aWnTKo3HB6s/s1600/r+A+panela.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" src="http://4.bp.blogspot.com/-6uCeSLncTFU/TriGJaLOY2I/AAAAAAAAC0M/aWnTKo3HB6s/s320/r+A+panela.jpg" width="213" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&amp;nbsp;O tacho da Alzira, na Ribeira&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-jrVkEBHwQs4/TriGwNLQd7I/AAAAAAAAC1E/z3BmAGS245k/s1600/r+Vila+Bu%25C3%25A7aco.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" src="http://4.bp.blogspot.com/-jrVkEBHwQs4/TriGwNLQd7I/AAAAAAAAC1E/z3BmAGS245k/s320/r+Vila+Bu%25C3%25A7aco.jpg" width="213" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&amp;nbsp;Ruelas na Ribeira&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/--MydXnO3LlE/TriGphs7BiI/AAAAAAAAC0k/U7o2rR-04d0/s1600/r+Calem.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" height="213" src="http://3.bp.blogspot.com/--MydXnO3LlE/TriGphs7BiI/AAAAAAAAC0k/U7o2rR-04d0/s320/r+Calem.jpg" width="320" /&gt;&amp;nbsp;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;/td&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/td&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/td&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/td&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/td&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/td&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Adegas Calém&lt;/span&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-GwSWkx4LTfU/TriGsmlqCiI/AAAAAAAAC00/VauPF0mvfnw/s1600/r+Ribeira+postal.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="213" src="http://3.bp.blogspot.com/-GwSWkx4LTfU/TriGsmlqCiI/AAAAAAAAC00/VauPF0mvfnw/s320/r+Ribeira+postal.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&amp;nbsp;Um bocado a puxar para o postal&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-0_WmevPX7fk/TriGrXdvkSI/AAAAAAAAC0o/tIkSE3jSp8U/s1600/r+Espelho.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="213" src="http://4.bp.blogspot.com/-0_WmevPX7fk/TriGrXdvkSI/AAAAAAAAC0o/tIkSE3jSp8U/s320/r+Espelho.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Ponte D.Luís vista de Gaia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-7h54eElDcfQ/TriFh9GsC9I/AAAAAAAACz8/dLwwqbaAoI8/s1600/Panascal.jpg" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="213" src="http://4.bp.blogspot.com/-7h54eElDcfQ/TriFh9GsC9I/AAAAAAAACz8/dLwwqbaAoI8/s320/Panascal.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Só no Porto para darem tal nome...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-GIC5LKG0zXo/TriGLMS-yYI/AAAAAAAAC0c/IDVGh1Mids4/s1600/r+Ave+da+rapina.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" src="http://3.bp.blogspot.com/-GIC5LKG0zXo/TriGLMS-yYI/AAAAAAAAC0c/IDVGh1Mids4/s320/r+Ave+da+rapina.jpg" width="213" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Ave de rapina&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-u-CE9yvsIj8/TriGuZc--dI/AAAAAAAAC08/kAzz2CIHL4I/s1600/r+Sandeman.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" src="http://1.bp.blogspot.com/-u-CE9yvsIj8/TriGuZc--dI/AAAAAAAAC08/kAzz2CIHL4I/s320/r+Sandeman.jpg" width="213" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Debaixo da capa, o segredo! &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-W4h65kazmTo/TriFbY6346I/AAAAAAAACzk/7dpTcV3tAac/s1600/Francesinhas.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" src="http://2.bp.blogspot.com/-W4h65kazmTo/TriFbY6346I/AAAAAAAACzk/7dpTcV3tAac/s320/Francesinhas.jpg" width="213" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Francesinhas, o pitéu nortenho por excelência!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36616367-1244016771547760681?l=mataspeak.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mataspeak.blogspot.com/feeds/1244016771547760681/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36616367&amp;postID=1244016771547760681' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36616367/posts/default/1244016771547760681'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36616367/posts/default/1244016771547760681'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mataspeak.blogspot.com/2011/11/exposicao-fotografica-xxxvi.html' title='Exposição fotográfica (XXXVI)'/><author><name>CMata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12803581531108411574</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://2.bp.blogspot.com/_n_0WB6ohfsc/SXFCmyxXa1I/AAAAAAAABA4/HWvYy4E_t1Q/S220/IMG_0073smallCM.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-iFgzk-maifw/TriFdc-NzsI/AAAAAAAACzs/szz0s5LBdHc/s72-c/Freixo+%25C3%25A0+noite.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36616367.post-600580784018421486</id><published>2011-11-08T00:24:00.005Z</published><updated>2011-11-08T14:13:20.021Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Constatações'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Meditações'/><title type='text'>Férias (IX) – Terceira leitura</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: &amp;quot;Helvetica Neue&amp;quot;,Arial,Helvetica,sans-serif;"&gt;O Verão prolongou-se inesperadamente para além das férias estivais e com ele o último “post” sobre as férias. Vindas as primeiras chuvas, há que fechar este capítulo. E já tarde vai.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: &amp;quot;Helvetica Neue&amp;quot;,Arial,Helvetica,sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: &amp;quot;Helvetica Neue&amp;quot;,Arial,Helvetica,sans-serif;"&gt;Contei antes sobre a &lt;a href="http://mataspeak.blogspot.com/2011/09/ferias-iv-primeira-leitura_04.html"&gt;primeira&lt;/a&gt; e &lt;a href="http://mataspeak.blogspot.com/2011/09/ferias-vi-segunda-leitura.html"&gt;segunda&lt;/a&gt; leituras dos meus vinte dias a banhos. A terceira deu-se num formato impróprio para praia, um tijolo de setecentos páginas, de capa dura, rebolando permanentemente na areia por acidente: uma “História de Portugal” coordenada por Rui Ramos e escrita pelo próprio, por Bernardo Vasconcelos e Sousa e por Nuno Gonçalo Monteiro. Mau grado o desconforto que o calhamaço provocava, acabou por ser a leitura mais proveitosa das minhas férias e também dos últimos tempos e também muito a propósito destes últimos tempos de permanente negrume nas notícias, nas políticas, nas mentes.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: &amp;quot;Helvetica Neue&amp;quot;,Arial,Helvetica,sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: &amp;quot;Helvetica Neue&amp;quot;,Arial,Helvetica,sans-serif;"&gt;Eu já lera antes outros livros com o mesmo título e o mesmo difícil objectivo: condensar nuns centos de páginas mais de mil anos de vida daquilo que veio a ser e foi Portugal. E o que me desconcertou neste livro foi a sua novidade. Os autores pegaram num tema batido que eu petulantemente pensava que conhecia e pela selecção dos factos que consideraram mais relevantes, pela escolha de números que lhes pareceram mais indubitáveis, pela crítica por vezes mais desprendida do que correu bem e correu mal, acabam por construir uma panorâmica da nossa história diferente da que nos foi despachada na escola e narrada por outros compêndios.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: &amp;quot;Helvetica Neue&amp;quot;,Arial,Helvetica,sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: &amp;quot;Helvetica Neue&amp;quot;,Arial,Helvetica,sans-serif;"&gt;Só marginalmente me deveria surpreender, porque aí reside uma das riquezas da História: é que ela não é só uma, são muitas.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: &amp;quot;Helvetica Neue&amp;quot;,Arial,Helvetica,sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-0QyNqL4V0iU/Trh2gA_4i7I/AAAAAAAACzU/dfWIL2jfVzY/s1600/historia_de_portugal-rui_ramos.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" src="http://1.bp.blogspot.com/-0QyNqL4V0iU/Trh2gA_4i7I/AAAAAAAACzU/dfWIL2jfVzY/s320/historia_de_portugal-rui_ramos.jpg" width="218" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: &amp;quot;Helvetica Neue&amp;quot;,Arial,Helvetica,sans-serif;"&gt;Tal nova visão talvez resulte do facto de ser a primeira obra deste tipo escrita por historiadores que se formaram já após o 25 de Abril e que por isso estão menos presos a reverências ou falta delas para com eventos ou regimes que, à “esquerda” ou à “direita”, tiveram a simpatia dos que os precederam nessa empreitada de escrever uma “História de Portugal”. Por isso, ao afastarem-se do monolitismo com que certos temas tinham quase obrigatoriamente que ser tratados em gerações anteriores, ao introduzirem matizes no que antes só se ensinava a preto e branco, acabam por formular uma imagem mais rica, mais iconoclasta, mais indutora de reflexão que noutras obras semelhantes que eu já lera. E como cereja em cima do bolo, permitindo retirar lições oportunas para encarar o momento de aperto pelo qual Portugal passa hoje – ou não fosse esse um dos objectivos de conhecer a História.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: &amp;quot;Helvetica Neue&amp;quot;,Arial,Helvetica,sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: &amp;quot;Helvetica Neue&amp;quot;,Arial,Helvetica,sans-serif;"&gt;Na escrita, Rui Ramos, que trata o período contemporâneo (das invasões francesas até ao presente), supera claramente os seus dois colegas. Com uma noção muito mais clara de que divulgar História passa por contá-la e não por dissertá-la, sem medo de usar a anedota ou a “petite Histoire” para ilustrar um período ou vincar um argumento, sem complexos sobre a necessidade de documentar em excesso, escreve sobre o tema como os ingleses, que se lêem bem apesar de pedantes, e não como os franceses, que são uns chatos encartados porque pedantes.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: &amp;quot;Helvetica Neue&amp;quot;,Arial,Helvetica,sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: &amp;quot;Helvetica Neue&amp;quot;,Arial,Helvetica,sans-serif;"&gt;Para dar exemplo de uma visão diferente sobre ideias feitas antigas, está o tratamento que se dá ao período filipino, muito menos dramatizado que a versão “oficial” e nacionalista de um interregno sombrio de sujeição a Espanha: o “Estatuto de Tomar” deu a Portugal a condição de reino herdado e não de reino conquistado, permitindo-lhe uma autonomia no seio da monarquia dos Habsburgo que outros reinos integrados na mesma, como Nápoles, não tinham, e com um papel importante das elites portuguesas na condução do país e das colónias. Neste aspecto, os dois primeiros Filipes, pelo menos esses, “jogaram o jogo”. E se calhar tínhamos mais independência então do que agora.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: &amp;quot;Helvetica Neue&amp;quot;,Arial,Helvetica,sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: &amp;quot;Helvetica Neue&amp;quot;,Arial,Helvetica,sans-serif;"&gt;Outro exemplo – cujo referência temo que me vá merecer muita indignação entre alguns amigos e familiares – passa por uma desmontagem da imagem mais idílica que se tem&amp;nbsp; do vinte e cinco de Abril como processo sem espinhas. Rui Ramos faz notar que no período logo imediatamente após a revolução o tratamento dos direitos individuais em Portugal andou muito por baixo, com mais de mil detidos (cerca de sete vezes o número de presos políticos aquando da queda do Estado Novo), sem motivação criminal, privados de assistência jurídica, por períodos que chegaram a dezassete meses, inclusive com alguns casos de tortura e privação de assistência médica.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: &amp;quot;Helvetica Neue&amp;quot;,Arial,Helvetica,sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: &amp;quot;Helvetica Neue&amp;quot;,Arial,Helvetica,sans-serif;"&gt;E quanto a ilações para o momento presente? Refiro três ou, talvez, quatro.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: &amp;quot;Helvetica Neue&amp;quot;,Arial,Helvetica,sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: &amp;quot;Helvetica Neue&amp;quot;,Arial,Helvetica,sans-serif;"&gt;Uma primeira é que Portugal não desaparecerá desta. Passou por muito pior e contra todas as probabilidades sobreviveu. Foi campo de combate de guerras europeias. Sofreu a maior catástrofe natural de que há memória na Europa. Teve exércitos espanhóis a entrar por aí dentro em números impossíveis de contrariar. Combateu guerras civis. Perdeu a independência. Viu-se excomungado pelo papa. Foi herdado pela coroa de Castela. Falhou pagamentos da dívida soberana (Fontes Pereira de Melo fê-lo uma vez de propósito, resolveu o pagamento das necessidades internas e em três anos “voltou aos mercados”). Perdeu a canela da Índia, o ouro do Brasil, os diamantes de Angola e os subsídios comunitários. O Sporting ficou uma vez em nono lugar no campeonato. Apesar de todas estas desgraças, ainda cá estamos e cá continuaremos.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: &amp;quot;Helvetica Neue&amp;quot;,Arial,Helvetica,sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: &amp;quot;Helvetica Neue&amp;quot;,Arial,Helvetica,sans-serif;"&gt;Outra é: esqueçamos a teoria do “bom aluno europeu”, percamos esta ânsia de sermos admirados ou considerados como iguais por alemães ou ingleses ou franceses. Não vamos ser, pelo menos durante muitas gerações. O racismo gordinho contra os preguiçosos morenos do sul propalado por Angela Merkel e pelo seu ministro das finanças com ar de “unteroffizier” não difere substancialmente dos preconceitos de Junot contra os costumes portugueses, do desprezo de Wellington sentando-se no lugar do rei no S. Carlos ou dos burocratas da CEE que nas negociações do nosso processo de adesão queriam restringir a nossa circulação no espaço europeu. “Realmente” - terão pensado – “deixar portugueses à solta por aí!”&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: &amp;quot;Helvetica Neue&amp;quot;,Arial,Helvetica,sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: &amp;quot;Helvetica Neue&amp;quot;,Arial,Helvetica,sans-serif;"&gt;Junot, Wellington e os eurocratas, todos tiveram a sua corte de bem-pensantes nacionais que gostavam de ser civilizados como os franceses, os ingleses ou os europeus. A solução não está aí. Está em ser bom, em ser o melhor possível por comparação com padrões exigentes que nos imponhamos, não por uma reverente equiparação com um ideal europeu. Isto é um contra-relógio, não uma corrida em pelotão em que temos fazer o jogo do chefe-de-fila. A Europa é um pacto, um negócio. Quando negociarmos, devemos estar conscientes de como os outros nos vêem (como uns atrasados) e usarmos isso em nossa vantagem. Façamos – aí sim – como eles: sejamos cínicos e tentemos sacar o máximo.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: &amp;quot;Helvetica Neue&amp;quot;,Arial,Helvetica,sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: &amp;quot;Helvetica Neue&amp;quot;,Arial,Helvetica,sans-serif;"&gt;Em terceiro, é curioso verificar como existe uma recorrência no modo como as sucessivas elites políticas na monarquia constitucional, na primeira república ou no actual regime democrático encontraram um equilíbrio na rotação no poder, na partilha de prebendas e no esgotamento dos recursos do Estado. Tal resultou na anomia desses regimes e, nos dois primeiros, nas suas quedas. Curiosamente, Rui Ramos faz notar que nunca essas elites sentiram que do lado do povo viesse qualquer perigo. Temiam, na monarquia e na primeira república, o que podia acontecer do lado dos militares. Dizia um político do princípio do século passado que desde que a tropa andasse satisfeita, estava tudo bem.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: &amp;quot;Helvetica Neue&amp;quot;,Arial,Helvetica,sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: &amp;quot;Helvetica Neue&amp;quot;,Arial,Helvetica,sans-serif;"&gt;A ver vamos se nos safamos melhor desta e se a esfrega que vamos levar agora é de modo a que nunca mais toleremos a perpetuação de certos regabofes. Talvez agora percebamos finalmente que acabamos sempre todos por pagar com língua de palmo e taxas agravadas de imposto as obras faraónicas, as desorçamentações espertalhaças, os direitos inalienáveis insustentáveis e tudo o mais que os Albertos Joões Jardins, os Fernandos Ruas ou os Mários Nogueiras deste país nos queiram atirar para cima.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-2c1q5EQ3SSo/Trh2k0xLnoI/AAAAAAAACzc/UVx9i6-yHGg/s1600/bordalo.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="293" src="http://2.bp.blogspot.com/-2c1q5EQ3SSo/Trh2k0xLnoI/AAAAAAAACzc/UVx9i6-yHGg/s320/bordalo.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: &amp;quot;Helvetica Neue&amp;quot;,Arial,Helvetica,sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: &amp;quot;Helvetica Neue&amp;quot;,Arial,Helvetica,sans-serif;"&gt;Por último – e é a tal quarta. Dá sempre gosto ler a História deste país. Não somos os maiores, mas somos dos maiores, só por aqui ter chegado com todo aquele passado na bagagem, do mais sublime ao mais infame. É tão fácil amar Portugal. Hoje mais do que nunca. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36616367-600580784018421486?l=mataspeak.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mataspeak.blogspot.com/feeds/600580784018421486/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36616367&amp;postID=600580784018421486' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36616367/posts/default/600580784018421486'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36616367/posts/default/600580784018421486'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mataspeak.blogspot.com/2011/11/ferias-ix-terceira-leitura.html' title='Férias (IX) – Terceira leitura'/><author><name>CMata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12803581531108411574</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://2.bp.blogspot.com/_n_0WB6ohfsc/SXFCmyxXa1I/AAAAAAAABA4/HWvYy4E_t1Q/S220/IMG_0073smallCM.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-0QyNqL4V0iU/Trh2gA_4i7I/AAAAAAAACzU/dfWIL2jfVzY/s72-c/historia_de_portugal-rui_ramos.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36616367.post-2572433296274601494</id><published>2011-10-16T20:32:00.001+01:00</published><updated>2011-10-16T20:33:37.956+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Admirações'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Meditações'/><title type='text'>Férias (VIII) - Um suave milagre</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal"&gt;Nos dias de Agosto que passámos no sul de Espanha, àquela hora lusco-fusca em que o sol partindo leva com ele a brasa africana da tarde, reparámos em muitas famílias que passeavam pela marginal que bordeja a praia empurrando carrinhos ou cadeiras de rodas levando crianças com deficiências.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Sei que o termo “deficiência” pode levantar protestos de horror afectado entre aqueles que pensam que o que importa são os vocábulos. Pois não quero saber. Gostaria que a sociedade gastasse menos tempo a indignar-se por não se dizer “pessoa de mobilidade reduzida” ou “portador do síndrome de Down” ou qualquer outro termo de hipócrita satisfação de consciências e mais a horrorizar-se por os recursos dos nossos impostos não serem afectados na proporção necessária a essas pessoas e às suas famílias. O politicamente correcto é uma sarna da nossa sociedade, uma erupção de pele originada pelo mal colectivo de que padecemos. Não deveríamos ter medo das palavras. Afinal, um coxo é um coxo, um paralítico é um paralítico e um liberal que tenta usar as leis do mercado para explicar que não é papel do Estado ajudar essas crianças é um atrasado mental.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Mas, voltando, espantámo-nos pelo número. Não me recordo de em Portugal, nas zonas de férias, nas ruas mercantes em que se passeia de alto a baixo ao final do dia, serem comparativamente tantas. Espero que por casualidade. Quero acreditar que já não vigorará por cá aquela mentalidade de que me lembro de presenciar em criança, quando um filho deficiente era uma culpa que se expiava e uma vergonha que se escondia. Em todo o caso, ali, fosse pela largura do calçadão que convidava ao passeio, fosse pela largura das ideias, lá andavam grupos em fim de tarde, gozando o crepúsculo de Verão, iguais aos outros e apenas um pouco diferentes dos outros.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-4f_MgPent3Y/Tpswr4yfCXI/AAAAAAAACyU/n-DSpOCuVjA/s1600/IMG_6207.JPG" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="213" src="http://3.bp.blogspot.com/-4f_MgPent3Y/Tpswr4yfCXI/AAAAAAAACyU/n-DSpOCuVjA/s320/IMG_6207.JPG" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Numa dessas noites, em que jantámos no “chiringuito” Varela, uma esplanada humilde de cadeiras da Pepsi à babuja da areia, entrou a dado momento uma destas famílias: pai, mãe, avó e uma criança de pouca idade num carrinho, cuja deformação do crânio não deixava dúvidas. Ficaram próximos de nós e pudemos assistir a como durante toda a refeição pai e mãe sorriam para aquele filho, lhe falavam, lhe acenavam com brinquedos, o apaparicavam e lhe voltavam a sorrir um sorriso genuinamente feliz, de jovens pais que curtem a meninice do seu filho. Aquele bebé não viera apenas por ter que vir, por não ter onde ficar. Estava a jantar com eles de pleno direito, por distante que parecesse.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Ora eu, que com os anos esfolados me vou comovendo mais com estas coisas, maravilhei-me e pensei cá para comigo que aquela cena era o mundo ao contrário do mundo que por aí anda à nossa volta. Ali estavam dois pais que certamente sofriam as limitações do filho, que possivelmente penavam entre médicos ou terapeutas, que talvez fizessem das fraquezas forças ao fim de um dia de trabalho para lhe dar a atenção especial que aquela criança especial requeria, mas que pegavam em todas essas provações, trituravam, processavam e as transformavam num amor incondicional que parecia a quem assistia do mais genuíno que pode haver. E este quadro, feito de devoção e entreajuda, de vitória da essência sobre a aparência, de abnegação substituindo o egocentrismo, contrastava de modo berrante com os tempos que vivemos, de individualismos de freio nos dentes, de “darwinismos” sociais, de belezas de celofane e sensualidades recortadas a bisturi, em que as leis ditas do mercado justificam uma certa insídia de eugenia social e em que a solidariedade se abastardou frequentemente em caridadezinha, por vezes promovida a ferramenta de “marketing” empresarial, segundo novas modas, por vezes em modalidades paternalistas que por erro julgámos arcaicas.&lt;/div&gt;&amp;nbsp; &lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-EgnImk9szYE/Tpsw8h1z2XI/AAAAAAAACyc/HaiF1I2N36Q/s1600/IMG_6232.JPG" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="213" src="http://4.bp.blogspot.com/-EgnImk9szYE/Tpsw8h1z2XI/AAAAAAAACyc/HaiF1I2N36Q/s320/IMG_6232.JPG" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Este choradinho poder-vos-á parecer um lugar-comum. Provavelmente será, concordo convosco. Mas não creio que deixe por isso de ser verdade. Os lugares-comuns também são gente.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36616367-2572433296274601494?l=mataspeak.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mataspeak.blogspot.com/feeds/2572433296274601494/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36616367&amp;postID=2572433296274601494' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36616367/posts/default/2572433296274601494'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36616367/posts/default/2572433296274601494'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mataspeak.blogspot.com/2011/10/ferias-viii-um-suave-milagre.html' title='Férias (VIII) - Um suave milagre'/><author><name>CMata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12803581531108411574</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://2.bp.blogspot.com/_n_0WB6ohfsc/SXFCmyxXa1I/AAAAAAAABA4/HWvYy4E_t1Q/S220/IMG_0073smallCM.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-4f_MgPent3Y/Tpswr4yfCXI/AAAAAAAACyU/n-DSpOCuVjA/s72-c/IMG_6207.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36616367.post-489865599784569586</id><published>2011-09-25T02:22:00.000+01:00</published><updated>2011-09-25T02:22:15.973+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Exposição fotográfica'/><title type='text'>Férias (VII) – Do álbum</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-8tgJv2ZiBAQ/Tn6BZBblnfI/AAAAAAAACx8/nb_TANitHuU/s1600/Aivados.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="213" src="http://4.bp.blogspot.com/-8tgJv2ZiBAQ/Tn6BZBblnfI/AAAAAAAACx8/nb_TANitHuU/s320/Aivados.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&amp;nbsp;"Frisbee" na praia dos Aivados&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-khspTez426I/Tn6BaRanQaI/AAAAAAAACyA/W9Dtzh5LBjM/s1600/Barco.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="213" src="http://2.bp.blogspot.com/-khspTez426I/Tn6BaRanQaI/AAAAAAAACyA/W9Dtzh5LBjM/s320/Barco.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&amp;nbsp;Torre del Mar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-6cWCq9Wwqjo/Tn6BdG5CZtI/AAAAAAAACyE/LD6gtriZf10/s1600/Cercal.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="213" src="http://2.bp.blogspot.com/-6cWCq9Wwqjo/Tn6BdG5CZtI/AAAAAAAACyE/LD6gtriZf10/s320/Cercal.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&amp;nbsp;Arredores do Cercal&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-kVRmXxuI18k/Tn6BgD7ESqI/AAAAAAAACyI/7byeXDxvdOU/s1600/Grade.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="213" src="http://4.bp.blogspot.com/-kVRmXxuI18k/Tn6BgD7ESqI/AAAAAAAACyI/7byeXDxvdOU/s320/Grade.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&amp;nbsp;Torre del Mar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-YjpWFKMxR8M/Tn6Bk56INnI/AAAAAAAACyM/1T-t260SOdA/s1600/Vendedora.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="213" src="http://3.bp.blogspot.com/-YjpWFKMxR8M/Tn6Bk56INnI/AAAAAAAACyM/1T-t260SOdA/s320/Vendedora.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&amp;nbsp;Vendedora, estudante e andaluza, em Torre del Mar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-73A7KGSLN5w/Tn6BnnH20TI/AAAAAAAACyQ/tzx-JxxBBT0/s1600/Vieirinha.JPG" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="213" src="http://2.bp.blogspot.com/-73A7KGSLN5w/Tn6BnnH20TI/AAAAAAAACyQ/tzx-JxxBBT0/s320/Vieirinha.JPG" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Praia da Vieirinha&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36616367-489865599784569586?l=mataspeak.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mataspeak.blogspot.com/feeds/489865599784569586/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36616367&amp;postID=489865599784569586' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36616367/posts/default/489865599784569586'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36616367/posts/default/489865599784569586'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mataspeak.blogspot.com/2011/09/ferias-vii-do-album.html' title='Férias (VII) – Do álbum'/><author><name>CMata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12803581531108411574</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://2.bp.blogspot.com/_n_0WB6ohfsc/SXFCmyxXa1I/AAAAAAAABA4/HWvYy4E_t1Q/S220/IMG_0073smallCM.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-8tgJv2ZiBAQ/Tn6BZBblnfI/AAAAAAAACx8/nb_TANitHuU/s72-c/Aivados.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36616367.post-7390278130553775857</id><published>2011-09-24T15:17:00.004+01:00</published><updated>2011-09-24T19:27:22.652+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Meditações'/><title type='text'>Férias (VI) – Segunda leitura</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal"&gt;&amp;nbsp;  &lt;/div&gt;&lt;div align="right" class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: right;"&gt;&lt;span lang="EN-US" style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 9pt;"&gt;Sex and drugs and rock’n’roll&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right" class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: right;"&gt;&lt;span lang="EN-US" style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 9pt;"&gt;Is all my brain and body need&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right" class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: right;"&gt;&lt;span lang="EN-US" style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 9pt;"&gt;Sex and drugs and rock’n’roll&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right" class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: right;"&gt;&lt;span lang="EN-US" style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 9pt;"&gt;Is very good indeed&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right" class="MsoNormal" style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right" class="MsoNormal" style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: right;"&gt;&lt;span lang="EN-US" style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 9pt; line-height: 115%;"&gt;Ian Dury, in “Sex&amp;amp;Drugs&amp;amp;Rock’n’Roll”&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;;"&gt;Este foi o Verão das leituras pesadas. Depois das provações terríveis de uma humanidade cega (vide &lt;a href="http://mataspeak.blogspot.com/2011/09/ferias-iv-primeira-leitura_04.html"&gt;aqui&lt;/a&gt;), seguiu-se uma viagem aos abismos mais tenebrosos da trilogia sexo-drogas-rock’n’roll com “Please kill me”, subtitulado “The uncensored oral history of Punk”. &amp;nbsp;São quinhentas páginas de letra miúda exclusivamente com testemunhos de cerca de duzentas pessoas que viveram por dentro o “punk” americano, fenómeno essencialmente nova-iorquino. Compilaram Legs McNeil e Gillian McCain.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;;"&gt;São páginas deprimentes. No que nos é contado nada foi “very good indeed” como na paródia britânica de Ian Dury acima citada. O sexo era mecânico e sem amanhã, as drogas eram duras e sem liberdade e o “rock’n’roll” soava de uma violência sem destinatário ao lado da qual os Sex Pistols pareciam um chá das cinco (que por acaso até tomavam, como bifes que eram).&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;;"&gt;Esta história do “punk” vai muito atrás, muito antes da explosão britânica de 76. Começa em 1967 com Lou Reed, John Cale e os Velvet Underground no ambiente peneirento-intelectual da Factory de Andy Warhol e segue sobretudo com Iggy Pop e os Stooges, todos profetas antes da sua hora que criaram as raízes de um “rock” acerado, negro, exultante de negatividade e violência numa época em que paz e amor californianos dominavam as tabelas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;;"&gt;Depois esta semente medrou no momento apropriado, através de nomes como Tom Verlaine, Patti Smith, Richard Hell, Johny Thunders, Jerry Nolan ou Dee Dee Ramone, mas quase sem sair dos habituais clubes como o CBGB, até que um rapaz inglês dado à produção, Malcolm McLaren, viu, voltou à pátria e copiou, montando o seu produto à imagem e semelhança do que vira no “bas-fond” nova-iorquino: os Pistols. Como ele confessa aliás sem remorso em “The great rock’n’roll swindle”, em excertos como este:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;;"&gt;- &lt;/span&gt;&lt;span lang="EN-US" style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;;"&gt;There was Steve Jones. Eighteen years of age. A brilliant cat burglar. I nominated him guitarist.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;;"&gt;E acabou por ser no Reino Unido que o movimentou estourou em fama e abriu as portas a um renovar do “rock” dos dois lados do Atlântico, com muitos momentos gloriosos e imorredouros.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;;"&gt;Mas “Please kill me” não fala apenas pela voz dos nomes que perduraram. Conta também a visão dos produtores, preocupados em espremer o potencial lucro de um produto potencialmente auto-destrutivo, das “groupies” que saltavam de leito em leito e de banda em banda até não ter mais para onde saltar senão para a sarjeta, dos poucos que, como o “stooge” Ron Asheton, apenas queriam tocar e olhavam de cima para o pantanal onde se moviam e de muitos que meramente enxameavam ao redor.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;;"&gt;“Please kill me” acaba por ser uma leitura formativa sobre estranhos numa terra estranha que julgam ser a dos seus sonhos de adolescência mas que para muitos e sobretudo para os menos bem-nascidos acaba por ser um pesadelo lento, denso, amargado e terminando para alguns num beco. Honra lhe seja feita, vale pela franqueza.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-649lwvGD36c/Tn3mZu1jI3I/AAAAAAAACx4/csz2eNdaNZk/s1600/PleaseKillMe.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" src="http://1.bp.blogspot.com/-649lwvGD36c/Tn3mZu1jI3I/AAAAAAAACx4/csz2eNdaNZk/s320/PleaseKillMe.jpg" width="230" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36616367-7390278130553775857?l=mataspeak.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mataspeak.blogspot.com/feeds/7390278130553775857/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36616367&amp;postID=7390278130553775857' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36616367/posts/default/7390278130553775857'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36616367/posts/default/7390278130553775857'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mataspeak.blogspot.com/2011/09/ferias-vi-segunda-leitura.html' title='Férias (VI) – Segunda leitura'/><author><name>CMata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12803581531108411574</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://2.bp.blogspot.com/_n_0WB6ohfsc/SXFCmyxXa1I/AAAAAAAABA4/HWvYy4E_t1Q/S220/IMG_0073smallCM.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-649lwvGD36c/Tn3mZu1jI3I/AAAAAAAACx4/csz2eNdaNZk/s72-c/PleaseKillMe.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36616367.post-1154373181603888034</id><published>2011-09-18T11:43:00.002+01:00</published><updated>2011-09-18T20:48:47.607+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Abardinanços'/><title type='text'>Férias (V) – Surfismo</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;;"&gt;Nas praias das minhas férias, processionários nas dunas, as pranchas a tiracolo ou amparadas pelo braço, vão os surfistas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;;"&gt;O surfismo é uma religião que nasceu nos EUA em meados do século XX e se estabeleceu nas duas últimas décadas do mesmo século na orla marítima portuguesa e noutras zonas costeiras da Europa.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;;"&gt;Os mais distraídos poderiam pensar, cingindo-se às aparências, que o surfista pratica um desporto, o surfe (que é como aquela coisa se escreve em português). Nada de mais míope. O surfista adere a um credo, com os seus ritos, os seus sacramentos e as suas hieraquias, que lhe orienta o modo como veste, o modo como fala, o modo como pensa e até o modo como vive. Na esplanada do café, em férias, dificilmente topamos ao nosso lado o andebolista amador ou o amante da maratona. Fora do recinto ou da pista, despido o equipamento, tornam-se pessoas como as outras, misturando-se na multidão. Ao contrário, os surfistas da vizinhança não nos escaparão certamente, pela carinha e pelos tiques. E então se abrirem a boca para falar, nem se fala.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;;"&gt;Poder-se-ia até estabelecer um paralelo entre a religião surfista e a sua homófona sufista, a versão mística do islamismo. Os estudiosos do sufismo definem um dos seus objectivos como o afastamento de tudo menos de Deus. O surfismo respira a mesma costela extática, levando ao afastamento de tudo o que não leve à boa onda. O sufista manifesta o seu transe rodopiando sobre si próprio, como se vê nos derviches. O surfista fá-lo bamboleando o rabo em cima de uma tábua de espuma de poliuretano.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-jwl_3Sp6maE/TnXLDeJ0NeI/AAAAAAAACxs/AsOFBtKmmhY/s1600/surf+godzilla.png" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" src="http://3.bp.blogspot.com/-jwl_3Sp6maE/TnXLDeJ0NeI/AAAAAAAACxs/AsOFBtKmmhY/s320/surf+godzilla.png" width="223" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-5e-dfGPZ9XY/TnXLDoKT2QI/AAAAAAAACxw/8PujKtx-J20/s1600/surf+pray.jpg" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;;"&gt;O rito surfista começa na praia, acartando as pranchas do carro para o areal. Estas são manufacturadas por uns tipos chamados “shapers” utilizando espuma chamada “foam” e colocando-se para estabilidade umas alhetas que se chamam “fins”. Chegados ao destino, enceram a tábua (que se chama “board”) com uma cera (que se chama “wax”) . Trazem para lanchar uns pães chamados “breads” nuns sacos chamados “bags” que acompanham com umas cervejas chamadas “beers”... Bem, esta última frase já será exagero meu, mas tal como o latim se tornou a língua do catolicismo, o inglês é mesmo a do surfismo, presumivelmente para dar a pinta cosmopolita que pode sempre fazer falta a quem não a tem.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;;"&gt;Durante o enceramento da prancha, começa-se a distinguir a hierarquia. O surfista experiente esquece-se sempre da cera, inquirindo diletantemente junto dos demais: “tens wax?”. Normalmente há sempre um surfista mais maçarico, que conseguiu cravar aos pais dinheiro para a parafernália toda, que se apressa a ceder a sua ao graduado. Este esquema começa a funcionar pior à medida que os diversos surfistas da praia vão ganhando experiência e logo começando a fazer valer os seus direitos, esquecendo também a sua “wax”, o que pode provocar grandes romarias de surfistas desencerados a rondar-se uns aos outros em demanda da cerúlea substâcia.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;;"&gt;Preparada a prancha, o surfista coloca os paramentos. Estes consistem num fato de material borrachento, negro nas pernas e na maior parte do corpo. O fato veste-se, sobretudo nas pernas, com a mesma dificuldade aparente com que um senegalês colocaria um preservativo de dimensões inglesas. Cada centímetro de coxa é vencido aos sacões, os pelos arrepelados, com um esgar de dor na face. Não raras vezes, sobretudo no despir, precisam da ajuda dos companheiros. Colocada finalmente a vestimenta, fecham o fecho-éclair das costas uns aos outros como senhoras em dia de baile.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;;"&gt;Esta volúpia em meter um revestimento de borracha preta quando podem ferver quarenta graus à sombra parecerá um pouco “sado-maso”, mas não. O fato térmico tem real utilidade porque a principal actividade do surfista é estar parado dentro de água. Com efeito, o surfista, entrado no oceano, nada de bruços até à zona onde as vagas iniciam o seu encruamento e aguarda, deitado sobre a prancha ou a cavalo nela, esperando a onda ideal como se espera um Godot dos mares. Na praia dos Aivados, onde testemunhei os factos que aqui narro, é ver ao longe a linha que se forma de cabecinhas flutuantes, subindo e descendo com a ondulação durante horas. De vez em quando, lá há um audaz que se afoita a empoleirar numa onda mais vincada para logo se baldar da tábua abaixo uns metros mais à frente, quando não imediatamente. Poderá surpreender, mas tal parece ser satisfatório. Ao regressar a terra, a prancha debaixo do braço, ouviremos o surfista ensopado e sorridente a dizer ao confrade que vai entrar:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;;"&gt;- Hoje tão muito boas. Consegui fazer duas ondas, “man”!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;;"&gt;Estranho porque num jogo de futebol os comentadores comentarão, sobre um jogador que só tocou duas vezes na bola durante hora e meia, que “passou completamente ao lado do jogo”. Ao invés, no surfismo, duas ondas manhosas em noventa minutos e é a glória total e absoluta.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-jwl_3Sp6maE/TnXLDeJ0NeI/AAAAAAAACxs/AsOFBtKmmhY/s1600/surf+godzilla.png" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-5e-dfGPZ9XY/TnXLDoKT2QI/AAAAAAAACxw/8PujKtx-J20/s1600/surf+pray.jpg" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://3.bp.blogspot.com/-5e-dfGPZ9XY/TnXLDoKT2QI/AAAAAAAACxw/8PujKtx-J20/s1600/surf+pray.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;;"&gt;Fora de água, em ambiente urbano, o surfista arrasta os pés e socializa quando encontra outros que tal. Os surfistas cumprimentam-se com um aperto de mão especial, de braço erguido, batendo as palmas com força. Como concebem com dificuldade que o mundo não seja todo composto por surfistas, tendem a alargar esse cumprimento brejeiro ao resto da população, fazendo alguma figura de urso aqui e ali, baixando a pata desengonçadamente quando alguém lhes estica um mais normal passou-bem.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;;"&gt;Tal como a das beatas que se ajuntam no adro, a conversa típica dos surfistas cobre uma grande amplitude de temas. Versará possivelmente o surfe, mas em alternativa também o surfe, podendo ainda acontecer por vezes que se fale de surfe. Para os leigos que os ouvem, a discussão tenderá a parecer de mentecaptos, mas isso deve-se apenas às trevas em que vivem esses leigos, ignorantes que são da sapiência que se esconde por trás daquele discurso hermético de ladaínha.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;;"&gt;Uma entidade mítica muito referida, provavelmente deus maior do panteão surfista, chama-se “swell”. O “swell” manifesta-se intermitentemente (nem sempre “está”) mas quando “está” vem sempre “grande” ou, mais frequentemente, “ganda”:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;;"&gt;- Tive na praia das caracoletas e tava um “ganda swell”, “man”!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;;"&gt;O entusiasmo reverente com que é mencionado contrasta com o desapontamento evidente nas caras dos surfistas quando, chegados à praia das caracoletas após uma penitência de quinze quilómetros de condução, guiando de pescoço a quarenta e cinco graus por causa da prancha entalada entre o vidro de trás do carro e o pára-brisas, verificam que o grande “swell” afinal não “está”. A ausência de “swell” equivale a uma deserção do mundo por Deus, uma vez que impede a prática. A esta praga do Egipto surfista dá-se o nome de mar “flat”. Que suponho que queira significar plano. “Probably”.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;;"&gt;Outros entes recorrentes, provavelmente de menor patente, são os “tubos”. Os “tubos” podem aparecer – ou não – quando o “swell está”. Pelo que entendo, são uma espécie de anjos que acompanham a divindade. A prova que os tubos têm uma importância secundária reside no facto de o seu nome ser português, idioma obviamente pouco fresco – perdão – pouco “cool”. A especificidade teológica dos tubos vem de que não só “estão”, como se “fazem” (mas só a partir de um certo diâmetro; dizem os surfistas que “fiz um ganda tubo”, nunca um “mero tubo” ou um “pequeno tubo”).&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;;"&gt;Se o comportamento do surfista seco é algo gregário, na água torna-se agressivo, podendo chegar a perigoso. Infestam largos troços de praia aparentemente sem compreender que o bico de uma prancha espetado num crânio humano pode causar perturbações graves nos sinais vitais. Ziguezagueiam no limite entre surfistas caídos e banhistas inocentes com a atitude impúdica de Arnaud Amaury, legado do papa na expedição de massacre dos cátaros em 1209: “Matem-nos a todos. Deus reconhecerá os seus”. Claro que os não-surfistas acabam por se afastar, porque não são doidos. O resultado final é um usocapião dos surfistas sobre uma tranche de metade da área de banhos, que passa a ser a tradicional “zona dos surfistas”. Que remédio!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;;"&gt;A religião surfista reclama para si grandes preocupações ecologistas, com o pretexto de “conviver com a natureza” ou outra balela do género. Na prática, a ecologia termina inúmeras vezes onde começa a falta de saco, nomeadamente sacos de plástico para levar da praia os grandes amontoados de lixo que sobram após a partida dos surfistas, constituídos por latas de cerveja e detritos orgânicos. Felizmente existem por vezes alguns sacristãos involutários que, desgostados com a nojeira, recolhem e levam até ao contentor os vestígios da vocação verde desses surfistas mais descuidados.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;;"&gt;Nesta onda pretensamente ecológica surgem ainda os temores dramáticos e dramatizados com a “destruição” de uma onda, que é a única causa político-social que parece conseguir agregar os surfistas. Entende-se porquê: a destruição das ondas corresponde ao que nas outras religiões significa a pilhagem e incêndio de templos.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;;"&gt;Só que qualquer obra costeira a menos de quinze milhas de uma praia ocupada por surfistas, seja um castelo de areia ou um terminal petroquímico, é suspeita de poder destruir “a melhor onda da Europa”. Toda a onda em risco se torna invariavelmente “a melhor”, e logo “da Europa”! Pode ser na Madeira à segunda, em Carcavelos à terça, na Ericeira à quarta e na banheira do banho à quinta, mas nunca perde o adjectivo. Para inferir o risco de destruição, os surfistas não utilizam estudos científicos, modelações hidrodinâmicas ou outras minudências do género. Sabem de saber seguro que a onda desaparecerá “porque conhecem muito bem o mar”. Provavelmente absorvem as equações de Navier-Stokes por osmose, durante a hora e meia diária em que estão de molho à espera da onda possível.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-9zegzvx_EWM/TnXLEOMTI2I/AAAAAAAACx0/TKUZrRfgwEU/s1600/surf+tsunami.png" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" src="http://2.bp.blogspot.com/-9zegzvx_EWM/TnXLEOMTI2I/AAAAAAAACx0/TKUZrRfgwEU/s320/surf+tsunami.png" width="232" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;;"&gt;Para quem os vê ao longe, caídos no charco, esta preocupação não faz sentido. A maior parte dos surfistas não se aguenta com ondas medianas, quanto mais com a “melhor da Europa”. Com as pequeninas é que eles se deviam preocupar. Glosando o antigo provérbio que Gil Vicente retratou na Farsa de Inês Pereira, “mais quero uma ondinha que me carregue, do que vagalhão que me derrube”.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36616367-1154373181603888034?l=mataspeak.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mataspeak.blogspot.com/feeds/1154373181603888034/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36616367&amp;postID=1154373181603888034' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36616367/posts/default/1154373181603888034'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36616367/posts/default/1154373181603888034'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mataspeak.blogspot.com/2011/09/ferias-v-surfismo.html' title='Férias (V) – Surfismo'/><author><name>CMata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12803581531108411574</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://2.bp.blogspot.com/_n_0WB6ohfsc/SXFCmyxXa1I/AAAAAAAABA4/HWvYy4E_t1Q/S220/IMG_0073smallCM.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-jwl_3Sp6maE/TnXLDeJ0NeI/AAAAAAAACxs/AsOFBtKmmhY/s72-c/surf+godzilla.png' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36616367.post-2812506169357332225</id><published>2011-09-04T23:00:00.006+01:00</published><updated>2011-09-06T00:43:57.577+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Constatações'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Meditações'/><title type='text'>Férias (IV) – Primeira leitura</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Vou de férias com uma mala de livros. Não os leio todos. Já a banhos, vou ao monte e decido a próxima leitura em função da disposição do momento.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Normalmente acabo por alternar uma correnteza de livros não muito pesados, nem muito espessos. Este ano, fiquei-me por três apenas, mas dois mais para o calhamaço. O outro, o primeiro, já tinha ido na mala nos dois verões anteriores e não saíra dela. Achei injusto dar-lhe mais uma nega e acabei por pegar-lhe, apesar de quase sem vontade. Era o “Ensaio sobre a cegueira”, de José Saramago.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Só tinha lido antes dois livros de Saramago e não ficara deslumbrado. O “Memorial do convento”, uma história original e interessante, tinha trechos mesmo muito bem escritos, por exemplo a pancadaria entre aleijados logo ao início, mas outros que eram longas e chatas travessias do deserto. Do “Levantado do chão” recordo um escrito sectário e de uma dor de corno classista, com exemplo nas crianças filhas dos latifundiários, essencialmente más, a trepidar de gozo com as judiarias que faziam aos trabalhadores rurais.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; font-family: Verdana,sans-serif; text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-M8IJ_l5BHZc/TmP048MFSmI/AAAAAAAACxo/fkkDv9LMIXY/s1600/Ensaio+Sobre+a+Cegueira.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://3.bp.blogspot.com/-M8IJ_l5BHZc/TmP048MFSmI/AAAAAAAACxo/fkkDv9LMIXY/s1600/Ensaio+Sobre+a+Cegueira.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Já depois destas leituras veio o Nobel e, como muitos portugueses, senti aquele assomo de orgulho nacionalista algo idiota, como se a andorinha de um prémio trouxesse a primavera de um país mais culto, menos vedor do Big Brother e leitor da Nova Gente. Foi por essas alturas que comprei o meu exemplar do “Ensaio da Cegueira”, que acabou por ficar anos à minha espera. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Não sei dizer porque esperou tanto. Muitos dos livros que compro estão anos aguardando a sua hora. Neste caso, talvez me tenham desgostado o pedantismo pseudo-intelectual que se criou à volta do Nobel Saramago e a construção pelos média da personagem patriarcal e catedrática, remetendo periodicamente novos volumes desde a sua torre de Lanzarote para uma nação ingrata e algo bárbara que não o merecia e arrotando a sua sentença em &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: small; line-height: 115%;"&gt;entrevistas de jornal ilustradas por fotografias esfíngicas iluminadas por uma luz lateral. Talvez sentisse&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt; uma certa injustiça de o Nobel não ter ido para outros escritores que cá pra mim mereciam mais distinção, como Lobo Antunes ou Cardoso Pires. Talvez porque tivesse algumas dúvidas que o Saramago que o “establishment” idolatrava existisse, de asséptico que era, limpo que tinha sido do director Saramago que saneara jornalistas do DN por delito de opinião. Talvez me faltasse saco para o Saramago que motivava a polémica e depois se enfadava com ela.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Mas se há algo que as páginas me ensinaram foi que os livros não têm culpa de quem os escreve. E eu nem conhecia o senhor, só conhecia o produto. Por isso, dia um de Agosto, meti o dito ensaio no saco da praia.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;A ideia de partida é brilhante: uma epidemia de cegueira, altamente contagiosa, afecta a humanidade. As autoridades em pânico começam por confinar os cegos a um antigo manicómio, mas rapidamente a doença atinge toda a humanidade. Tanto no espaço fechado do manicómio como, mais tarde, nas ruas da cidade, o livro descreve-nos um mundo em que a cegueira reduziu a humanidade à sua componente mais brutal e animalesca. Apenas um personagem escapa milagrosamente à maleita e atravessa o livro com olhos de ver.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Ao terminar a leitura, tinha uma certa vontade de dar um tiro na cabeça. A narração não poupa na maldade, nem na escatologia. Mas bem escrito. Apesar da fantasia, há plausibilidade. O estilo está mais personalizado que os dois anteriores que li. Aqui e ali ainda aflora o sectário de “Levantado do chão”, acolá aparece por vezes um outro momento de um gosto duvidoso. Mas tudo somado é uma boa obra: não sendo um dos livros da minha vida, deixou-me pelo menos a vontade de ler mais Saramago.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; font-family: Verdana,sans-serif; text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-uoYK38hCbFU/TmP0s80AJCI/AAAAAAAACxk/uTXXiZRLKkc/s1600/stock-exchange.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="220" src="http://4.bp.blogspot.com/-uoYK38hCbFU/TmP0s80AJCI/AAAAAAAACxk/uTXXiZRLKkc/s320/stock-exchange.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;A parábola que nos conta Saramago é fundamentalmente pessimista sobre a essência da natureza humana: regressado ao estado de natureza, o homem não é um bom selvagem mas um lobo em guerra com os outros lobos. No entanto – e este é o lado positivo – existe uma “visão” que lhe permite evoluir desse estado e sem a qual ele regride. No livro essa visão é física, a dos olhos, mas claramente representa outras formas de visão como a sabedoria, a inteligência, a cultura, a ética, como quisermos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Assim compreendido, “Ensaio sobre a cegueira” torna-se um bom manual para percebermos os tempos que correm, de Merkels e Murdochs, de “Tea Partys” e verdadeiros finlandeses, de lideranças fracas e influências fortes, em que a nossa sociedade parece ter deixado de ver o que há anos teria saltado à vista.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;E se diferença existe, está em que hoje o problema não é de cegueira mas de falta de vista. O cego tem pelo menos a vantagem da consciência da sua condição. Aos nossos tempos apoquenta a falta de vista, uma miopia extrema, que nos devolve uma imagem distorcida, que tomamos irreflectidamente como realidade.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Times,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; font-size: 11pt; line-height: 115%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36616367-2812506169357332225?l=mataspeak.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mataspeak.blogspot.com/feeds/2812506169357332225/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36616367&amp;postID=2812506169357332225' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36616367/posts/default/2812506169357332225'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36616367/posts/default/2812506169357332225'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mataspeak.blogspot.com/2011/09/ferias-iv-primeira-leitura_04.html' title='Férias (IV) – Primeira leitura'/><author><name>CMata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12803581531108411574</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://2.bp.blogspot.com/_n_0WB6ohfsc/SXFCmyxXa1I/AAAAAAAABA4/HWvYy4E_t1Q/S220/IMG_0073smallCM.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-M8IJ_l5BHZc/TmP048MFSmI/AAAAAAAACxo/fkkDv9LMIXY/s72-c/Ensaio+Sobre+a+Cegueira.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36616367.post-8017714314991357283</id><published>2011-09-03T19:29:00.000+01:00</published><updated>2011-09-03T19:29:20.016+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Exposição fotográfica'/><title type='text'>Férias (III) - O desvio</title><content type='html'>Este ano, o caminho usual para os Aivados estava em obras do tipo Santa Engrácia e o trânsito era desviado por uma estradinha que atravessava um bonito trecho de campo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-3xZBwtnVrdM/TmJxwnESuPI/AAAAAAAACw8/AM2zLEUp4C8/s1600/arco+iris.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" src="http://2.bp.blogspot.com/-3xZBwtnVrdM/TmJxwnESuPI/AAAAAAAACw8/AM2zLEUp4C8/s320/arco+iris.jpg" width="213" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-Nptz4CrwDvs/TmJxzO3BbiI/AAAAAAAACxA/j0th7-q14Tw/s1600/Casa.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="213" src="http://1.bp.blogspot.com/-Nptz4CrwDvs/TmJxzO3BbiI/AAAAAAAACxA/j0th7-q14Tw/s320/Casa.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-xguN4Hy_1qs/TmJx0nRh6iI/AAAAAAAACxE/Ps_z1KXZMHo/s1600/Porta.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="213" src="http://4.bp.blogspot.com/-xguN4Hy_1qs/TmJx0nRh6iI/AAAAAAAACxE/Ps_z1KXZMHo/s320/Porta.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-_135OmobHdM/TmJx1lKPDKI/AAAAAAAACxI/bqLWpknw5kM/s1600/Rolos+2.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="210" src="http://2.bp.blogspot.com/-_135OmobHdM/TmJx1lKPDKI/AAAAAAAACxI/bqLWpknw5kM/s320/Rolos+2.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-54706aVXerw/TmJx2nPHYdI/AAAAAAAACxM/1tNuyV2B_II/s1600/Sobreiros+1.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="213" src="http://4.bp.blogspot.com/-54706aVXerw/TmJx2nPHYdI/AAAAAAAACxM/1tNuyV2B_II/s320/Sobreiros+1.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-M1Jnq5g4T0Y/TmJx4Ig6GCI/AAAAAAAACxQ/ew6SKsztDN4/s1600/Sobreiros+3.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="213" src="http://4.bp.blogspot.com/-M1Jnq5g4T0Y/TmJx4Ig6GCI/AAAAAAAACxQ/ew6SKsztDN4/s320/Sobreiros+3.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-zwiAUOXxVUU/TmJx52Vk79I/AAAAAAAACxU/QRPRSSZscII/s1600/Sobreiros+4.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" src="http://1.bp.blogspot.com/-zwiAUOXxVUU/TmJx52Vk79I/AAAAAAAACxU/QRPRSSZscII/s320/Sobreiros+4.jpg" width="213" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-joIcYvmlEGY/TmJx7ORCEjI/AAAAAAAACxY/wkLxz0KuhCI/s1600/Sobreiros+5.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="213" src="http://1.bp.blogspot.com/-joIcYvmlEGY/TmJx7ORCEjI/AAAAAAAACxY/wkLxz0KuhCI/s320/Sobreiros+5.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36616367-8017714314991357283?l=mataspeak.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mataspeak.blogspot.com/feeds/8017714314991357283/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36616367&amp;postID=8017714314991357283' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36616367/posts/default/8017714314991357283'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36616367/posts/default/8017714314991357283'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mataspeak.blogspot.com/2011/09/ferias-iii-o-desvio.html' title='Férias (III) - O desvio'/><author><name>CMata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12803581531108411574</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://2.bp.blogspot.com/_n_0WB6ohfsc/SXFCmyxXa1I/AAAAAAAABA4/HWvYy4E_t1Q/S220/IMG_0073smallCM.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-3xZBwtnVrdM/TmJxwnESuPI/AAAAAAAACw8/AM2zLEUp4C8/s72-c/arco+iris.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36616367.post-6042613074852355139</id><published>2011-09-03T17:47:00.004+01:00</published><updated>2011-09-04T00:28:31.970+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Constatações'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Indignações'/><title type='text'>Férias (II) - London not calling</title><content type='html'>&lt;div align="right" class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: right;"&gt;&amp;nbsp;&lt;span lang="EN-US" style="font-size: 9pt; line-height: 115%;"&gt;What a relief!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right" class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: right;"&gt;&lt;span lang="EN-US" style="font-size: 9pt; line-height: 115%;"&gt;Feel like a soldier,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right" class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: right;"&gt;&lt;span lang="EN-US" style="font-size: 9pt; line-height: 115%;"&gt;Look like a thief!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right" class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right" class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: right;"&gt;&lt;span lang="EN-US" style="font-size: 9pt; line-height: 115%;"&gt;The Clash, in “Jimmy Jazz”&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif;"&gt;No meu arranque de férias, entre dentadas em fatias do pão fatiado alentejano, fofo e de travo ázimo, e o café que espirrava perturbado de uma máquina da Delta, inovação do ano do meu senhorio, fui sabendo pela leitura matinal do jornal que Londres estava a ferro e fogo ou outro dramalhão parecido. Nas fotos, um nevoeiro avermelhado envolvia silhuetas de prédios em chamas, já esventrados, as janelas uns quadrados brancos de luz sinistra. Ou então a silhueta negra dos polícias de choque, a metros de encapuçados, diante de lojas com as vitrines estilhaçadas. A faixa de Gaza em Clapham Junction.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif;"&gt;“Finalmente começou a revolução”, suspirei entre goles no primeiro dia. Depois fui quotidianamente lendo mais e, apesar dos esforços dos “jornalistas” em escrever uma ode épica aos revoltosos desagradados com o desemprego e das entrevistas a soció”logos” explicando e desculpando uma juventude destruturada, desapontei-me. Aquilo não tinha pinta &amp;nbsp;revolucionária. Pelo contrário: foi o maior frete possível feito aos Camerons, às Merkels e aos Petit Nicolas deste mundo. Foi “status quo” no seu mais forte.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-UxDeQhmMT2U/TmJYdoAG_VI/AAAAAAAACwo/_hm8Bv7Vdi8/s1600/London+Riots+1.jpg" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="263" src="http://1.bp.blogspot.com/-UxDeQhmMT2U/TmJYdoAG_VI/AAAAAAAACwo/_hm8Bv7Vdi8/s400/London+Riots+1.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif;"&gt;Voltemos uns anos atrás...&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif;"&gt;Na Inglaterra do século XIX, a delimitação de terrenos e a mecanização da agricultura criaram uma massa de trabalhadores rurais miseráveis que alimentou as necessidades de mão-de-obra da indústria nascente, através do “pesadelo voraz do trabalho industrial desregulado, mal pago e em condições escravas”, para citar Grayling.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif;"&gt;Em 1830, uma rebelião surgiu no sul entre esse campesinato desasado. Um manifesto publicado no Sussex interrogava: “Não temos razão em queixar-nos de há tanto tempo ser obrigados a ir à labuta diária só com batatas nas sacolas e tendo como única bebida para matar a nossa sede a fria fonte; e ao retirar-nos para os nossos casebres ser recebidos pelo magros e meio-esfomeados filhos dos nossos corpos gastos pelo trabalho?” Os rebeldes controlaram totalmente algumas zonas, como Hampshire, atacando todas as quintas que tivessem debulhadoras, vistas como causa da sua condição, e exigindo contribuições para a causa “na casa de cada cavalheiro”.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif;"&gt;A revolta foi contida à força. Nove cabecilhas foram enforcados, dependurados à vista do público. Centenas foram presos ou deportados. Um relatório da prisão de Winchester contava que “mulheres, irmãs, mães e filhos esperam diariamente à entrada, e o governador da prisão informou-me que as cenas que tem que testemunhar à hora do fecho das portas são de partir o coração”. Pois deviam ser, coitadinho do governador, com a boa consciência maçada pelas lágrimas dos andrajosos.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif;"&gt;O mesmo relatório continuava, sobre a exibição dos cadáveres dos sentenciados: “Olhei para o pátio dos condenados e vi muitos deles chorando amargamente, alguns enterrando a cara nas roupas esfarrapadas, outros agitando as mãos convulsivamente e outros encostando-se para não cair às paredes do pátio e incapazes de olhar para cima.”&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif;"&gt;Fim de “flash-back”.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-wSNn0WfNJTY/TmJYklz_xuI/AAAAAAAACww/23Q5KEjeZng/s1600/hampshire+1.jpg" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://3.bp.blogspot.com/-wSNn0WfNJTY/TmJYklz_xuI/AAAAAAAACww/23Q5KEjeZng/s1600/hampshire+1.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif;"&gt;Aquilo em que os camponeses ingleses acima descritos estiveram envolvidos merece o nome de revolta: pessoas a quem o sistema político e económico não dava qualquer hipótese de dignamente proverem a si e aos seus revoltaram-se e atacaram tanto aquilo que julgavam (e até era) a causa da sua desdita como o lado poderoso da sociedade, os “cavalheiros”. O movimento supunha riscos enormes, como se viu pelas dramáticas consequências que sofreram.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif;"&gt;Provavelmente a sua acção foi quixotesca e sem esperança. Sabemos hoje, vendo o curso da História, que o mundo não voltaria nunca ao tempo anterior às debulhadoras. Mas este detalhe não retira utilidade histórica ao que fizeram.&amp;nbsp; A legítima revolta é um dos motores de mudança da sociedade. Ao criar risco para o poder, motiva a reforma, cuja ausência pode provocar a revolução. Por isso, estes camponeses são figuras da história das liberdades que o Ocidente construiu e que neste momento não gozam, infelizmente, da melhor das saúdes. Tanto são que retirei a informação acima das páginas 175 e 176 de uma história das liberdades e direitos da autoria de um professor da Universidade de Londres que escreve frequentemente para o Economist e para o Financial Times, um homem mais na tradição “liberal” inglesa do que propriamente na daquilo que tradicionalmente chamamos “esquerda”. O mundo que veio depois deles não era o mesmo que dantes, mas era melhor que o do durante, em parte graças a eles.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-XakutMwOveM/TmJYhO3_Q4I/AAAAAAAACws/hCC0uVcRp3k/s1600/London-Riots+4.jpg" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="280" src="http://1.bp.blogspot.com/-XakutMwOveM/TmJYhO3_Q4I/AAAAAAAACws/hCC0uVcRp3k/s400/London-Riots+4.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif;"&gt;Ora o regabofe londrino nada teve a ver com isto. A bandidagem em questão – porque disso se trata – não atingiu nem os símbolos do poder, nem as classes que dele beneficiam. Fraca com os fortes e forte com os fracos, preferiu atacar gratuitamente pessoas mais desmunidas mas mais a jeito, muitas vezes com um comportamento racista, e adquirir telões da Sony, sapatilhas da Nike e “lingerie” da Victoria’s Secret a preços de saldo: zero libras.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif;"&gt;Espero não estar enganado ao dizer que nenhuma história das liberdades escrita em 2200 vai dedicar uma linha a estes imbecis que atacaram lojinhas de emigrantes e roubaram bens de uma ostentação medíocre.&amp;nbsp; A menos que seja para explicar que permitiram uma excelente justificação para o reforço do securitarismo e o isolamento de quem eventualmente quisesse revoltar-se porque tinha razões para isso.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif;"&gt;Comparar o gamanço desorganizado de iPhones com a rebelião de quem tinha fome ou de quem quer mudar alguma coisa na sua falta de perspectivas para além de estúpido é falta de respeito. Voltando ao verso dos Clash referido em epígrafe, o rebelde até pode ter ar de ladrão mas tem que sentir-se soldado, servindo uma causa. &lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-ZVYSEKeta5U/TmJZRBlDgWI/AAAAAAAACw0/zfuSkphs6ks/s1600/London-riots+2.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-PtZBaP-JTok/TmJZRYmo_2I/AAAAAAAACw4/TAzsclKKWXY/s1600/London-riots+3.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="225" src="http://1.bp.blogspot.com/-PtZBaP-JTok/TmJZRYmo_2I/AAAAAAAACw4/TAzsclKKWXY/s400/London-riots+3.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36616367-6042613074852355139?l=mataspeak.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mataspeak.blogspot.com/feeds/6042613074852355139/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36616367&amp;postID=6042613074852355139' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36616367/posts/default/6042613074852355139'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36616367/posts/default/6042613074852355139'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mataspeak.blogspot.com/2011/09/ferias-ii-london-not-calling.html' title='Férias (II) - London not calling'/><author><name>CMata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12803581531108411574</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://2.bp.blogspot.com/_n_0WB6ohfsc/SXFCmyxXa1I/AAAAAAAABA4/HWvYy4E_t1Q/S220/IMG_0073smallCM.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-UxDeQhmMT2U/TmJYdoAG_VI/AAAAAAAACwo/_hm8Bv7Vdi8/s72-c/London+Riots+1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36616367.post-9148544495065786229</id><published>2011-08-23T00:31:00.003+01:00</published><updated>2011-08-23T19:34:58.201+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Constatações'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Meditações'/><title type='text'>Férias (I) - Per doar</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-BF4V7EbLqLM/TlLmXjlh-0I/AAAAAAAACwc/TcDadfqBeQo/s1600/quiet3x.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Conta São Mateus que Pedro perguntou a Jesus quantas vezes deveria perdoar a quem o ofendesse, se sete vezes chegariam. Ao que o Cristo respondeu que não sete mas setenta vezes sete.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Esta resposta lembra outra, dois mil anos depois, quando perguntaram ao treinador Malcolm Allison quantos golos o Sporting devia marcar na primeira mão de uma eliminatória europeia para garantir a passagem à fase seguinte. Allison retorquiu que vinte e cinco.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Existe geminação entre estas duas tiradas. Ambas possuem um tom de “toma e embrulha”, ambas revelam espírito – embora o do primeiro seja santo – e ambas usam números absurdos para explicar o inumerável: uma eliminatória nunca está garantida e não há limite ao perdão que não o senso de quem perdoa.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Desde que me lembro, sempre tive em boa conta quem conte com boa capacidade de perdoar. Porquê, não sei dizer: talvez porque algumas vezes na minha vida tive a sorte de ser perdoado sem o merecer, talvez porque tenha aproveitado essas oportunidades que a não existirem não poderiam ter sido aproveitadas, talvez porque tenha visto perdoar e só depois percebido porquê. Em criança, andei cinco anos na catequese com bom aproveitamento, como na altura se dizia. Não encontrei Deus mas encontrei o pai do filho pródigo e esse não o esqueci. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;O perdão é um conceito forte e até revolucionário, que mudou a natureza do universo. Na antiguidade greco-romana, mesmo os deuses estavam sujeitos ao “diktat” dessa misteriosa entidade chamada Destino, que zelava pelo respeito por uma espécie de lei de Talião cósmica: o mal feito por alguém, mesmo que involuntário, tinha que ser compensado pelo sofrimento do próprio ou de próximos. As tragédias gregas e os seus sucedâneos seiscentistas estão cheios disto: Édipo que se cega para compensar ter morto pai e seduzido mãe por engano, Orestes que enlouquece quando a sua paixão Hermione se mata após ambos terem tramado Pirro, e Clitemnestra que trata do sarampo ao marido Agamemnon por este ter sacrificado a filha de ambos, Ifigénia, por ordem dos deuses, durante a guerra de Tróia. O perdão não podia existir porque os homens estavam manietados, por muito heróis que fossem. Ainda hoje andam para aí uns equilíbrios “kármicos” que rondam à volta do mesmo pote.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-MbjYZELKBu4/TlLmbpnDIcI/AAAAAAAACwg/5OeI52vrPT4/s1600/Jesus_sermon_on_the_mount.jpg" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320px" src="http://2.bp.blogspot.com/-MbjYZELKBu4/TlLmbpnDIcI/AAAAAAAACwg/5OeI52vrPT4/s320/Jesus_sermon_on_the_mount.jpg" width="279px" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;De repente, a contra-vapor, apareceu na Galileia um barbudo assim para o mal vestido e adicionou um grau de liberdade ao sistema: já não era obrigatória a desforra cósmica e o destino trágico. Podia-se perdoar ou não perdoar, como parecesse a cada um mais adequado. E ele recomendava que sim, o que representou um salto ético. Perdoar tornou-se um exercício de liberdade e de responsabilidade. Os homens deixaram de ser títeres nas mãos do destino e puderam responder pelos seus actos, o que incluia o modo como decidiam usar ou não da sua faculdade de perdoar. Esta tornou-se uma característica essencial do mais nobre que há na humanidade: o ser humano é o único animal que perdoa.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Perdoar não mostra fraqueza. Pelo contrário, é uma prerrogativa dos fortes, é uma marca de poder. Só o príncipe, que pode exercer o “fait du prince”, consegue ser “bon prince”, expressão que nós traduziríamos recorrendo ao conceito de magnanimidade, palavra onde o prefixo “magna” afirma grandeza. Se quisermos um exemplo, pensemos em Mandela, que com uma palavra podia incendiar a África do Sul mas que com uma convicção de perdão a salvou.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&amp;nbsp;Relembremos: o perdão não é obrigatório. Podemos não perdoar e a vida continua. O meu pai, um dos homens que conheci que mais e melhor perdoava, disse uma vez ou outra à minha mãe, imitando John Wayne em “Um homem tranquilo”:&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;- Escreve aí na agenda o nome de fulano. Agora risca por cima.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-BF4V7EbLqLM/TlLmXjlh-0I/AAAAAAAACwc/TcDadfqBeQo/s1600/quiet3x.jpg" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="239px" src="http://1.bp.blogspot.com/-BF4V7EbLqLM/TlLmXjlh-0I/AAAAAAAACwc/TcDadfqBeQo/s320/quiet3x.jpg" width="320px" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;E esquecia simplesmente. Não remoía, não ansiava. Fulano simplesmente desaparecia da memória, sem ressentimento e sem mossa, como que dissolvido numa tina de ácido sulfúrico. A seu modo, era um “quase-perdão”, discreto e longe das vistas.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Porque me veio agora esta conversa, em tempo de férias? Porque sim. Porque o velho Mata, que passava sempre pelo meu Agosto nem que fosse para almoçar com duzentos quilómetros em cada sentido, ainda tem umas histórias para contar a quem o quiser ouvir.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36616367-9148544495065786229?l=mataspeak.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mataspeak.blogspot.com/feeds/9148544495065786229/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36616367&amp;postID=9148544495065786229' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36616367/posts/default/9148544495065786229'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36616367/posts/default/9148544495065786229'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mataspeak.blogspot.com/2011/08/per-doar.html' title='Férias (I) - Per doar'/><author><name>CMata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12803581531108411574</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://2.bp.blogspot.com/_n_0WB6ohfsc/SXFCmyxXa1I/AAAAAAAABA4/HWvYy4E_t1Q/S220/IMG_0073smallCM.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-MbjYZELKBu4/TlLmbpnDIcI/AAAAAAAACwg/5OeI52vrPT4/s72-c/Jesus_sermon_on_the_mount.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36616367.post-4327278140715162576</id><published>2011-07-30T01:16:00.005+01:00</published><updated>2011-10-14T22:13:07.252+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Nostalgias'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Meditações'/><title type='text'>Amor e ferrovia</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif;"&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right" class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: right;"&gt;&lt;span lang="EN-US" style="font-size: 9pt;"&gt;It’s hard to tell&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right" class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: right;"&gt;&lt;span lang="EN-US" style="font-size: 9pt;"&gt;It´s hard to tell&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right" class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: right;"&gt;&lt;span lang="EN-US" style="font-size: 9pt;"&gt;When all your love’s in vain&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right" class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right" class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: right;"&gt;&lt;span lang="EN-US" style="font-size: 9pt;"&gt;In “Love in vain”, de Robert Johnson&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif;"&gt;Calhou calhar, numa das minhas deambulações pela zona antiquária do “youtube”, no magnífico “Love in Vain”, um blues de Robert Johnson interpretado pelos Rolling Stones, cujo vídeo encontrarão no final do texto.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif;"&gt;Robert Leroy Johnson nasceu em 1911 e levou uma vida obscura de músico errante pelo Arkansas e pelo delta do seu Mississipi natal, tocando nas esquinas por esmola e em clubes por trocos, sem se dar muito a conhecer, coleccionando amantes de ocasião. Gravou pouco e ainda em 78 rpm mas, quando foi reeditado no início dos anos sessenta, influenciou uma nova geração de músicos ingleses como Mick Jagger e Keith Richards, John Mayall ou Eric Clapton.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif;"&gt;Johnson morreu muito novo, com vinte e sete anos apenas, em circunstâncias nunca esclarecidas, aparentemente envenenado com estriquinina colocada numa garrafa de whisky por um marido ciumento. Existe também mistério à volta do seu enterro, podendo hoje ser visitadas três lápides diferentes que reclamam ter Johnson por baixo. A vida nebulosa, a morte trágica e a incerteza sobre onde repousa acabariam por criar a lenda: quando jovem, desejando ardentemente tornar-se um grande músico de “blues”, Johnson teria ido com a sua guitarra a um cruzamento de estradas à meia-noite, onde um homem enorme – na realidade o Diabo – lhe tomou a guitarra, afinou-a, tocou algumas músicas e devolveu-a, dando-lhe a mestria que ele almejava. Um Fausto guitarrista.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif;"&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-W9rysIMmGos/TjNQKVFtnMI/AAAAAAAACwA/bH2wkIJ-UVs/s1600/robert_johnson.gif" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="249" src="http://4.bp.blogspot.com/-W9rysIMmGos/TjNQKVFtnMI/AAAAAAAACwA/bH2wkIJ-UVs/s320/robert_johnson.gif" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif;"&gt;Talvez seja mesmo verdade, porque nesta interpretação dos Stones, que como se sabe tinham simpatia pelo Diabo, há algo que não é deste mundo. Neste “Love in vain”, Jagger, no auge da sua boca de sapo, serve-nos um “blues” de um azul profundo, uma tela de Klein sonora, com uma letra despretensiosa e clássica sobre o amor que não vinga e leva à separação.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif;"&gt;Conta-nos sobre um homem que acompanha à estação a mulher que o vai deixar, levando-lhe a mala; o trem chega, ele olha-a nos olhos e chora; quando o comboio parte, levando-a, ele vê duas luzes na traseira da carruagem, uma vermelha que representa o seu pensamento e uma azul que simboliza a sua tristeza. Só isto: simples, suave e bonito como a penugem de um pintaínho.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif;"&gt;Que isto se passe numa estação de combóios não será de estranhar. Por alguma razão que será essa sim de estranhar, o comboio, produto e símbolo da Revolução Industrial, amálgama de mecanismos estridentes e viscosos, objecto barulhento e poluidor, tornou-se símbolo romântico, tal como a azáfama dos cais das estações e o deslizar gémeo dos carris em direcção ao infinito.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif;"&gt;Daí foi cantado, pintado, filmado. Quando chegava, simbolizava a alegria do reencontro, a cara que surgia na porta da carruagem desfazendo a dúvida sobre o regresso, a correria entre estranhos para o abraço há muito ansiado. Mais forte no entanto quando partia: o separar do que não se devia apartar, o aproveitar de cada segundo até ao apito de largada, os olhares que se acompanhavam até não serem mais do que pontos distantes e memórias vivas.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif;"&gt;E isto não é teoria. Eu, que bati toda a Europa de comboio de mochila às costas, que dormi no chão dos corredores e nos bancos das salas de espera, que me deliciei horas a mirar o deslizar nervoso da paisagem pelos vidros da carruagem, também vivi as minhas tristezas de cais, os acenos de mão que pediam um regresso rápido ou que sabiam ser o final de um infinito momentâneo. Momentos ferroviários que mantenho em lugar privilegiado e de fácil acesso na minha memória, onde não dê trabalho sacá-los da prateleira e puxar-lhes o lustro de vez em quando.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif;"&gt;Recordo outro instante, esse apenas presenciado, numa estação algures longe onde esperava uma ligação. Ela, nos seus vinte e poucos, elegante, bonita, o cabelo moreno apanhado, encostada à composição à beira do cais, trocando os pés num nervoso cheio de graça, como se de dança, olhando pra cima para ele e mordendo ligeiramente os lábios para segurar o sorriso que uma lágrima malandra pretendia desfazer. Ele, pela mesma idade, a cara de fora da janela alta, o braço pendente, não conseguindo chegar com os dedos, tinha uma revista enrolada na mão, com a qual lhe fazia uma carícia na face, nos cabelos, olhando-a com uma serenidade que não mentia e que jurava voltar. E assim se quedaram, longos minutos, vivendo o momento enquanto não chegou o momento de a composição rugir o aviso de partida e se arrastar, pesada, nos primeiros sacões da viagem. &amp;nbsp;Os passos ondeando, a revista volteando, os dentes de pérola mordiscando lábios onde o sorriso mentia por baixo de uns olhos jurando verdade.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif;"&gt;Afinal, talvez o amor nem sempre seja em vão.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;iframe allowfullscreen="" frameborder="0" height="349" src="http://www.youtube.com/embed/FV6hqtD4rwc" width="425"&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36616367-4327278140715162576?l=mataspeak.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mataspeak.blogspot.com/feeds/4327278140715162576/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36616367&amp;postID=4327278140715162576' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36616367/posts/default/4327278140715162576'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36616367/posts/default/4327278140715162576'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mataspeak.blogspot.com/2011/07/amor-e-ferrovia.html' title='Amor e ferrovia'/><author><name>CMata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12803581531108411574</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://2.bp.blogspot.com/_n_0WB6ohfsc/SXFCmyxXa1I/AAAAAAAABA4/HWvYy4E_t1Q/S220/IMG_0073smallCM.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-W9rysIMmGos/TjNQKVFtnMI/AAAAAAAACwA/bH2wkIJ-UVs/s72-c/robert_johnson.gif' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36616367.post-5621062701075241540</id><published>2011-07-24T14:38:00.001+01:00</published><updated>2011-07-24T15:15:07.822+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Admirações'/><title type='text'>Os do “Maracanazo”</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-weight: normal;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right" class="MsoNormal" style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right" class="MsoNormal" style="text-align: right;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 8pt; font-weight: normal; line-height: 115%;"&gt;“Ce que je sais de plus sûr sur la morale des hommes, c'est au sport que je le dois, c'est au RUA que je l'ai appris”&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right" class="MsoNormal" style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right" class="MsoNormal" style="text-align: right;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 8pt; font-weight: normal; line-height: 115%;"&gt;Albert Camus&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right" class="MsoNormal" style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;;"&gt;Morei na Avenida do Uruguai, no bairro lisboeta com o nome infame de Benfica, de 1968 a 1990. Mas não será essa nostalgia que me fará estar hoje às oito da noite, poltronado em frente ao ecrã, a torcer pela República Oriental quando esta jogar a final da Copa América para o seu décimo-quinto título, ultrapassando assim em palmarés os colossos vizinhos Brasil e Argentina.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;;"&gt;Também não será por a considerar uma das melhores equipas da actualidade, a que mais bonito futebol praticou no último mundial, com um guarda-redes elástico, laterais que marram em frente, centrais para quem a bola é para estar fora da área e um meio-campo operário a servir dois genuínos craques no ataque, Forlan e Suarez. E um todo muito composto, que troca a bola, que mete o pé no choque, que recupera, um mimo de relojoaria ou não apelidassem o Uruguai de “Suiça da América”.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-xJIaTacK7S0/Tiwf70b05aI/AAAAAAAACv8/Z5noXpBDs9c/s1600/uruguai+1.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="234" src="http://3.bp.blogspot.com/-xJIaTacK7S0/Tiwf70b05aI/AAAAAAAACv8/Z5noXpBDs9c/s320/uruguai+1.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;;"&gt;Na verdade, o que mais me espanta no Uruguai está no modo como sempre se desembaraçou do peso das regras da estatística. Os países que ganharam o campeonato do mundo de futebol possuiam uma população de várias dezenas de milhões de habitantes. Com mais gente, resulta maior probabilidade de surgirem bons jogadores e logo melhores equipas. Explica-se assim, pela lei dos grandes números, a recorrência no topo de Itália e Alemanha, de Brasil e Argentina.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;;"&gt;No meio destes grandes, exceptua-se o Uruguai. Um país de três milhões de habitantes, mais de metade na macrocéfala Montevideu, ganhou jogos olímpicos, dois campeonatos do mundo, catorze campeonatos sul-americanos, entre demais palmarés com a camisola azul de céu.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;;"&gt;Nesta anomalia da lógica matemática, neste intervalo de esperança de que nem sempre o mais forte vence, enraiza a minha condição de fã da “celeste olímpica”.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;;"&gt;O ponto alto desta desfaçatez ocorreu no já longíquo “Maracanazo” de 1950, quando o Brasil perdeu a copa e as peneiras em casa, num Maracanã a arrebentar de duzentas e dez mil pessoas, contra o Uruguai capitaneado por Obdúlio Varela, “el Jefe Negro”, pela autoridade e pela cor da pele.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;;"&gt;Varela é um personagem de um futebol de outros tempos, mais feito de suor e hombridade do que de milhões e “glamour”. Quando o seu clube, o Peñarol, passou a colocar publicidade nas camisolas, Varela recusou-se a usá-la. “Antes, nós, os negros, éramos puxados por uma argola no nariz. Esse tempo já passou”, disse a propósito. Por isso o Peñarol entrava em campo com dez jogadores anunciantes e Varela com a sua velha camisola. Talvez por este desprendimento orgulhoso tenha morrido pobre, reformado da função pública, morando sempre na mesma casa e conduzindo um Ford velho, “a única coisa que o futebol me deu”, dizia.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;;"&gt;A final de 1950 estava feita para o Brasil, ao qual bastava o empate e que tinha goleado nos jogos anteriores a Espanha e a Suécia, contra as quais os uruguaios tinham penado. O Rio de Janeiro amanheceu coberto de faixas de “Brasil campeão”. O presidente da FIFA, Jules Rimet, preparara o discurso de felicitações em português. Tinham sido cunhadas medalhas de ouro com o nome de cada jogador brasileiro para entregar no fim aos inevitáveis ganhadores. A banda trazia ensaiada uma música intitulada “Brasil os vencedores”, composta especialmente para a ocasião.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;;"&gt;Na manhã do encontro, o diário “O mundo” trazia já na primeira página uma fotografia do escrete com a manchete “estes são os novos campeões mundiais”. Obdulio Varela comprou vários desses jornais, atapetou o chão do balneário com a fotografia dos adversários e convidou os colegas a urinar-lhes em cima. Depois deste momento de catarse escatológica, proferiu um discurso emocionado sobre a necessidade de desafiar as probabilidades dentro de campo e de ignorar o peso intimidante da torcida brasileira. Terminou com um "&lt;/span&gt;&lt;span lang="ES" style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;;"&gt;Muchachos, los de afuera son de palo. Que comience la función&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;;"&gt;". Entraram e ganharam dois a um com golos de Schiafino e Ghiggia. Celebraram com sanduíches e cerveja, que a vaquinha que fizeram não juntou dinheiro para mais.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-Hej0X_cs5lU/Tiwf7Rvp_-I/AAAAAAAACv4/aF3b2J5d6ss/s1600/Urug1950.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="179" src="http://3.bp.blogspot.com/-Hej0X_cs5lU/Tiwf7Rvp_-I/AAAAAAAACv4/aF3b2J5d6ss/s320/Urug1950.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;;"&gt;Quando se lêem estas histórias de um futebol de outras eras, de homens que não de vedetas, personalizado e romântico, entende-se a frase em epígrafe de Camus, ele próprio futebolista amador, guarda-redes do RUA, o Racing Universitaire Algérois, de que nunca deixou de ser sócio pagante.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;;"&gt;E este exemplo da República Oriental do Uruguai, desafiando a lógica fria dos números, anã agigantando-se entre gigantes, ciente de que os que de fora do campo mandam bocas são “de pau” e lá dentro é que as coisas se resolvem, pode bem servir-nos a nós, Portugal, &amp;nbsp;nos dias difíceis que vão correndo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36616367-5621062701075241540?l=mataspeak.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mataspeak.blogspot.com/feeds/5621062701075241540/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36616367&amp;postID=5621062701075241540' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36616367/posts/default/5621062701075241540'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36616367/posts/default/5621062701075241540'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mataspeak.blogspot.com/2011/07/os-do-maracanazo.html' title='Os do “Maracanazo”'/><author><name>CMata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12803581531108411574</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://2.bp.blogspot.com/_n_0WB6ohfsc/SXFCmyxXa1I/AAAAAAAABA4/HWvYy4E_t1Q/S220/IMG_0073smallCM.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-xJIaTacK7S0/Tiwf70b05aI/AAAAAAAACv8/Z5noXpBDs9c/s72-c/uruguai+1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36616367.post-3005810742848630149</id><published>2011-07-12T00:12:00.005+01:00</published><updated>2011-07-12T01:22:25.399+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Constatações'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Indignações'/><title type='text'>Ocean's fourteen</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal"&gt;Na semana que passou a Moody’s fez mais pelo discurso de esquerda em Portugal que dez mil arengas hirtas do Louçã ou do Fazenda no parlamento ou nos púlpitos televisivos.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;De repente, banqueiros, editorialistas dos diários económicos, políticos dos partidos mais à direita, líderes das patronais e administradores de empresas descobriram que os mercados de capitais não correspondiam àquelas entidades virginais e omniscientes que a teoria descreve lá para o terceiro ou quarto capítulo dos livros de “corporate finance”. Afinal, parece que a informação não é assim tão perfeita como mandam os cânones. Na volta, os agentes de mercado, mal orientados, podem cometer a irracionalidade de seguir as patacoadas publicadas pelas agências de “rating” e de caminho lixar-nos a vida.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Vai daí, toda aquela boa gente se empertigou em frente ao primeiro microfone disponível para zurzir nas agências, utilizando um vocabulário que há uma semana seria considerado perfeitamente irresponsável, desde o “arrogante” ao “deplorável”, desde o “incompetente” ao “superficial”, chegando mesmo ao “terrorista”, palavra que na última década ganhou no mundo do politicamente correcto o estatuto de pior dos insultos, correspondendo aproximadamente em sentido ao “és mau” dos jardins de infância. Até o nosso Presidente Cavaco desceu das alturas para vir a terreiro chamar às agências “ignorantes” e, supremo insulto, “norte-americanas”.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Concordo que mais vale tarde que nunca, que só os burros não mudam de opinião e essas banalidades do costume. Mas que dá uma certa vontade de rir, dá, mau grado o trágico do momento.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: center;"&gt;&amp;nbsp;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-R6NlM5DfSqU/ThuCpxkiwgI/AAAAAAAACvw/UfahsW1oHek/s1600/Obama+S%2526P.jpg" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="275" src="http://1.bp.blogspot.com/-R6NlM5DfSqU/ThuCpxkiwgI/AAAAAAAACvw/UfahsW1oHek/s400/Obama+S%2526P.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;Devo dizer que não fiquei particularmente surpreendido com o gesto da Moody’s. Já há tempos que venho comentando entre amigos e colegas que existe um padrão de comportamento das agências de “rating”que é peculiar (desigualdade no tratamento de realidades iguais, descida bruscas de vários níveis procurando a espectacularidade, “timings” que não podem ser coincidência, no nosso caso sistematicante mesmo antes de uma emissão de dívida pública). Qualquer explicação para esse padrão não consegue ser muito abonatória. Existem quatro possibilidades, por ordem crescente de maquiavelismo: pura incompetência, limpeza da trampa que fizeram em 2008, conflito de interesses e cabala montada contra o euro.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;A pura incompetência tem sido invocada, mas parece-me curta como explicação. É verdade que se falarmos com pessoas do meio, que conhecem estas agências, descobriremos que quem nelas trabalha é tipicamente gente de segunda escolha: os craques vão para a Goldman Sachs e para a JP Morgan fazer negócio, não para a Moody’s ou para a S&amp;amp;P mandar papos. E consta que os seus modelos matemáticos pesam pouco nas suas decisões, que tendem a ser tomadas a níveis mais elevados com base em opiniões sobre receios que sejam receosamente opinados pela opinião pública. Mas isto não chega para perceber a actuação da Moody’s e companhia: um incompetente tem geralmente um comportamento errático na asneira e estes senhores parecem saber o que andam a fazer.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;A tese da limpeza da trampa de 2008 parece razoável, mas soa demasiado piedosa. Segundo esta tese, as agências, depois de terem visto falir bancos e investimentos a quem tinham dado notações triplo-A com a mesma ligeireza com que a extinta Arthur Andersen credenciou os prodígios criativos das contas da Enron, teriam resvalado do oito para o oitenta, começando a ver riscos incontroláveis em tudo o que mexia. Comportar-se-iam como aqueles árbitros que após sancionar por engano um golo com a mão e em fora-de-jogo, vêem as imagens do seu erro ao intervalo e passam a segunda parte a perseguir a equipa marcadora. Pessoalmente, não acredito nesta hipótese. Se fosse verdade, não tolerariam como toleram a incerteza actual à volta do pagamento próximo da dívida pública americana e já lhe teriam arrochado com um bê qualquer coisa com “outlook” negativo.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-Ip_ngnJGQsw/ThuC_2M1HoI/AAAAAAAACv0/f8faT8B_TKQ/s1600/buffet.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="210" src="http://1.bp.blogspot.com/-Ip_ngnJGQsw/ThuC_2M1HoI/AAAAAAAACv0/f8faT8B_TKQ/s400/buffet.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;A do conflito de interesses é a minha favorita, de tão evidente que parece. As agências são propriedade de investidores. A Standard and Poors é detida pela Capital Ventures, um fundo de investimento do tamanho do fundo de resgate da União Europeia. Intriga-me que os arautos da regulação independente, que acham que os estados não são capazes de supervisionar nada (porque são suspeitos) e devem entregar o seu papel a autoridades impolutas, não se ergam aos berros quando agentes de um mercado tão importante como o financeiro são simultaneamente jogadores e árbitros! Seria admissível que a PT fosse a dona da Anacom? Ou a EDP da ERSE? Basta um “statement” impessoal da Moody’s e os seus proprietários podem comprar acções mais baratas, obrigações de melhor juro, moeda mais em conta. E o que espanta é que perante esta evidência a União Europeia hesite em regular estes senhores, pressionada pelos ingleses que querem manter o seu negócio de serviços financeiros na City.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;O conflito de interesses também explica bem a benevolência que têm na análise de investimentos americanos. As autoridades financeiras dos Estados Unidos garantiram à Moody’s, à S&amp;amp;P e à Fitch um exclusivo num gigantesco mercado de notação. Porque haveriam empresas privadas de zurzir o seu melhor cliente e o seu melhor mercado?&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;O conflito de interesses salta tão à vista que a quarta tese, a da cabala contra o euro, nem é necessária para explicar nada. Podemos pois dispensá-la, não porque não pareça, porque parecer parece. Quem escreve uma justificação como a da Moody’s para baixar o “rating” português, no momento em que o fez, está a pedir para levar com uma teoriazita da conspiração.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Como disse, não me admirei muito quando a Moody’s nos lixou. Fiquei humoradamente surpreendido com o tom bolchevique da indignação que por aí grassou à direita do espectro político. Agora o que me deixa realmente de boca aberta são aqueles que continuam a achar que nada se passa, que as agências se limitam ao seu angelical papel e que a culpa é todinha dos malandros dos países, dos malandros dos políticos, dos malandros dos gregos e dos portugueses que são tão diferentes deles que são sérios e trabalhadores. O que me espanta são os escolásticos do liberalismo que postos perante a evidência dos limites da sua teoria preferem desafivelar o cinto e expor-se a concluir que andaram enganados. Tal como dizia Cristo no Evangelho segundo São Mateus, não vêem a trave no próprio olho (e São Mateus não se importará que eu faça uma interpretação mais lata do seu versículo, que estes gajos justificam).&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-P5uKHG0q-Yg/ThuCigf68mI/AAAAAAAACvs/WzVwBWMp8Og/s1600/pirates.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="323" src="http://2.bp.blogspot.com/-P5uKHG0q-Yg/ThuCigf68mI/AAAAAAAACvs/WzVwBWMp8Og/s400/pirates.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;A União Europeia tem que entender que se quer sobreviver enquanto união de democracias tem que mandar uma porrada violentíssima nas agências de “rating”. Já não interessa a legitimidade da acção, neste momento é preciso algum sangue: regulá-las até ao tutano, proibi-las, extingui-las, processá-las, o que for pior. Porque quando as democracias são mais fracas que empresas privadas e se encolhem diante delas, as pessoas acabam por perceber que quem as governa não é quem elegeram mas quem se impôs aos eleitos. E nesse momento a revolta passa a justificar-se ou até, como recomendava Thomas Jefferson, a impor-se. A questão é pois política e não económica ou técnica. Faça-se, que até se vai descobrir que elas nem fazem falta.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;E aos ingleses, que vão ficar rosadamente chateados, explique-se-lhes que é mais ou menos como fez o Cromwell no seu tempo. Ele convenceu-se que cortar o gasganete ao rei Carlos I era a melhor maneira de acabar com a guerra civil, por isso defendeu o indefensável contra todos os prudentes argumentos para não o fazer. E cortou. E embora a guerra ainda durasse mais uns tempos, a Inglaterra não desapareceu por isso.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36616367-3005810742848630149?l=mataspeak.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mataspeak.blogspot.com/feeds/3005810742848630149/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36616367&amp;postID=3005810742848630149' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36616367/posts/default/3005810742848630149'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36616367/posts/default/3005810742848630149'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mataspeak.blogspot.com/2011/07/oceans-fourteen.html' title='Ocean&apos;s fourteen'/><author><name>CMata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12803581531108411574</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://2.bp.blogspot.com/_n_0WB6ohfsc/SXFCmyxXa1I/AAAAAAAABA4/HWvYy4E_t1Q/S220/IMG_0073smallCM.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-R6NlM5DfSqU/ThuCpxkiwgI/AAAAAAAACvw/UfahsW1oHek/s72-c/Obama+S%2526P.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36616367.post-8682895938891133714</id><published>2011-06-25T11:00:00.005+01:00</published><updated>2011-06-25T11:14:53.392+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Exposição fotográfica'/><title type='text'>Exposição fotográfica (XXXV)</title><content type='html'>Vila Nova da Barquinha, 17 de Junho&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/-MOckEbtjV-I/TgWz2bonOcI/AAAAAAAACvc/SkxJtEOeaaY/s1600/Rosa.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 267px; height: 400px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-MOckEbtjV-I/TgWz2bonOcI/AAAAAAAACvc/SkxJtEOeaaY/s400/Rosa.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5622097457554340290" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/-9OA2uAeHNT0/TgWz2DthNLI/AAAAAAAACvU/PS2xtte5Pmg/s1600/Porta%2Bcinzenta.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 267px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-9OA2uAeHNT0/TgWz2DthNLI/AAAAAAAACvU/PS2xtte5Pmg/s400/Porta%2Bcinzenta.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5622097451132466354" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/-zW0Z80-ebnI/TgWz1qz_x_I/AAAAAAAACvM/JfsWd_MQ6Ag/s1600/Lim%25C3%25B5es.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 267px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-zW0Z80-ebnI/TgWz1qz_x_I/AAAAAAAACvM/JfsWd_MQ6Ag/s400/Lim%25C3%25B5es.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5622097444448749554" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/-p032o8NyC5M/TgWzh1N5pvI/AAAAAAAACu8/Ce-qORYPlCk/s1600/Cruz.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 267px; height: 400px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-p032o8NyC5M/TgWzh1N5pvI/AAAAAAAACu8/Ce-qORYPlCk/s400/Cruz.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5622097103644370674" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/-91DLnTyN8p4/TgWzhq1ZuVI/AAAAAAAACu0/maVWeo6rOAg/s1600/Aro.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 267px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-91DLnTyN8p4/TgWzhq1ZuVI/AAAAAAAACu0/maVWeo6rOAg/s400/Aro.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5622097100857260370" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/-_Nu8zjST6FE/TgWzhMZVHZI/AAAAAAAACus/33mB13R7uko/s1600/AFM%2B1931.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 267px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-_Nu8zjST6FE/TgWzhMZVHZI/AAAAAAAACus/33mB13R7uko/s400/AFM%2B1931.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5622097092686454162" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/-jSsWUZLKG6s/TgWziL_sxkI/AAAAAAAACvE/emOsXy83MNo/s1600/Curva%2Bno%2Bmuro.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 267px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-jSsWUZLKG6s/TgWziL_sxkI/AAAAAAAACvE/emOsXy83MNo/s400/Curva%2Bno%2Bmuro.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5622097109758821954" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-vH7sSWiot8w/TgWz29qif1I/AAAAAAAACvk/pR9ONkjJ7k8/s1600/Rua%2BBarral%2BFilipe.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 267px; height: 400px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-vH7sSWiot8w/TgWz29qif1I/AAAAAAAACvk/pR9ONkjJ7k8/s400/Rua%2BBarral%2BFilipe.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5622097466689224530" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Com fim na Rua Barral Filipe&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36616367-8682895938891133714?l=mataspeak.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mataspeak.blogspot.com/feeds/8682895938891133714/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36616367&amp;postID=8682895938891133714' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36616367/posts/default/8682895938891133714'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36616367/posts/default/8682895938891133714'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mataspeak.blogspot.com/2011/06/exposicao-fotografica-xxxv.html' title='Exposição fotográfica (XXXV)'/><author><name>CMata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12803581531108411574</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://2.bp.blogspot.com/_n_0WB6ohfsc/SXFCmyxXa1I/AAAAAAAABA4/HWvYy4E_t1Q/S220/IMG_0073smallCM.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-MOckEbtjV-I/TgWz2bonOcI/AAAAAAAACvc/SkxJtEOeaaY/s72-c/Rosa.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36616367.post-4921823588773938016</id><published>2011-06-24T02:20:00.006+01:00</published><updated>2011-06-24T11:26:46.188+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Constatações'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Indignações'/><title type='text'>Aprender a ler</title><content type='html'>D&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;escobri esta semana, na minha leitura vezeira de Pedro Lomba no Público, que Camilo Castelo Branco desapareceu do currículo do ensino secundário. Lomba parte deste mote para desenvolver uma interessante crónica sobre o ensino ou melhor o desensino da literatura. Coisa sobre o qual o próprio tem dúvidas fundamentais: refere ele que não tem a certeza se o gosto pela literatura se pode ensinar. Pois eu quase que tenho que pode. Nisto discordo dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Mas já concordo com ele que pelos serviços do ministério anda gente em demasia a cerebrar sobre temas bizarros, como seja a melhor maneira de ensinar a crianças de treze ou catorze anos a reconhecer nos Lusíadas metalepses e metáteses. Ora as metáteses estão para o desenvolvimento do gosto pela literatura como as metástases estão para a promoção da nossa saúde. Não me parece que tão erudito exercício induza nas mentes tenras o amor pela leitura. Será como querer promover o gosto pela culinária com cursos teóricos de química orgânica avançada.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-4kSFwFJVY5w/TgPqtDxcE0I/AAAAAAAACuk/eiYsUusho70/s1600/camilo.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 235px; DISPLAY: block; HEIGHT: 214px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5621594819716191042" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/-4kSFwFJVY5w/TgPqtDxcE0I/AAAAAAAACuk/eiYsUusho70/s400/camilo.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(255,255,153);font-family:trebuchet ms;" &gt;(Aparte antes de prosseguir: para os que estão neste momentos extasiados com a minha sapiência, informo que há truque. Eu não sabia de cor, nem de outra forma qualquer, o significado de metalepse ou metátese. Fui ver a um dicionário de figuras de estilo que consta de uma edição dos Lusíadas que há cá por casa. Tem lá termos espectacularmente ininteligíveis, óptimos para tentar levar à loucura os adversários num jogo de “Pictionary”. Por exemplo, sabem o que é uma hendiádis ou um - ou será uma? - paragoge? E um polissíndeto ou uma tmese? Não? Bando de analfabetos! Mas um zeugma devem saber... Também não? Como é que conseguem ler um livro nessa vil escuridão?)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Quanda não está entretida a complicar, a mesma ministerial gente, apiedada perante as dificuldades daqueles que paternalisticamente vê como menos capazes, cai no outro extremo e facilita. Por exemplo, o programa de 10º ano de Português preocupa-se com que jovens de quinze anos saibam “reconhecer diversos tipos de texto” como sejam “textos informativos diversos e os seguintes dos domínios transaccional e educativo: artigos científicos e técnicos; verbetes de dicionários e enciclopédias; declaração; requerimento; contrato; relatório”. Ou então “textos dos media”, que podem ser até radiofónicos. E não aponta nenhuma leitura integral de um livro como obrigatória (só no 11º aparecem o Frei Luís de Sousa e um Eça à escolha, que por algum azar até pode calhar ser “O mandarim”).&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Ora eu com essa saudosa idade andava no Liceu Francês a levar antiquadamente com Racine e Zola na tromba, para ler na íntegra, e nunca tive assim a oportunidade fresca de analisar verbetes de dicionários para os poder reconhecer quando os visse. Por razão misteriosa, apesar de não ter beneficiado do modernaço programa do 10º em língua pátria, consigo preencher um requerimento, utilizar um dicionário e até ouvir as notícias na TSF sem me baralhar todo e ficar a pensar que o entendimento a que chegaram Portas e Passos Coelho é sentimental e não político. Devo ser um autodidacta.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Quem arquitecta estes programas comporta-se como um condutor que só andasse ora pela berma esquerda ora pela berma direita, com o carro em zigue-zagues bruscos, nunca conseguindo assentar sossegado com os pneus no raio do alcatrão. O resultado de anos desta condução inebriada são os alunos que apanho no quinto ano do Técnico, à beira do mercado de trabalho, que “axam que puderiam usar uma equacão para calcular a inflaxão”. Já hoje uma larga maioria, infelizmente.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Mas desensinar é fácil, já sabemos. E ensinar? Ensinar a gostar de ler?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;O sistema que apanhei no Liceu Francês parece-me a este propósito ter algumas virtudes, desde já com perdão pela pinta “no meu tempo é que era” desta reflexão.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Para começar, esse sistema mete livros. Do primeiro ao último ano do liceu, em cada Outubro, quase uma dezena. Sai-se no final da escolaridade com uma meia centena de títulos, o que acaba por constituir um razoável princípio de uma biblioteca pessoal. A escolha varia ao longo do tempo, mas mistura clássicos, literatura mais ligeira, teatro, poesia, originais e traduções. Fui ver a estante do meu mais novo, que está a meio percurso. Tem lá Molière, Voltaire, Balzac e Flaubert, mas também Pagnol. E tem Orwell, Golding e Primo Levi. E Esopo e a Odisseia e contos da mitologia grega. E teatro de Anouilh e poesia moderna. Para equilibrar, Agatha Christie, o Petit Nicolas de Sempé e Goscinny ou o Diário de Adrian Mole.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;No quarto do mais velho, que já acabou, há uma prateleira inteira. Para além de alguns dos anteriores encontro entre outros Montaigne e Ronsard, Maupassant e Baudelaire, Le Clézio e Camus, Sófocles, Shakespeare e Puchkine, Racine e Ionesco, Sepúlveda e o planeta dos macacos. E até a Bíblia dada enquanto obra literária.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;A isto chama-se diversidade e parece-me ser a lição número um. A literatura é uma janela aberta para um mundo variado e variável. Claro que numa cadeira de literatura francesa há que dar os grandes nomes, que construiram e dão brilho à língua deles. De igual modo, em Português deve-se ler uma boa selecção entre Eça, Camilo, Camões, Sá de Miranda, Pessoa, Herculano, Torga, Cardoso Pires, Nemésio, Miguéis ou Saramago ou Lobo Antunes, e com liberalidade. Mas há espaço para muito mais. Porque não boas traduções de boas obras estrangeiras ou escrita nacional mais contemporânea ou mais ligeira? Mais vale um Hamlet em português ou um romance do Rodrigues dos Santos do que qualquer “texto dos media” ou o que é que essa treta seja.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-1ZN9avh14gc/TgPqsxeBvPI/AAAAAAAACuc/9RrB3qcqbqw/s1600/estanteLivros1.jpg"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-1ZN9avh14gc/TgPqsxeBvPI/AAAAAAAACuc/9RrB3qcqbqw/s1600/estanteLivros1.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 300px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5621594814802935026" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/-1ZN9avh14gc/TgPqsxeBvPI/AAAAAAAACuc/9RrB3qcqbqw/s400/estanteLivros1.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Depois, estes livros devem-se ler integralmente. Esta será a lição número dois. Claro que nem todos os alunos o fazem e claro que na sala de aula a análise tem que se focar em passagens seleccionadas. Mas os livros são como os paus, têm duas pontas, um princípio e um fim e o resto que está no meio. Um excerto pode quanto muito funcionar como um “teaser”, mas não dá a medida da grandeza de uma obra nem permite o sentimento de preenchimento e partilha que podemos ter quando viramos a última página de um bom livro. Seria como esperar que o “trailer” de um grande filme nos fizesse pensar, rir ou chorar do mesmo modo que as duas horas de visionamento em frente ao ecrã. Só aprendemos a gostar de ler lendo, e não brincando ao “toca e foge” com os livros.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;E, finalmente, a terceira lição.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Tive no último ano do liceu um professor de francês que me ensinou como se lia um livro ou um poema: fazendo uso da nossa liberdade. Com ele descobri que uma obra não é uma, são milhares ou milhões. Há a que o autor escreveu e há todas aquelas que os leitores lêem e todas são igualmente verdadeiras e importantes. Com ele aprendi a ler com os meus olhos, com a minha cabeça e com os meus sentimentos. Era um homem calmo, reservado, com um ar quase severo na primeira abordagem, sempre de fato escuro numa escola que primava pela informalidade. Não me lembro de o ver a rir, apenas de sorrir contidamente diante de uma situação cómica. Perguntava-me, preparando-nos para o exame oral final, sobre uma palavra que um poeta usara num verso:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;- Porque pensas que o autor escolheu exactamente esta palavra e não outra?&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;- ...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;- Dá a tua opinião.&lt;/span&gt; &lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;br /&gt;- Talvez porque “isto”.&lt;/span&gt; &lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;br /&gt;- Então se achas “isto”, no dia da oral, di-lo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;- E se o examinador não concordar?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;- Se o examinador não concordar diz-lhe que fui eu que te o ensinei.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;E não é que ensinara mesmo? Ensinara-me que não somos meros receptáculos de uma narrativa, leitores inertes numa relação de um só sentido. Somos agentes, pares do autor, responsáveis com ele pela construção da obra lida. Por exemplo, Thomas Mann dizia que descrevera no seu “Os Buddenbrook” a decadência de uma família. Ora quando eu o li, esse aspecto pareceu-me meramente instrumental. Achei-o um grande livro sobre a riqueza, a diversidade e a fragilidade da vida. Não há azar, o livro que ele escreveu e aquele que eu li simplesmente não são o mesmo: entes próximos, ligeiramente diferentes e igualmente respeitáveis. Ler é um exercício de homens e mulheres livres. Por isso as ditaduras sempre proibiram e queimaram livros. Até a semelhança fonética das palavras “livro” e “livre” , uma feliz coincidência, reforça essa identidade.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Para ensinar o gosto pela literatura precisaremos sempre de professores capazes e alunos disponíveis, como em qualquer matéria. Se a esses ingredientes juntarmos, para horror da malta do ministério, alguns livros, lidos de fio a pavio e com espírito de liberdade, a aprendizagem pode ocorrer. Mesmo que no fim ignoremos o significado de “metátese” ou “zeugma”.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36616367-4921823588773938016?l=mataspeak.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mataspeak.blogspot.com/feeds/4921823588773938016/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36616367&amp;postID=4921823588773938016' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36616367/posts/default/4921823588773938016'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36616367/posts/default/4921823588773938016'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mataspeak.blogspot.com/2011/06/d-escobri-esta-semana-na-minha-leitura.html' title='Aprender a ler'/><author><name>CMata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12803581531108411574</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://2.bp.blogspot.com/_n_0WB6ohfsc/SXFCmyxXa1I/AAAAAAAABA4/HWvYy4E_t1Q/S220/IMG_0073smallCM.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-4kSFwFJVY5w/TgPqtDxcE0I/AAAAAAAACuk/eiYsUusho70/s72-c/camilo.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36616367.post-5858104659270491346</id><published>2011-06-13T23:14:00.004+01:00</published><updated>2011-06-14T14:08:27.263+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Admirações'/><title type='text'>Pub. (Mataspeak em momento de publicidade pouco encapotada)</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/-VI0WIjlE4Dk/TfaMYWwgadI/AAAAAAAACuE/jQc3Zz_h7CQ/s1600/Barquinha%2BF%25C3%25A3.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 267px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-VI0WIjlE4Dk/TfaMYWwgadI/AAAAAAAACuE/jQc3Zz_h7CQ/s400/Barquinha%2BF%25C3%25A3.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5617831935245052370" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family: arial;font-family:verdana;" &gt;Como já aqui contado, em Junho de 2008 o meu pai fixou residência na sua terra natal, Vila Nova da Barquinha. Desde então&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: arial;font-family:verdana;" &gt;  &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: arial;font-family:verdana;" &gt;tornei-me barquinhense de ocasião, deleitando-me com a vista do Tejo junto ao Cais Pombeiro, passeando pelos caminhos geométricos do Barquinha Parque &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: arial;font-family:verdana;" &gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: arial;font-family:verdana;" &gt;ou pela pacatez das ruas desertas ao pino do sol, assinando o jornal Novo Almourol, deliciando-me na Tasquinha da Adélia com um bife com batatas fritas que não foram compradas na Makro, com o sabor pensava eu perdido que as nossas avós lhe sabiam dar, emocionando-me enfim à porta da sede do Sporting Clube Barquinhense, instituição decana de que meu avô foi sócio fundador como atesta um diploma que, encaixilhado a verde, está pendurado no escritório onde escrevo estas linhas.  &lt;/span&gt;&lt;p style="font-family: arial;" face="verdana" class="MsoNormal"&gt;Para mais, lá vou sabendo histórias das minhas raízes, sobretudo quando tenho a sorte de coincidir com os mais velhos. Numa terra de apenas 1400 habitantes, já terei ouvido em breve esse mesmo número de memórias contadas ora com saudade ora com riso.&lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: arial;" face="verdana" class="MsoNormal"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-TT9WvBsDxdM/TfaMZO-4uTI/AAAAAAAACuU/GrZ1k0I7gCA/s1600/Da%2BMata%2B2.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 267px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-TT9WvBsDxdM/TfaMZO-4uTI/AAAAAAAACuU/GrZ1k0I7gCA/s400/Da%2BMata%2B2.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5617831950337751346" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p style="font-family: arial;" class="MsoNormal"&gt;Pois neste fim-de-semana, no dia 10 de Junho, dia de Portugal, de Camões e de tudo o mais, &lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt; &lt;/span&gt;inaugurou-se no Centro Cultural de Vila Nova da Barquinha a exposição DaNação, da autoria do meu tio Luís da Mata, filho da terra, em que este usou como mote a bandeira nacional para uma sequência plástica, de pintura e instalação, que propõe uma reflexão sobre o caminho trilhado – sobretudo nos tempos mais recentes – pelo nosso país.&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: arial;" class="MsoNormal"&gt;Vem a propósito esta exposição, porque passam no próximo dia 19 exactamente cem anos sobre a aprovação do actual modelo de bandeira pelo decreto 141 da Assembleia Nacional Constituinte, selecionada que foi, após concurso de ideias, por uma comissão a que pertenciam Columbano Bordalo Pinheiro, João Pinheiro Chagas e Abel Botelho.&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: arial;" class="MsoNormal"&gt;Vem mais a propósito ainda porque a nação do símbolo passa por momentos de aperto que o símbolo da nação não deixaria suspeitar, com o seu verde “de esperança” e o seu vermelho, “&lt;span style="mso-bidi-font-style:italic"&gt;cor combativa, quente, viril, por excelência (...) cor da conquista e do riso (...) cor cantante, ardente, alegre (...)”, nas palavras da comissão que a escolheu.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: arial;" class="MsoNormal"&gt;Não tenho a certeza de que a minha leitura do percurso exposto seja exactamente igual aquela que o autor tinha em mente quando produziu a obra. Conhecendo-nos a ambos, admito que não. Fica esta matéria para próxima conversa entre os dois.&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: arial;" class="MsoNormal"&gt;Mas digo-vos e assim termino: vão, que vale a viagem e não só por orgulho de sobrinho. É uma visão inovadora, disruptiva e esteticamente apelativa sobre o nosso colectivo. Olhem, admirem, interroguem-se e pensem. E desfrutem, claro está.&lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: arial;" class="MsoNormal"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-vQesoU2ZjAs/TfaMY4no-VI/AAAAAAAACuM/NWF_w4UPieQ/s1600/Da%2BMata%2B1.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 267px; height: 400px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-vQesoU2ZjAs/TfaMY4no-VI/AAAAAAAACuM/NWF_w4UPieQ/s400/Da%2BMata%2B1.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5617831944334670162" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36616367-5858104659270491346?l=mataspeak.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mataspeak.blogspot.com/feeds/5858104659270491346/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36616367&amp;postID=5858104659270491346' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36616367/posts/default/5858104659270491346'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36616367/posts/default/5858104659270491346'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mataspeak.blogspot.com/2011/06/pub-mataspeak-em-momento-de-publicidade.html' title='Pub. (Mataspeak em momento de publicidade pouco encapotada)'/><author><name>CMata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12803581531108411574</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://2.bp.blogspot.com/_n_0WB6ohfsc/SXFCmyxXa1I/AAAAAAAABA4/HWvYy4E_t1Q/S220/IMG_0073smallCM.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-VI0WIjlE4Dk/TfaMYWwgadI/AAAAAAAACuE/jQc3Zz_h7CQ/s72-c/Barquinha%2BF%25C3%25A3.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36616367.post-7122307821690646192</id><published>2011-06-09T00:00:00.008+01:00</published><updated>2011-06-09T19:13:19.697+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Abardinanços'/><title type='text'>A noite eleitoral vista do meu sofá</title><content type='html'>&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;Duas da tarde&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A noite eleitoral começa cedo nas têvês. Os telejornais vão repassando a xaropada usual, com o mesmo rigor metódico com que os pilotos aviadores percorrem (espero eu) o “check list” antes da partida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Temos por isso:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a) O exemplar civismo com que o acto eleitoral está a decorrer&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contra todas as expectativas não há barricadas e forcas nas ruas de Portugal e o sangue não corre nas valetas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;b) O voto dos candidatos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O candidato votou antes do meio-dia na escola secundária cê mais esse D. Fuas Roupinho. Chegou acompanhado da mulher e esperou pela sua vez para exercer o seu dever cívico. Cumprimentou os membros da mesa. À saída, declarou que esperava que o acto eleitoral decorresse com normalidade e que a afluência às urnas fosse elevada. Entrou num café onde bebeu uma bica em frente às câmaras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda um dia hei-de dar o meu voto ao candidato que vá votar pela seis e meia da tarde, chegue acompanhado de uma gaja que conheceu na noite anterior, motivo desse voto tardio, passe à frente da fila porque está com pressa, mande bugiar os membros da mesa e declare que até podia andar tudo à porrada que para ele era o mesmo e que quanto menos forem às urnas menos papel se gasta. Finalmente, que entre no café onde os outros candidatos beberam as bicas e avie duas imperiais perante o “zoom” arregalado das câmaras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez quando o Vieira conseguir as assinaturas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;c) Os boicotes ao acto&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há sempre dois ou três cus-de-mundo em que dois ou três caciques locais conseguem um boicote fechando a corrente e cadeado, corajosamente pela calada da noite, o local onde a votação iria decorrer. Afirmam depois aos microfones sôfregos das cadeias televisivas que a população de A-dos-Caracóis está farta de não ter lá uma estação de lançamento de foguetões interplanetários ou outra infraestrutura igualmente fundamental. Os senhores jornalistas tomam a devida nota e esquecem-se sempre de perguntar porque é que se a população está assim tão unânime foi preciso trancar as portas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desta vez houve porém alguma originalidade. Num lugarejo obscuro largaram abelhas na sala das mesas de voto, o que permitiu ao presidente da junta confirmar o boicote, não fosse alguém ser picado e morrer com uma reacção alérgica. Noutro ermo qualquer, puseram cola nas fechaduras e uma esmerada selecção das mulheres mais feias de Portugal aos gritos em frente às portas, de permanentes ralas e brincos de minhota, cenário dantesco que desmotivou a GNR de agir com proporção na reposição da legalidade democrática.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;Sete da tarde&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No continente, porque nos Açores os micaelenses, as corvinas e os picarotos ainda enfiam nas urnas de voto, impedindo a divulgação no “cuuntiineente” de sondagens à boca das mesmas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À falta de melhor tema, as televisões divulgam a previsão de 40% de abstenção, com mais ou menos casas decimais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Procuram-se causas racionais. O afastamento dos jovens da política. O afastamento dos idosos da política. O afastamento da malta na força da idade, da política.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se os vivos se afastam, já os mortos não arredam pé. Os cadernos eleitorais caminham para o milhão de eleitores-fantasma. Mesmo assim não é mau: li hoje que nove mil mortos na Grécia ainda estão a receber a reforma. Cá, pelo menos, os defuntos limitam-se a abster-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na realidade a explicação é mais simples. Na Atenas clássica, a condição de cidadão implicava direitos (como o voto) e deveres (como o voto). Aos cidadãos que não se envolviam na política, os atenienses chamavam-lhes “idiotes”, termo grego que significava “indivíduo” ou “pessoa privada”, mas com um cunho pejorativo. Daí derivou a nossa palavra “idiota”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Havendo 9,6 milhões de eleitores, os 40% que se abstiveram representam 3,8 milhões. Subtraiam-se os 0,7 milhões de mortos e sobram 3,1 milhões de idiotas. Para o que a gente vê por aí, até diríamos que deviam ser mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;Oito horas e treze milésimos de segundo da tarde&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pedro Passos Coelho novo primeiro-ministro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim não dá gosto. Quando eu era garoto, a noite eleitoral durava eternidades de incerteza e adrenalina, até altas horas da madrugada. Começavam a existir uns prognósticos lá para as dez, mas certezas só depois da meia-noite, senão mesmo na manhã seguinte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje no primeiro segundo fica-se a saber tudo, passados quinze minutos já estão contadas metade das freguesias, uma hora depois já se demitiram os derrotados e às onze está tudo a arrumar o estaminé.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim mal acomparado, passámos de um prolongado gozo tântrico ao “ejaculatio praecox” dos Romanos, no que a noites de eleições se refere.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;Oito e um minuto&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A RTP vai mostrando os homens da luta Jel e Falâncio, duas das maiores concentrações de sebo da galáxia, a aproveitar o momento para se publicitar, com megafone, cartaz e bombo, em frente ao hotel que serve de “quartel-general” ao PSD, enviando os parabéns assim que vêem um microfone disponível. Cheira a casaca virada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O drama de se tentar ser engraçado é que convém ter graça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-g_J0tfzxjvk/TfABG-92GRI/AAAAAAAACtk/H1JSGqDbg1w/s1600/homens%2Bluta.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 320px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5615989954824247570" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/-g_J0tfzxjvk/TfABG-92GRI/AAAAAAAACtk/H1JSGqDbg1w/s400/homens%2Bluta.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;Oito e qualquer coisa&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vou “zapando” entre canais. Embora tenham cada qual uma dúzia de comentadores arrebanhados para os prognósticos de fim de jogo, alguns dos quais até interessaria ouvir, as televisões preferem permanentes directos com o Sana, o Altis, o Vitória ou o Largo do Caldas, onde vão perguntando a militantes de base se estão a curtir ou se o galo é grande, consoante a cor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com tantos meios, tantos repórteres, tantos quadros digitais, tanta trampa, é completamente impossível ficar informado. Um caso típico de rendimentos marginais decrescentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;Oito e muito&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dos canais avança a hipótese do PAN, Partido dos Animais e da Natureza, vir a eleger um deputado por Lisboa. Animais no hemiciclo. Não propriamente uma novidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;Nove e pouco&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O primeiro-ministro desce para o discurso de derrota, cercado por uma camada de seguranças, por sua vez envolta numa capa de jornalistas de microfone em riste e câmaras erguidas em braços como se de halteres se tratassem. A mole ziguezagueia desordenadamente e acaba por arrebentar com uma porta de vidro, em directo. Sócrates sobe ao palanque, sacudindo os cacos de vidro da lapela do Armani.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conforme os comentaristas haviam prognosticado meia hora antes, Sócrates demite-se, com um descurso de bom perdedor, diga-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Começa a caça ao candidato: as câmaras focam-se em Seguro, Assis e Costa, que afectam não ser nada com eles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Confirma-se também o “vae victis”. Algumas das perguntas dos jornalistas, agora desempoeirados, assim o demonstram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-NwJrP9ns1YA/TfABHKHZFOI/AAAAAAAACts/Dm5X883a0Rs/s1600/JSOUSA.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 235px; DISPLAY: block; HEIGHT: 193px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5615989957817079010" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/-NwJrP9ns1YA/TfABHKHZFOI/AAAAAAAACts/Dm5X883a0Rs/s400/JSOUSA.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;Não muito tempo depois&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ouço alguém entusiasmado falar de “inequívoca consolidação da expressão eleitoral”, “aumento da percentagem e número de deputados”, “sinal de inegável significado quanto a um mais alargado reconhecimento da acção, propostas e papel...”. Levanto a cabeça. Pelo tom ufano, podia ser o André Villas-Boas a falar do FCP, mas é apenas o Jerónimo de Sousa a rejubilar com a estrondosa vitória do PCP, com sensacionais 7,94% dos votos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nós, Sportinguistas, devíamos aprender com esta mentalidade. Festejaríamos convictos os quartos lugares invadindo o Marquês de Pombal, eufóricos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;Talvez pelas nove e meia&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O melão da noite. Alongado e graúdo, verde por fora e sumarento por dentro, de talhada firme e semente solta. Saiu em brinde à esquerda Façonnable.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Louçã diz que os resultados significam um “recuo”. Sei que dada a etimologia da palavra “recuo”, talvez o Bloco a veja como mais politicamente correcta do que outras mais apropriadas para a ocasião, como sejam “coça”, “trepa” ou “cabazada”. Mas ainda assim: passaram em dois anos para metade dos votos e dos deputados. Isto não é um recuo, é uma viagem em marcha atrás de Lisboa a Bombaim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Prevejo que o Bloco de Esquerda vai ser a partir de agora cada vez menos bloco e – se possível for – cada vez menos esquerda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;Ainda não passara meia hora da demissão do Sócrates&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As televisões passam as emissões para o Altis porque António José Seguro vai fazer uma declaração. Os comentadores prevêem que ele vai declarar que não se candidata a líder do PS, com o piedoso raciocínio de que seria de muito mau gosto anunciar a candidatura praticamente em cima do cadáver fumegante do José. Mal sabem eles de que é capaz um homem que esteve à espera.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No Altis, abre-se a porta de um elevador e sai António José, demasiado seguro diante de quarenta microfones e vinte objectivas. Profere umas redondezas sobre a sua eventual candidatura, do género “não é o momento apropriado”, “estou disponível para dar o meu humilde contributo”, “não volto a cara ao meu partido e a Portugal”. Portugal, viram? Ganda pinta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Resumindo: é candidato e a sua candidatura, tal como a pescada, antes de o ser já o foi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguns jornalistas, daqueles para quem é preciso fazer um desenho, perguntam-lhe porque é que ele os convocou se não era para confirmar a candidatura. Seguro responde:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Convocar, eu? Os senhores é que aqui estavam à minha espera.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim terminou em glória o momento sabujo da noite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;Não sei se antes se depois&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Portas, um dos vencedores destas eleições, não escondia a tristeza no seu discurso de triunfo. Apesar de uma campanha em que ostentou mais de cem chapéus diferentes, só subiu 1,3%. Pouco para quem se queria tornar o mais pequeno dos grandes e continua apenas o maior dos pequenos. Apesar de tudo, com a chave do governo na mão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já dizia Pirro, rei do Épiro e da Macedónia, depois da difícil batalha de Ásculo: “Mais uma vitória destas e estou perdido.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-gHiBcWyhqgI/TfABHnb-maI/AAAAAAAACt0/4oSP5BhsvFA/s1600/passos%2Bcoelho.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 261px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5615989965688052130" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/-gHiBcWyhqgI/TfABHnb-maI/AAAAAAAACt0/4oSP5BhsvFA/s400/passos%2Bcoelho.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;Já passava das dez&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passos Coelho sobe ao púlpito como novo primeiro-ministro de Portugal. Para gajo que acaba de ser contratado para um dos piores empregos do planeta nos próximos anos, parece contente. Discursa com fluência e preparação. Canta o hino nacional. Responde num inglês muito razoável a um jornalista estrangeiro. Neste aspecto, certamente, ficámos a ganhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-jAyCzb8UaTA/TfABIEJ0J8I/AAAAAAAACt8/q4l_wNeQDcQ/s1600/rtp.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 281px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5615989973396498370" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/-jAyCzb8UaTA/TfABIEJ0J8I/AAAAAAAACt8/q4l_wNeQDcQ/s400/rtp.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;Onze e tal&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os carros apitam na rua e agitam bandeiras laranjas. Afinal o PAN não elegeu nenhum deputado. Nos ecrans, os “pivots”, flutuando em cenários virtuais, vão repassando em tom cansado os números finais de Viseu e de Évora. Há algum clima de anti-clímax. Os comentadores de serviço cumprem serviço, largando as últimas tiradas. Desligo a televisão e vou enxotando os gatos para fora da sala.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amanhã, continua a crise.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36616367-7122307821690646192?l=mataspeak.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mataspeak.blogspot.com/feeds/7122307821690646192/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36616367&amp;postID=7122307821690646192' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36616367/posts/default/7122307821690646192'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36616367/posts/default/7122307821690646192'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mataspeak.blogspot.com/2011/06/duas-da-tarde-noite-eleitoral-comeca.html' title='A noite eleitoral vista do meu sofá'/><author><name>CMata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12803581531108411574</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://2.bp.blogspot.com/_n_0WB6ohfsc/SXFCmyxXa1I/AAAAAAAABA4/HWvYy4E_t1Q/S220/IMG_0073smallCM.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-g_J0tfzxjvk/TfABG-92GRI/AAAAAAAACtk/H1JSGqDbg1w/s72-c/homens%2Bluta.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36616367.post-6063569655495098920</id><published>2011-05-20T01:49:00.003+01:00</published><updated>2011-05-20T01:59:26.339+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Exposição fotográfica'/><title type='text'>Exposição fotográfica (XXXIV)</title><content type='html'>Paris, mais da Páscoa 2011&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/-49wnB00pvdc/TdW7bNI8TDI/AAAAAAAACss/hw1zULtQMkY/s1600/Vinhos%2BMouffetard.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 267px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-49wnB00pvdc/TdW7bNI8TDI/AAAAAAAACss/hw1zULtQMkY/s400/Vinhos%2BMouffetard.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5608594987017849906" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Rue Mouffetard, Jardin des Plantes&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/-PB0g2Lwqw2E/TdW7auX_z9I/AAAAAAAACsk/WbljViPmZrE/s1600/Velhinha%2BLuxembourg.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 267px; height: 400px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-PB0g2Lwqw2E/TdW7auX_z9I/AAAAAAAACsk/WbljViPmZrE/s400/Velhinha%2BLuxembourg.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5608594978759495634" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Jardin du Luxembourg&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/-8WQ4qbPmoYk/TdW7ad2orYI/AAAAAAAACsc/seYGX9TKlOc/s1600/Torre%2Bde%2BMontparnasse.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; 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Por aqui se escapou Olrik no "Caso do colar", de Blake e Mortimer&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/-LWKtFVXB3ww/TdW7Gjq4WGI/AAAAAAAACr8/vQboHcEDJtM/s1600/Os%2Bpatos.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 267px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-LWKtFVXB3ww/TdW7Gjq4WGI/AAAAAAAACr8/vQboHcEDJtM/s400/Os%2Bpatos.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5608594632288524386" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Jardin du Luxembourg&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/-o7xB-JWm3wg/TdW7GnCTekI/AAAAAAAACr0/PNL8oNw6oAo/s1600/La%2BVillette.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 267px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-o7xB-JWm3wg/TdW7GnCTekI/AAAAAAAACr0/PNL8oNw6oAo/s400/La%2BVillette.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5608594633192077890" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Bassin de la Villette&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/-Igni6w38EAI/TdW7GUzZXbI/AAAAAAAACrs/WGDA40ymSiE/s1600/Cadeiras%2BLuxembourg.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 267px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-Igni6w38EAI/TdW7GUzZXbI/AAAAAAAACrs/WGDA40ymSiE/s400/Cadeiras%2BLuxembourg.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5608594628297711026" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Jardin du Luxembourg&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36616367-6063569655495098920?l=mataspeak.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mataspeak.blogspot.com/feeds/6063569655495098920/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36616367&amp;postID=6063569655495098920' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36616367/posts/default/6063569655495098920'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36616367/posts/default/6063569655495098920'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mataspeak.blogspot.com/2011/05/exposicao-fotografica-xxxiv.html' title='Exposição fotográfica (XXXIV)'/><author><name>CMata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12803581531108411574</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://2.bp.blogspot.com/_n_0WB6ohfsc/SXFCmyxXa1I/AAAAAAAABA4/HWvYy4E_t1Q/S220/IMG_0073smallCM.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-49wnB00pvdc/TdW7bNI8TDI/AAAAAAAACss/hw1zULtQMkY/s72-c/Vinhos%2BMouffetard.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36616367.post-9098254369651342820</id><published>2011-05-20T01:28:00.006+01:00</published><updated>2011-05-20T09:24:06.608+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Abardinanços'/><title type='text'>Tabuísmos</title><content type='html'>&lt;meta equiv="Content-Type" content="text/html; charset=utf-8"&gt;&lt;meta name="ProgId" content="Word.Document"&gt;&lt;meta name="Generator" content="Microsoft Word 10"&gt;&lt;meta name="Originator" content="Microsoft Word 10"&gt;&lt;link rel="File-List" href="file:///C:%5CDOCUME%7E1%5CCARLOS%7E1%5CDEFINI%7E1%5CTemp%5Cmsohtml1%5C01%5Cclip_filelist.xml"&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:worddocument&gt;   &lt;w:view&gt;Normal&lt;/w:View&gt;   &lt;w:zoom&gt;0&lt;/w:Zoom&gt;   &lt;w:hyphenationzone&gt;21&lt;/w:HyphenationZone&gt;   &lt;w:compatibility&gt;    &lt;w:breakwrappedtables/&gt;    &lt;w:snaptogridincell/&gt;    &lt;w:wraptextwithpunct/&gt;    &lt;w:useasianbreakrules/&gt;   &lt;/w:Compatibility&gt;   &lt;w:browserlevel&gt;MicrosoftInternetExplorer4&lt;/w:BrowserLevel&gt;  &lt;/w:WordDocument&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;style&gt; &lt;!--  /* Style Definitions */  p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal 	{mso-style-parent:""; 	margin:0cm; 	margin-bottom:.0001pt; 	mso-pagination:widow-orphan; 	font-size:12.0pt; 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 &lt;p class="MsoNormal"&gt;Adam Smith, o primeiro grande teórico da economia e professor de filosofia moral na universidade de Glasgow, ia de vez em quando a Londres para debater ideias com os principais intelectuais de seu tempo. Numa dessas deslocações conheceu Samuel Johnson, outro importante filósofo da época, que logo na hora atacou com veemência Smith sobre uma qualquer posição sua. Smith reafirmou a verdade da sua posição e Johnson não lhe perdoou:&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Você é mentiroso!&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- E você é um filho-da-puta!, respondeu Smith.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Scott conclui humoradamente que “nestes termos se encontraram e conheceram estes dois grandes moralistas e assim era um diálogo clássico entre dois eminentes professores de filosofia”.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Adam Smith foi um homem extremamente culto e refinado para a sua época e provavelmente para a nossa também. Saberia certamente recorrer a um “inconveniente”, ou a um “malcriado”, “desbocado”, “patife”, “malandro” ou a um rosário de outros vocábulos menos sonantes. Mas desse modo suave não teria conseguido dizer o que no fundo queria e consequentemente este diálogo não teria entrado para a História. Porque as palavras (ou as expressões) vão acumulando sentidos, nuances, forças, referências e pesos que lhes dão a personalidade que acabam por ter e Smith usou a palavra certa no momento certo.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Um filho-da-puta não é um homem gerado por uma profissional do ofício, ao contrário do que se possa pensar: o dicionário Houaiss define esse filho desgarrado como uma “pessoa traiçoeira, desonesta e não confiável”. Que é como se portou Johnson, que sem o conhecer atacou pessoalmente Smith em público quando este apenas defendia as suas ideias. Smith esteve portanto bem.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Também não precisaríamos de um dicionário para intuir, de forma precisa, o sentido da expressão usada. Qualquer um de nós que tenha vivido uma vida razoavelmente vivida já encontrou um/vários/bastantes/uma data de filhos-da-puta. Infelizmente. E já lhes lembrou com certeza essa condição, nem que fosse para aliviar a alma.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/-C_bVdRcLZtY/TdW5ACvKXbI/AAAAAAAACrk/JCkYN5OmwD0/s1600/Adam%2Bsmith.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 238px; height: 263px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-C_bVdRcLZtY/TdW5ACvKXbI/AAAAAAAACrk/JCkYN5OmwD0/s400/Adam%2Bsmith.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5608592321345641906" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;O termo “filho-da-puta” pertence, sempre segundo o Houaiss, à categoria dos tabuísmos pejorativos. Um tabuísmo, em linguística, significa uma palavra ou locução tabu, considerada excessivamente grosseira ou ofensiva na maioria dos contextos. Na maioria, mas não em todos: pode-se legitimamente dar-lhe com o tabuísmo nas ventas quando se apanha um filho-da-puta pela frente. Não só se pode, como se deve.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Os tabuísmos são palavras fundamentais do léxico (tão importantes que popularmente lhes chamamos palavrões, usando o aumentativo), essenciais para a construção de vastas áreas do nosso discurso quotidiano. Considerem as frases seguintes e verifiquem por vós próprios que só se lhes consegue insuflar verdadeiro significado substituindo o termo assinalado por um tabuísmo à maneira:&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Ó meu &lt;b style=""&gt;&lt;u&gt;senhor&lt;/u&gt;&lt;/b&gt;, não viste o sinal?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- O &lt;b style=""&gt;&lt;u&gt;malandrim&lt;/u&gt;&lt;/b&gt; do árbitro fingiu que não era fora-de-jogo.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Os políticos são todos uns &lt;b style=""&gt;&lt;u&gt;marotos&lt;/u&gt;&lt;/b&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- O &lt;b style=""&gt;&lt;u&gt;malvado&lt;/u&gt;&lt;/b&gt; do Silva foi para casa ver o jogo e deixou-me aqui com &lt;b style=""&gt;&lt;u&gt;a inconveniência&lt;/u&gt;&lt;/b&gt; deste relatório para acabar.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Estou &lt;b style=""&gt;&lt;u&gt;incomodado&lt;/u&gt;&lt;/b&gt;: fui apanhado a duzentos na autoestrada e fiquei sem carta.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Estás-me a ligar às sete da manhã de um sábado? E se fosses antes para &lt;b style=""&gt;&lt;u&gt;um sítio longe&lt;/u&gt;&lt;/b&gt;?&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Apesar desta sua importância e frequência nas nossas vidas e nas nossas falas, os tabuísmos são parentes pobres do vocabulário, que não dispensamos mas que fingimos não conhecer bem, escondendo-os entre dentes, como se nada tivéssemos a ver com eles, afectando incómodo quando os vemos trazidos por outros à nossa presença.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Por exemplo, na semana que terminou, alvoroçou-se a nação porque Eduardo Catroga, antigo ministro das finanças de Portugal e braço-direito de Pedro Passos Coelho para a área económica, sacou também de um tabuísmo e acusou os jornalistas nacionais de se preocuparem em discutir pentelhos – tal e qual, ao natural – e não os temas que realmente interessam ao país. Ocorreu isto na SIC com o jornalista José Gomes Ferreira, um assim com carinha de grão-de-bico. Apanhado de surpresa pelo tabuísmo hirsuto do velhinho Catroga, Gomes Ferreira deve ter sentido um vento gélido nos pelos do pescoço, pois sorriu ainda mais amarelo do que sorri quando anuncia deliciado as quedas de “rating” do país.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Devo dizer que acho que Catroga tem alguma dose de razão. Muito jornalismo português, especialmente televisivo, só se ocupa com pentelhos, quando assuntos mais relevantes estão em cima da mesa como por exemplo o destino da nação. Não com detalhes, nem com pormenores, nem com alfinetes, nem com minudências, nem com particularidades, nem com insignificâncias, nem com infinitésimos, nem com minúcias, nem com terceiras derivadas: na realidade é com pentelhos, exactamente!&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;No mesmo dia em que Portugal tinha em discussão em Bruxelas o seu balão de oxigénio financeiro que o vai salvar de uma morte certa em Junho, o Público exibia como títulos de artigos novidades tão relevantes como a ausência de António José Seguro num encontro em Braga ou as declarações eternamente iguais de Jerónimo de Sousa num almoço em Pias. Isto para já não falar dos telejornais, agora que abriu a época da caça ao voto, com as sempiternas e sempre iguais reportagens de rua nas campanhas eleitorais, seguindo candidatos semeando panfletos que logo vão juncar a calçada, distribuindo bacalhaus a feirantes, ostentando bandeiras em penduricalho e meninos das jotas em êxtase fingido. Em vez de se discutir ideias, discute-se quem mais encheu a praça da vila no comício do horário nobre ou o restaurante da terra à passagem da caravana partidária.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;A especialidade da prensa nacional em discutir pentelhos atinge o paroxismo quando dedica profundas análises a entidades tão essencialmente sem interesse como são as “concelhias” e as “distritais” do PS e do PSD, com longos e pormenorizados artigos sobre as relações de força que em Mirandela ou Castro Marim o Zé da padaria do largo e o Manel que trabalha na junta põem em campo para ficar em lugar elegível nas listas. Há jornalistas que são especialistas de tão entediante matéria e que dela falam como se aquilo não fosse … sei lá: uma pentelhice! O problema está em que ao fazê-lo dão tempo da antena a uns monos que com essa notoriedade correm o risco de vencer as eleições para as concelhias e depois para as distritais e depois chegar a deputados e a lugares de ministro ou mais, numa espiral do terror alimentada à base de muitas notícias sobre pouco ou quase nada.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;No dia seguinte a ter sido solto, o tabuísmo de Catroga tornou-se uma “self-fulfilling prophecy”. Em vez de se dedicar a temas sérios, a classe jornalística, fazendo jus ao seu corporativismo mindinho, passou o tempo a opinar sobre o palavrão de Catroga, questionando governo e oposição sobre o peludo tema, comparando com os cornos feitos pelo Manuel Pinho na assembleia, com o “manso é a tua tia” do Sócrates para o Louçã e com o “jamais” do Mário Lino e desenterrando a velha história do ministro Carlos Borrego que caiu por causa de uma anedota de alentejanos sujeitos a hemodiálise. Como se não houvesse coisas menos pentelhosas para tratar. O ar de constrangimento fingido dos jornalistas só não era mais repugnante porque era ofuscado pelo constrangimento real dos colegas de partido de Catroga, que com soberbo espírito de companheirismo iam afirmando que este fora infeliz nas suas declarações mas até não era má pessoa.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/-J2uf8XJFAgo/TdW4BuLdzJI/AAAAAAAACrc/kplMKkhus_Q/s1600/Catroga.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 272px; height: 190px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-J2uf8XJFAgo/TdW4BuLdzJI/AAAAAAAACrc/kplMKkhus_Q/s400/Catroga.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5608591250675322002" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;A cereja em cima deste bolo hipócrita veio de Pedro Passos Coelho em pessoa que, numa antevisão do que poderá ser a solidariedade entre membros de um governo por ele liderado, se apressou a sossegar a senhora jornalista que o entrevistava explicando que o Dr. Catroga tinha sido infeliz mas tem “andado sob grande pressão”, uma desculpa tão de moda e tão em farrapos como os “motivos operacionais” que insistem em atrasar os aviões da TAP. Só faltou dizer que o velhote se tinha passado dos carretos, coitado. Passos Coelho, com aquela carinha angélica que a genética lhe deu, tirou totalmente o tapete ao seu Catroga e tenho a impressão que sem perceber que o tinha feito. Pum! Mais um tiro no pé…&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;E assim vamos em alegre campanha. Só me apetece dizer um tabuísmo. Daqueles com hífen.&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36616367-9098254369651342820?l=mataspeak.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mataspeak.blogspot.com/feeds/9098254369651342820/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36616367&amp;postID=9098254369651342820' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36616367/posts/default/9098254369651342820'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36616367/posts/default/9098254369651342820'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mataspeak.blogspot.com/2011/05/tabuismos.html' title='Tabuísmos'/><author><name>CMata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12803581531108411574</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://2.bp.blogspot.com/_n_0WB6ohfsc/SXFCmyxXa1I/AAAAAAAABA4/HWvYy4E_t1Q/S220/IMG_0073smallCM.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-C_bVdRcLZtY/TdW5ACvKXbI/AAAAAAAACrk/JCkYN5OmwD0/s72-c/Adam%2Bsmith.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36616367.post-8643849552303376073</id><published>2011-05-06T00:47:00.005+01:00</published><updated>2011-05-20T01:28:23.007+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Exposição fotográfica'/><title type='text'>Exposição Fotográfica (XXXIII)</title><content type='html'>&lt;span style="text-decoration: underline;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Paris, Páscoa 2011&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/-46lwYnq0HtI/TcM3-sh3PjI/AAAAAAAACq8/mtUAT-KNiSc/s1600/Reflexo.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 267px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-46lwYnq0HtI/TcM3-sh3PjI/AAAAAAAACq8/mtUAT-KNiSc/s400/Reflexo.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5603383911623638578" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Rua Louis Blanc&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/-8Qs4uD8_C1M/TcM3mGlxYKI/AAAAAAAACq0/6zvRkUGb14M/s1600/Saint%2BMartin.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 267px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-8Qs4uD8_C1M/TcM3mGlxYKI/AAAAAAAACq0/6zvRkUGb14M/s400/Saint%2BMartin.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5603383489122623650" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Canal de St. Martin&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/-T_ipseRXwQk/TcM3lxO4UpI/AAAAAAAACqs/OC9c52ielag/s1600/Manifesta%25C3%25A7%25C3%25A3o.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 267px; height: 400px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-T_ipseRXwQk/TcM3lxO4UpI/AAAAAAAACqs/OC9c52ielag/s400/Manifesta%25C3%25A7%25C3%25A3o.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5603383483389465234" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Manifestação contra Bashir Al-assad no Trocadéro&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/-QVdDg9MXV-4/TcM3lilQOxI/AAAAAAAACqk/sXA_10f1Lxs/s1600/Morangos.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 267px; height: 400px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-QVdDg9MXV-4/TcM3lilQOxI/AAAAAAAACqk/sXA_10f1Lxs/s400/Morangos.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5603383479456774930" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Grandes morangos na Rua Mouffetard&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/-MeLgAnQ-rkI/TcM3--h21nI/AAAAAAAACrE/q-zdQTbBhMQ/s1600/Poussin.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 267px; height: 400px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-MeLgAnQ-rkI/TcM3--h21nI/AAAAAAAACrE/q-zdQTbBhMQ/s400/Poussin.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5603383916455450226" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Café Poussin em Auteuil&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/-kfjk-FOPSkw/TcM3lYCtudI/AAAAAAAACqc/8oo-Q1WTtvE/s1600/Pombo%2BSaint%2BM%25C3%25A9dard.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 267px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-kfjk-FOPSkw/TcM3lYCtudI/AAAAAAAACqc/8oo-Q1WTtvE/s400/Pombo%2BSaint%2BM%25C3%25A9dard.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5603383476627552722" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Pombo no telhado da igreja de St. Médard, Jardin des Plantes&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/-2io8F9pcV3A/TcM3_CdaxZI/AAAAAAAACrM/wG6C0lN59ek/s1600/Cozinheiro.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 312px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-2io8F9pcV3A/TcM3_CdaxZI/AAAAAAAACrM/wG6C0lN59ek/s400/Cozinheiro.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5603383917510575506" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;O cozinheiro e o velhote dos vasos, em Auteuil&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36616367-8643849552303376073?l=mataspeak.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mataspeak.blogspot.com/feeds/8643849552303376073/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36616367&amp;postID=8643849552303376073' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36616367/posts/default/8643849552303376073'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36616367/posts/default/8643849552303376073'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mataspeak.blogspot.com/2011/05/exposicao-fotografica-xxiii.html' title='Exposição Fotográfica (XXXIII)'/><author><name>CMata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12803581531108411574</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://2.bp.blogspot.com/_n_0WB6ohfsc/SXFCmyxXa1I/AAAAAAAABA4/HWvYy4E_t1Q/S220/IMG_0073smallCM.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-46lwYnq0HtI/TcM3-sh3PjI/AAAAAAAACq8/mtUAT-KNiSc/s72-c/Reflexo.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36616367.post-2551784142276654084</id><published>2011-05-02T00:12:00.003+01:00</published><updated>2011-05-02T00:18:27.528+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Nostalgias'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Meditações'/><title type='text'>O passeio a três</title><content type='html'>Chamou-se sucessivamente Monte do Bispo, Monte das Vinhas e Monte Luís. Teve muitos donos mas foi um remoto ocupante dessa sétima colina parisiense no século XVI, o padre La Chaise, confessor de Luís XIV, que acabou por impor o nome ao “Cemitière de l’Est”, aberto em 1804 no mês revolucionário de “Prairial”, nesse breve período em que os meses falaram de natureza e não de imperadores e deuses romanos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os novos cemitérios atendiam à época a uma preocupação de saúde pública, procurando afastar a defunta malta do centro da cidade. No entanto, a aderência da clientela começou por ser fraca. Os mortos achavam pouco fino ser enterrados num monte lá para os arrabaldes: em 1806 houve apenas cinco fregueses e em 1812 somavam os sepultados pouco mais de oitocentos, número escasso numa época em que se morria por tudo e também por nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perante o elefante branco, a câmara de Paris levou avante em 1817 um genial golpe publicitário. Transladou para lá os restos mortais de Molière, La Fontaine, Héloisa – a medieva do amor cortês, não a apolinária dos verdes – e o seu amante Abelardo, que ficara sem eles de castigo por ter engravidado a até então donzela. A talhe de foice, a página em francês da “Wikipedia” garante-nos muito comicamente que Abelardo foi “castrado à força”. Pois sim, franceses néscios, calculamos que não tenha sido por acordo amigável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A ideia municipal revelou-se um sucesso: em tão distinta companhia, os mortos sentiam-se mais à vontade e afluíram em grande número. Em 1830 atingiam os trinta e três mil, para chegar mais tarde aos setenta milhares que hoje jazem numa necrópole “coquette” e burguesa, que mistura o tétrico do campo de morte com a pompa dos “boulevards”, raiada por avenidas, caminhos retortos e rotundas. Com o número vieram os notáveis: Balzac, Wilde, Chopin, Montand, Proust, Piaf e, claro, Jim Morrisson. E por isso me encontrariam, no passado domingo de Páscoa, perdido por entre jazigos e campas rasas em demanda do túmulo do Rei Lagarto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tinha ido em passeio com a minha mãe e aproveitei uma manhã de sol em que vagueáramos a pé ao longo do canal de Saint Martin para visitar finalmente o famoso cemitério do Père Lachaise. Para a rapaziada da minha criação, este nome trazia fatalmente à memória Jim Morrisson e os Doors. Morrisson morrera em 1971 em Paris, provavelmente de “overdose”, e tornara-se o morador mais visitado do Père Lachaise, estatuto que ainda mantém passados quarenta anos, segundo ouvi a uma guia turística que arrastava entre sepulturas uma pequena multidão de turistas arrebanhados. De facto, “rock’n’roll never dies”!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/-nHGHSH9nxRk/Tb3pRJSStII/AAAAAAAACqU/fllBXNc3BLk/s1600/Campa%2BJim.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 267px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-nHGHSH9nxRk/Tb3pRJSStII/AAAAAAAACqU/fllBXNc3BLk/s400/Campa%2BJim.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5601889992278455426" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;O túmulo de James Douglas Morrisson é uma campa rasa e discreta, perdida no meio de jazigos novecentistas de granito roído pelo musgo e portas entreabertas pelo tempo que dão a ideia que os falecidos se ausentaram momentaneamente para umas dentadinhas nos pescoços parisienses. Como a guia previra, um magote de gente acotovelava-se no pouco espaço existente, fotografando e comentando em tom de férias. Uma árvore, escrevinhada até onde uma mão chegasse, mantinha o registo de quatro décadas de homenagens ao ídolo. Junto à lápide, algumas flores feneciam, acompanhadas de uma fotografia de uma banda de garagem provavelmente ali largada como uma promessa a um santo, pedindo inspiração e sucesso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A minha mãe seguira-me pelo necrotério com a curiosidade de quem visita um monumento, embora, pelo sim e pelo não, levasse na mão uma pequena Bíblia que traz sempre na mala. Pessoa entendida nessas lides de fronteira entre o cá e o lá garantira-lhe uma vez que tal medida era prudente sempre que se visitasse um cemitério e ela preferiu não arriscar. Já tendo passado dos setenta, a minha mãe não vibrara com os Doors e ter-lhe-á parecido estranho o meu interesse naquela campa banal. Saquei por isso do “iPod” para lhe fazer ouvir a voz do homem que ali jazia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seleccionei o “Riders on the storm”. Quando, passados aqueles segundos iniciais em que uma linha de baixo e um rolar de bateria se confundem com a chuva que os cavaleiros atravessam, ouvi a voz de “crooner” de Morrisson, não pude deixar de me surpreender com a relatividade subtil da morte. Qual o Morrisson verdadeiro? O que jazia ali a metros, inerte, já não mais que meras moléculas redisseminadas no ciclo da vida envolvente, ou o fluxo de “bits” e electrões que declamava, nos meus ouvidos, a nossa estranha forma de vida, de “cavaleiros na tempestade atirados para este mundo como um cão sem osso ou um actor solitário”. E este último Morrisson, poderia estar morto? Pode um morto cantar a vida? Não estará vivo quem nos faz instantaneamente bater o pé ao som do “L.A. woman” ou sorrir de boa disposição quando canta “Love street”?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não será que perpetuamos na vivência de nossas vidas o mais vivo das vidas dos que fisicamente já nos deixaram?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fazendo-o, confirmamos Camões, que quando se refere nos Lusíadas à “lei da morte” está a falar do esquecimento, não do fim físico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tais pensamentos consolaram-me. Congeminara este passeio a Paris já há alguns anos. Imaginara-o como um momento especial com meu pai e minha mãe, um tempo dedicado e exclusivo, um obrigado por tudo. Mas a inércia prega-nos destas: veio a doença e a partida inesperada. De repente falhara o meu intento e já só estávamos dois para o passeio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim julgava eu, mas mal: na realidade andou sempre ao nosso lado, nas memórias fugazes e nas mais perenes, em Auteuil, nos corredores cerâmicos do metropolitano, nos recantos das conversas, descendo a rua Moufetard e os seus estaminés garridos, nas alamedas senhoriais de Monceau, nos risos e nas lágrimas, admirando a manobra das comportas no canal de La Villette, na cor dos quadros de Van Dongen no Palais de Tokyo, nos silêncios, nos espelhos trabalhados do La Coupole em Montparnasse. Afinal, sempre viera.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36616367-2551784142276654084?l=mataspeak.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mataspeak.blogspot.com/feeds/2551784142276654084/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36616367&amp;postID=2551784142276654084' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36616367/posts/default/2551784142276654084'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36616367/posts/default/2551784142276654084'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mataspeak.blogspot.com/2011/05/o-passeio-tres.html' title='O passeio a três'/><author><name>CMata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12803581531108411574</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://2.bp.blogspot.com/_n_0WB6ohfsc/SXFCmyxXa1I/AAAAAAAABA4/HWvYy4E_t1Q/S220/IMG_0073smallCM.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-nHGHSH9nxRk/Tb3pRJSStII/AAAAAAAACqU/fllBXNc3BLk/s72-c/Campa%2BJim.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36616367.post-7501979923585311027</id><published>2011-04-09T13:49:00.007+01:00</published><updated>2011-04-16T02:22:49.903+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Nostalgias'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cromos da minha caderneta'/><title type='text'>Cromos da minha caderneta (II) - A ramona</title><content type='html'>&lt;meta equiv="Content-Type" content="text/html; charset=utf-8"&gt;&lt;meta name="ProgId" content="Word.Document"&gt;&lt;meta name="Generator" content="Microsoft Word 10"&gt;&lt;meta name="Originator" content="Microsoft Word 10"&gt;&lt;link rel="File-List" href="file:///C:%5CDOCUME%7E1%5CCARLOS%7E1%5CDEFINI%7E1%5CTemp%5Cmsohtml1%5C01%5Cclip_filelist.xml"&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:worddocument&gt;   &lt;w:view&gt;Normal&lt;/w:View&gt;   &lt;w:zoom&gt;0&lt;/w:Zoom&gt;   &lt;w:hyphenationzone&gt;21&lt;/w:HyphenationZone&gt;   &lt;w:compatibility&gt;    &lt;w:breakwrappedtables/&gt;    &lt;w:snaptogridincell/&gt;    &lt;w:wraptextwithpunct/&gt;    &lt;w:useasianbreakrules/&gt;   &lt;/w:Compatibility&gt;   &lt;w:browserlevel&gt;MicrosoftInternetExplorer4&lt;/w:BrowserLevel&gt;  &lt;/w:WordDocument&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;style&gt; &lt;!--  /* Style Definitions */  p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal 	{mso-style-parent:""; 	margin:0cm; 	margin-bottom:.0001pt; 	mso-pagination:widow-orphan; 	font-size:12.0pt; 	font-family:"Times New Roman"; 	mso-fareast-font-family:"Times New Roman"; 	mso-fareast-language:EN-US;} @page Section1 	{size:595.3pt 841.9pt; 	margin:70.85pt 3.0cm 70.85pt 3.0cm; 	mso-header-margin:35.4pt; 	mso-footer-margin:35.4pt; 	mso-paper-source:0;} div.Section1 	{page:Section1;} --&gt; &lt;/style&gt;&lt;!--[if gte mso 10]&gt; &lt;style&gt;  /* Style Definitions */  table.MsoNormalTable 	{mso-style-name:"Tabela normal"; 	mso-tstyle-rowband-size:0; 	mso-tstyle-colband-size:0; 	mso-style-noshow:yes; 	mso-style-parent:""; 	mso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt; 	mso-para-margin:0cm; 	mso-para-margin-bottom:.0001pt; 	mso-pagination:widow-orphan; 	font-size:10.0pt; 	font-family:"Times New Roman";} &lt;/style&gt; &lt;![endif]--&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Em Março de 1975, com onze tenros aninhos, abordei timidamente o meu pai pedindo para ir a Cascais ver um concerto dos Genesis.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;A vinda a Portugal dos Genesis no seu auge, meses depois do lançamento do fabuloso “The lamb lies down on Broadway”, passa sem protestos por uma de entre cinco manifestações de carácter divino a ocorrer em Portugal ao longo de oito séculos de história. As outras: o milagre de Ourique, as rosas no regaço de Santa Isabel, a aparição da Virgem aos pastorinhos na Cova da Iria e o sete-a-um ao Benfica no velho Alvalade, esta última a única que presenciei, em estado de êxtase e beatitude.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Em pleno PREC, uma banda de primeiro cartaz constituía novidade revolucionária. Diz quem viu que o concerto deslumbrou. Tudo no genésico grupo era superior nesses anos de ouro: o Peter Gabriel felizmente ainda cantava e o Phil Collins felizmente ainda não cantava, limitando-se a ser um excepcional baterista. Tony Banks, Steve Hackett e Michael Rutherford completavam um quinteto de eleição.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Isto sei eu hoje, porque na altura nem via bem quem eles eram. Apenas tinha ouvido uma música, o “Carpet crawlers”, que vinha num “single” aparecido desgarradamente no meio dos presentes de Natal. À época o que eu queria mesmo era ir a um concerto à noite, nem que fosse da banda dos bombeiros. Só que o meu pai riu à gargalhada da minha pretensão, de um modo tal que eu, conhecendo-o, percebi que não valia a pena insistir. &lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/-NnN27osL0G4/TaBWcnUKcqI/AAAAAAAACpM/tMRYo-Xull4/s1600/Genesis%2Bcascais.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 206px; height: 300px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-NnN27osL0G4/TaBWcnUKcqI/AAAAAAAACpM/tMRYo-Xull4/s400/Genesis%2Bcascais.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5593565786784035490" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Depois deste desaire, passou uma olimpíada até eu voltar à carga com o tema. Em Março de 1979, com quinze anos já não tão tenrinhos, abordei menos timidamente o meu pai para lhe pedir para ir a Cascais ver um concerto do Rory Gallagher. Eu também não conhecia o Rory Gallagher, mas era estrangeiro e a malta toda tinha combinado ir porque sendo de fora devia ser bom. Desta vez o meu pai acedeu, com a condição de me ir pôr e buscar. Perante o meu protesto, usou como pretexto que lhe estava a apetecer dar uma volta pelo Estoril, vontade que lhe dava de quinze em quinze anos e por coincidência logo nessa noite.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Assim aconteceu. Fui deixado em frente ao Hotel Baía, onde seria o reencontro. Subi até ao pavilhão do Dramático onde me juntei aos meus amigos. Passámos alegremente, como se uma delícia fora, o suplício da longa fila, das grades colocadas à trouxe-mouxe, dos seguranças meio pedrados. O Dramático de Cascais foi durante esses anos a Meca do rock em Portugal, muito antes dos festivais de verão em arrabaldes poeirentos misturarem bandas londrinas com fado “world music” e dos concertos de estádio trazerem a peso de ouro mega-estrelas cheias de fama e artrite. Recinto de hóquei em patins, com uma acústica miserável, não arcaria mais de dez mil pessoas sem ameaçar ruir. Apesar disto, quando Gallaguer entrou em palco a esgalhar o “Shin kicker”, acompanhado da sua Fender, de Gerry McAvoy e de Ted McKenna, soou-me a música celestial e fiquei amigo dele e do seu “rhytm and blues” irlandês até hoje.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/-lU7noYGk3x4/TaBWcxq3BoI/AAAAAAAACpU/nwvaIhrMTgw/s1600/RORYGALAGHER_cascais01%2Bcopy.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 207px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-lU7noYGk3x4/TaBWcxq3BoI/AAAAAAAACpU/nwvaIhrMTgw/s400/RORYGALAGHER_cascais01%2Bcopy.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5593565789563586178" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;No regresso, os velhotes esperavam-me dentro do carro. Eu oferecera boleia de volta a uns colegas de escola e perguntei ao meu pai se não se importava. Ele disse que sim sem ter o cuidado de os contar e de repente a carrinha Fiat Mirafiori estava apinhada com oito pessoas, três a frente e cinco atrás. Assim arrancámos, que nem o expresso de Bombaim, e o meu pai meteu-se por uma ruazinha estreita que subia da baía até ao local do concerto. Apanhou com dez mil pessoas a descer em sentido contrário, em estados variáveis de alienação. Durante minutos que pareceram infindáveis o carro ficou imobilizado, cercado por uma massa humana fluindo pastosamente, roçando portas e vidros, proferindo bocas jocosas, soltando palavrões e mandando umas murraças ocasionais nos vidros e no tejadilho. O momento alto da cena ocorreu quando uma amiga da malta, reconhecendo-nos no interior da viatura, subiu pelo “capot” e, espalmada contra o pára-brisas, ficou a acenar freneticamente, mandando beijinhos e abraços, perante o olhar esgazeado da minha progenitura. A turba acabou por escoar, libertando a via, e seguimos para Lisboa em silêncio. Chegados a casa, o meu pai comentou que à próxima talvez fosse melhor eu ir de comboio. Bingo!&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Foi portanto de comboio e autocarro que durante os dois anos seguintes me desloquei ao Dramático de Cascais ou ao pavilhão do Belenenses para assistir à primeira grande vaga de concertos “rock” que houve em Portugal, muito à base da variedade de oferta da “new wave”: Stranglers, Clash, Ian Dury, Lene Lovich, Ramones, Dr. Feelgood, Police, Elvis Costello, Joe Jackson, mas também Supertramp, Peter Gabriel e as paredes de sintetizadores dos Tangerine Dream.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/-zvA3eKJqa38/TaBXXbJwjOI/AAAAAAAACpc/wIP4g5AJSBA/s1600/dram%25C3%25A1tico.jpeg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 275px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-zvA3eKJqa38/TaBXXbJwjOI/AAAAAAAACpc/wIP4g5AJSBA/s400/dram%25C3%25A1tico.jpeg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5593566797131451618" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Cada espectáculo tinha uma banda de suporte, ou própria que fazia toda a “tournée” com os cabeças-de-cartaz (vi os Simples Minds antes de se tornarem conhecidos com a merda do “Don’t you forget about me”, xaropada infame que infelizmente ainda não consegui varrer da memória), ou nacional contratada para o momento (assisti aos Xutos e Pontapés ainda sem papada, aos Delfins, Arte e Ofício, UHF). Toda a gente tinha muito pouca paciência para estas bandas de entrada, considerando que ao pagar trezentos escudos pelo bilhete ganhara o direito a não ter que as aturar. As manifestações de desagrado resumiam-se geralmente a trinta minutos de apupo contínuo, mas podiam ser mais espectaculares. No concerto dos Clash, os UHF fizeram a primeira parte. Eu estava na bancada lateral e de repente vejo um risco vermelho sair da plateia e explodir em estilhaços na testa do José Manuel Ribeiro, que com pose suposta de roqueiro se entretinha a cantarolar pr’aí o “Rua do Carmo” para bocejo da assistência. Uma tomatada podre arremessada a mais de trinta metros, linda, com uma precisão fabulosa, só suplantada mais de trinta anos depois pelo lançamento da miniatura do “Duomo” que partiu os dentes ao Berlusconi.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;E dos artistas principais, que lembrar? Escolho o concerto dos Ramones, que assisti na primeira fila da plateia. Eu levara comigo o meu irmão, na altura com doze anos, e em casa fora fortemente recomendado para nunca o perder de vista. Assim que cheguei ao pavilhão encontrei duas amigas que iam para a bancada e consegui que elas tomassem conta do rapaz – recomendando que não o perdessem de vista – e fui lá para baixo, esgueirando-me até me ver no centro da primeira fila, esmagado contra as grades pela pressão de milhares atrás de mim.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Fora o H que no ano anterior me dera a conhecer os Ramones. Vindo de França, o H notabilizara-se na escola por usar uns óculos escuros que lembravam os de um soldador e por vestir como aquela banda peculiar, cuja grandeza publicitava pelos recreios, e que muitos imediatamente caracterizaram como “punk”. O H inconformava-se, quase ofendido: “Não é “punk”, é “rock’n’roll”, ouviram? Rooock’n’roooooll!”.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Fosse o que fosse, o som turbinado de Joey, Johnny, Dee Dee e Tommy Ramone tornou-se indispensável nas tardes de rádio e nas noites de festa, onde o “It’s alive” podia tocar trinta minutos seguidos sem que ninguém saísse da pista. Todos sabíamos que a música era primária, dois minutos com três ou quatro acordes repetidos e uma batida sempre igual e letras básicas de meia dúzia de versos de pé-quebrado. Mas todos gostávamos daquela velocidade em estado puro.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Escolho os Ramones, que vos deixo agora de seguida num concerto de Ano Novo em Londres, muito parecido com o que eu presenciei no Dramático. Escolho os Ramones porque me lembram a rapidez com que, visto à distância, me parece que aqueles anos passaram, para não mais voltar.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Gabba gabba hey!&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style=""&gt;&lt;span style=""&gt;                                                                                               &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;iframe title="YouTube video player" src="http://www.youtube.com/embed/DraO8zUSeKw" allowfullscreen="" width="640" frameborder="0" height="390"&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36616367-7501979923585311027?l=mataspeak.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mataspeak.blogspot.com/feeds/7501979923585311027/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36616367&amp;postID=7501979923585311027' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36616367/posts/default/7501979923585311027'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36616367/posts/default/7501979923585311027'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mataspeak.blogspot.com/2011/04/cromos-da-minha-caderneta-ii-ramona.html' title='Cromos da minha caderneta (II) - A ramona'/><author><name>CMata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12803581531108411574</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://2.bp.blogspot.com/_n_0WB6ohfsc/SXFCmyxXa1I/AAAAAAAABA4/HWvYy4E_t1Q/S220/IMG_0073smallCM.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-NnN27osL0G4/TaBWcnUKcqI/AAAAAAAACpM/tMRYo-Xull4/s72-c/Genesis%2Bcascais.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36616367.post-5344011415087423055</id><published>2011-03-27T23:32:00.016+01:00</published><updated>2011-04-03T10:19:53.009+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Exposição fotográfica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Comemorações'/><title type='text'>Exposição fotográfica (XXXII)</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;"Amigo" é uma grande tarefa,&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Um trabalho sem fim,&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Um espaço útil, um tempo fértil,&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;"Amigo" vai ser, é já uma grande festa!&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Alexandre O'Neill, "Amigo", in "No reino da Dinamarca"&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Na manhã de 9 de Agosto de 2010 tive uma bruta de uma insónia. Deitara-me tarde. Fora ao Festival do Sudoeste ver os Air e os Massive Attack, tema de &lt;a href="http://mataspeak.blogspot.com/2010/09/ferias-v-macicamente-atacado.html"&gt;post&lt;/a&gt; antigo. O facto de lá ter deixado o meu filho mais velho com um sorriso no rosto, um automóvel nas mãos e uma carta de condução com quinze dias no bolso não me deixava pregar olho. Faz parte. Fui-me revirando na cama à procura de uma posição soporífera. Em vão. Abri a luz. Garatujei as palavras cruzadas e o "sudoku" no jornal. Li umas páginas de um livro. Fechei a luz. Escutei os ruídos que como formigas apressadas cruzam a tessitura da noite: o vento que sopra nas jelosias, o respirar de menina dela, os cães em conversa uivada. Só não ouvia o barulho que o meu subconsciente conscientemente esperava: um carro a dobrar a esquina, o motor a morrer na rua, a porta de entrada a bater e o cagaçal que eles conseguem fazer às tantas da manhã e que tanto irrita como alivia. No escuro, o brilho de pirilampo dos ponteiros do relógio de pulso, pousado sobre a mesa de cabeceira, circulava lentamente, muito lentamente... &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Seriam seis da manhã quando a aurora começou a insinuar-se pelas ripas dos estores. Levantei-me e saí do quarto de sapatos na mão, com o pescoço encolhido, as costas curvadas, o andar desengonçado, como um marido que chega tarde da rambóia, só que em sentido inverso. Um bocado estúpido, porque as costas curvadas fazem o mesmo barulho que umas costas direitas.&lt;/p&gt;&lt;p&gt; Desci a rua em direcção à Praia Grande de Porto Covo. &lt;/p&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-UcJRyQZS6Vk/TY-77jlYgfI/AAAAAAAACno/UFngo2bkflU/s1600/Praia%2Bgrande.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 400px; display: block; height: 267px; cursor: pointer;" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5588892294428787186" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/-UcJRyQZS6Vk/TY-77jlYgfI/AAAAAAAACno/UFngo2bkflU/s400/Praia%2Bgrande.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Estava ainda deserta. De gente, pelo menos. Pela noite houvera trabalho: o concessionário enrolara os toldos, a câmara substituíra os sacos do lixo, que pintalgavam a enseada em tons de azul cobalto e o mar tratara de lavar o areal, deixando-o liso e lustroso aos primeiros e ténues raios de sol matinais.&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-VHQosz1rruc/TY-7zZpV1eI/AAAAAAAACnA/_8Bb-DZP4Do/s1600/Caixotes.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 267px; display: block; height: 400px; cursor: pointer;" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5588892154322081250" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/-VHQosz1rruc/TY-7zZpV1eI/AAAAAAAACnA/_8Bb-DZP4Do/s400/Caixotes.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Era a hora das gaivotas, que podem depenicar sossegadas o quer que seja que haja ali para depenicar. Mais duas ou três horas e a praia vibraria de gente, de cores garridas, do toc-toc das raquetes à beira-mar, dos gritos pelas crianças demasiado afoitas, do serpentear malabirista dos surfistas sobre a espuma de sabão dos tubos a enrolar, do apito esganiçado e arbitral do nadador-salvador. Tudo cenas que as gaivotas consideram má onda. Por isso se reservam para estes horários discretos, em que a humidade ainda pica e a maresia ainda cheira.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-obZ_6X1OEbo/TY-7zt2TtJI/AAAAAAAACnI/fblpuWQRSM8/s1600/Gaivotas.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 400px; display: block; height: 267px; cursor: pointer;" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5588892159745176722" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/-obZ_6X1OEbo/TY-7zt2TtJI/AAAAAAAACnI/fblpuWQRSM8/s400/Gaivotas.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Chegavam também os primeiros pescadores, à procura de um lugar jeitoso na escarpa. Na rua principal havia uma tasca, o "Primo Xico", onde um quadro pendurado na parede informava que ali se reuniam caçadores, pescadores e outros mentirosos. Mas para que uma mentira seja razoavelmente credível, há que levantar cedo de manhã.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-2dpSdtCdaq4/TY-76iHxVVI/AAAAAAAACnY/05UG6zxnT-4/s1600/Pescadores.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 400px; display: block; height: 267px; cursor: pointer;" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5588892276856280402" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/-2dpSdtCdaq4/TY-76iHxVVI/AAAAAAAACnY/05UG6zxnT-4/s400/Pescadores.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Subi de novo até à beira da falésia e percorri o trilho para sul, por cima da Praia do Banho. Ao fundo, um barco de pescadores coloria a planura de água como um peixe-palhaço num aquário gigante. Lá em baixo, um homem andava na areia com uma atitude de quem tem todo o tempo do mundo para um passeio matinal. Embora fosse apenas um ponto distante, parecia-me um ponto algo familiar. &lt;/p&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-NvOiI0wMzeU/TY-7ziYoKuI/AAAAAAAACnQ/HRmxyLb_XUM/s1600/Passeante.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 400px; display: block; height: 267px; cursor: pointer;" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5588892156667898594" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/-NvOiI0wMzeU/TY-7ziYoKuI/AAAAAAAACnQ/HRmxyLb_XUM/s400/Passeante.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Era o meu amigo P. Gritei "ó P! P!", a plenos pulmões, como se o estivesse a avisar de um perigo. O som ecoou pelas paredes milenares da falésia, perturbando o sossego da manhã e a ordem natural das coisas. Vi o P rodar a cabeça em todas as direcções até se fixar num ponto distante e esbracejante que era eu. Aproximou-se para perceber quem chamava, enquanto eu descia um carreiro até lá abaixo.&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-FGPDrg5rW7Q/TY_Hq7Mta-I/AAAAAAAACnw/e_OGeq0WmFc/s1600/Praia%2Bdo%2Bbanho.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 400px; display: block; height: 267px; cursor: pointer;" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5588905202849508322" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/-FGPDrg5rW7Q/TY_Hq7Mta-I/AAAAAAAACnw/e_OGeq0WmFc/s400/Praia%2Bdo%2Bbanho.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Estranho. Conheço o P desde criança. Temos muita quilometragem juntos. Encontramo-nos quase todas as semanas. No mês de Agosto, então, é todos os dias. Acabáramos de estar juntos no concerto. Ia-mo-nos ver certamente à tarde na praia. No entanto, senti uma necessidade, vinda de não sei onde cá dentro, de gritar por ele e correr pelo carreiro abaixo, não fosse perder esta oportunidade única de estarmos ambos. Como se sem ele não se cumprisse aquela manhã gloriosa que a insónia me proporcionara.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Caminhámos ao longo do mar, em conversa mole, dissertando sobre assuntos que já se escaparam da minha memória. Também ele não dormira. Subimos ao alto da falésia e fizemos o resto do trilho, que serpenteia entre tojos e armérias, sempre em bate-papo, apesar do sono que nos começava a pesar nas pálpebras. Só nos separámos, com um bacalhau, ao atingir as primeiras vivendas do Bairro Alemão.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-xNFJm-A-bsY/TY-7zNqRF3I/AAAAAAAACm4/Vrn0eXdVhHk/s1600/Bairro%2Balem%25C3%25A3o.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 267px; display: block; height: 400px; cursor: pointer;" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5588892151104739186" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/-xNFJm-A-bsY/TY-7zNqRF3I/AAAAAAAACm4/Vrn0eXdVhHk/s400/Bairro%2Balem%25C3%25A3o.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Chegado a casa, mais consolado, dormi umas duas ou três horas. Tomava já o pequeno-almoço quando ouvi o roncar de um motor que virou a esquina e se imobilizou lá fora. Passos. O rapaz apareceu, de chapéu-de-palha caipira com uma fita verde a fazer publicidade aos jogos da Santa Casa da Misericórdia. Comeu e foi-se deitar, concluindo este episódio. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;O P fez anos ontem. Não o consegui apanhar ao telefone para lhe dar os parabéns. Bom moço, mas um chato do caraças no que toca a ter o telemóvel com som. Talvez por isso me tenha vindo à lembrança a memória daquela madrugada, em que por sorte não o deixei escapar. &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36616367-5344011415087423055?l=mataspeak.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mataspeak.blogspot.com/feeds/5344011415087423055/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36616367&amp;postID=5344011415087423055' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36616367/posts/default/5344011415087423055'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36616367/posts/default/5344011415087423055'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mataspeak.blogspot.com/2011/03/exposicao-fotografica-xxxii.html' title='Exposição fotográfica (XXXII)'/><author><name>CMata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12803581531108411574</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://2.bp.blogspot.com/_n_0WB6ohfsc/SXFCmyxXa1I/AAAAAAAABA4/HWvYy4E_t1Q/S220/IMG_0073smallCM.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-UcJRyQZS6Vk/TY-77jlYgfI/AAAAAAAACno/UFngo2bkflU/s72-c/Praia%2Bgrande.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36616367.post-4790407382438765886</id><published>2011-03-27T03:15:00.009+01:00</published><updated>2011-04-09T11:44:45.243+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Admirações'/><title type='text'>Elas</title><content type='html'>&lt;meta equiv="Content-Type" content="text/html; charset=utf-8"&gt;&lt;meta name="ProgId" content="Word.Document"&gt;&lt;meta name="Generator" content="Microsoft Word 10"&gt;&lt;meta name="Originator" content="Microsoft Word 10"&gt;&lt;link rel="File-List" href="file:///C:%5CDOCUME%7E1%5CCARLOS%7E1%5CDEFINI%7E1%5CTemp%5Cmsohtml1%5C01%5Cclip_filelist.xml"&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:worddocument&gt;   &lt;w:view&gt;Normal&lt;/w:View&gt;   &lt;w:zoom&gt;0&lt;/w:Zoom&gt;   &lt;w:hyphenationzone&gt;21&lt;/w:HyphenationZone&gt;   &lt;w:compatibility&gt;    &lt;w:breakwrappedtables/&gt;    &lt;w:snaptogridincell/&gt;    &lt;w:wraptextwithpunct/&gt;    &lt;w:useasianbreakrules/&gt;   &lt;/w:Compatibility&gt;   &lt;w:browserlevel&gt;MicrosoftInternetExplorer4&lt;/w:BrowserLevel&gt;  &lt;/w:WordDocument&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;style&gt; &lt;!--  /* Style Definitions */  p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal 	{mso-style-parent:""; 	margin:0cm; 	margin-bottom:.0001pt; 	mso-pagination:widow-orphan; 	font-size:12.0pt; 	font-family:"Times New Roman"; 	mso-fareast-font-family:"Times New Roman"; 	mso-fareast-language:EN-US;} @page Section1 	{size:595.3pt 841.9pt; 	margin:70.85pt 3.0cm 70.85pt 3.0cm; 	mso-header-margin:35.4pt; 	mso-footer-margin:35.4pt; 	mso-paper-source:0;} div.Section1 	{page:Section1;} --&gt; &lt;/style&gt;&lt;!--[if gte mso 10]&gt; &lt;style&gt;  /* Style Definitions */  table.MsoNormalTable 	{mso-style-name:"Tabela normal"; 	mso-tstyle-rowband-size:0; 	mso-tstyle-colband-size:0; 	mso-style-noshow:yes; 	mso-style-parent:""; 	mso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt; 	mso-para-margin:0cm; 	mso-para-margin-bottom:.0001pt; 	mso-pagination:widow-orphan; 	font-size:10.0pt; 	font-family:"Times New Roman";} &lt;/style&gt; &lt;![endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Dia 23 próximo passado, o Técnico, onde burlei cinquenta regentes assegurando assim meu canudo e onde, faz em Dezembro vinte anos, dou uma perninha professoral, promoveu uma bonita iniciativa.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Homenageou as “mulheres do Técnico” através de três senhoras que, cada uma à sua maneira, desafiaram os “cânones da sua época”, expressão fina para “estupidez dos seus contemporâneos”, iniciando carreiras ou atingindo metas até então socialmente reservadas aos homens.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;São elas a Engª. Maria Amélia Chaves, a primeira engenheira portuguesa, a Profª. Isabel Maria Gago, a primeira professora numa escola de engenharia nacional e a Profª. Sílvia Marília Costa, a primeira catedrática em engenharia de Portugal. Todas puderam felizmente estar presentes.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;A Engª. Maria Amélia Chaves tem hoje cem anos. Contou ela numa entrevista recente o seguinte sobre a sua ida para o IST:&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;"Quando eu entrei, era suposto ir para Química, e mesmo isso já não era muito do agrado dos homens. Quando viram que eu ia para Civil é que “rebentou a bomba”. Os professores eram meus amigos mas só me diziam “Ó menina, mas o que é que vai fazer? O que é que vai fazer quando sair daqui?”".&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Pois que fez a menina quando saiu? Trabalhou em fiscalização de obras na Câmara Municipal de Lisboa, tendo depois feito projecto. Foi a primeira pessoa em Portugal a desenvolver cálculo anti-sísmico aplicado à construção civil. Desenhou o seu último trabalho com oitenta e dois anos. Pelo meio foi mãe de cinco filhos e avó e bisavó.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;A Profª. Isabel Maria Gago tem noventa e seis anos e foi uma das duas primeiras licenciadas em engenharia química de Portugal. Não sei se ainda, mas pelo menos até há pouco subia e descia a pé diariamente os três andares do prédio onde mora junto à faculdade, para ir passear.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;A longevidade destas senhoras, que faço votos que perdure, demonstra que a independência de espírito deve fazer bem à saúde.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Ao ouvir ou ler hoje os seus depoimentos, vemos que estas mulheres assumiram o seu papel de pioneiras e percorreram o seu caminho com a candura e a naturalidade de quem simplesmente quis. Nasceram num mundo imbecil, de marialvismo e hipocrisia, em que a lei e, pior, a norma estigmatizavam a mulher como ser inferior. Pois estiveram-se nas tintas, não ligaram e simplesmente viveram a vida que desejavam viver. O que é a forma mais potente de mudar o mundo à nossa volta.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/-OR48xInKf3o/TY6eKxcp6bI/AAAAAAAACmo/YMr6EhOjB-E/s1600/isabel%2Bgago.png"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 301px; height: 301px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-OR48xInKf3o/TY6eKxcp6bI/AAAAAAAACmo/YMr6EhOjB-E/s400/isabel%2Bgago.png" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5588578095522769330" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Enquanto esta celebração decorria, burocratas em Bruxelas, sempre a navegar a onda lodacenta do politicamente correcto, azafamavam-se a engendrar uma directiva que obriga as empresas a reservar quotas para mulheres nos seus conselhos de administração.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Na mesma peça jornalística em que soube deste devaneio comunitário, três mulheres portuguesas administradoras ou presidentes de grandes empresas comentaram a novidade com um “Quotas? Nem pensar!” . A Profª Sílvia Marília Costa, num seu depoimento na “Internet”, refere por acaso o mesmo. Esta posição de rejeição talvez surpreendesse os mal-preenchidos crânios eurocratas. Não entenderão tão focadas mentes que para as mulheres que pelo seu trabalho, seu mérito e suas circunstâncias atingiram ou procuram atingir altos patamares, as quotas representam um insulto.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Sei-o de fonte segura. Descobri-o ao longo da minha vida profissional. Fui chefiado por homens, mas também por senhoras. Com todos aprendi, coisas diferentes, de igual modo. Recordo colegas extraordinárias, mulheres de grande visão e talento, com quem foi um prazer trabalhar. Tenho a sorte de ter hoje, na equipa que coordeno, mulheres que são exemplos de dedicação, lealdade, eficiência e inteligência. Nenhuma destas precisa de quotas para chegar a lado nenhum. Acredito que quase todas, senão mesmo todas, repudiariam quotas e percentagens e facilidades. O mérito chega e sobeja, pelo que encaram a igualdade sem receio. E se alguma diferença há, é a favor delas: tenho a impressão que em média são mais cooperantes, mais concentradas nos objectivos, mais jogadoras de equipa e mais subtis que os homens, cuja irremediável imaturidade os leva muitas vezes a preocupar-se mais em mostrar-se a si do que em mostrar resultados.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Admito que nalgumas situações muito particulares a discriminação positiva seja necessária para resolver iniquidades sociais. Não é o caso. As mulheres não precisam de favores nem de quotas que viriam apenas lançar dúvidas injustas sobre a sua competência e que seriam fatalmente usadas para bocas foleiras de urinol. Precisam, elas como nós, que a sociedade se organize e crie condições para que maternidade e actividade profissional se harmonizem. Uma sociedade que não protege as suas mães e as suas crianças, além de fazer triste figura, não vai longe, até por razões meramente matemáticas.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Como aparte, lembrar que não devemos cair no pólo oposto que trata paternalistamente as mulheres que optam por abandonar o trabalho para se dedicarem exclusivamente aos filhos. Conheço mulheres que, tendo uma sólida carreira e sendo grandes oficiais de seu ofício, optaram por ser mães a tempo inteiro. Dispunham dos apoios necessários e das condições financeiras para compatibilizar o trabalho e a família. Sabiam que, provavelmente, não conseguiriam voltar mais tarde ao mercado de trabalho. Mas livremente escolheram. Não consigo deixar de sentir uma funda admiração pelo exemplo de altruísmo e devoção que personificam. As “pietá” não são todas de mármore.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/-7VSNDePk_9k/TY6eLCH_EOI/AAAAAAAACmw/x0WuvoNrMms/s1600/Piet%25C3%25A1.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 354px; height: 354px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-7VSNDePk_9k/TY6eLCH_EOI/AAAAAAAACmw/x0WuvoNrMms/s400/Piet%25C3%25A1.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5588578099999477986" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;O machismo ainda atormenta, tal como a fome, a miséria ou a guerra, uma parte substancial da humanidade. Aliás todos estes flagelos parecem andar correlacionados. Em muitos países as mulheres são oficialmente cidadãos de segunda, que por lei não podem guiar um carro, usar umas calças ou desobedecer ao marido. Noutros, se bem que teoricamente protegidas pelo texto legal, são abandonadas à sorte de viver vítimas de “soi disant” homens – pais, irmãos, maridos, vizinhos – que as tratam como gado reprodutor ou como uma sexualidade de serviço. Estes fulanos são pedaços de merda cobardes que se borrariam pelas pernas abaixo se tivessem que estar entre quatro paredes com uma mulher de igual para igual. Mas infelizmente frouxos destes ainda dominam muitas sociedades por esse mundo fora.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;No nosso canto do planeta somos algo melhores, mas não estamos livres de formas mais subtis de machismo. Nós, homens, ainda ajudamos mais do que partilhamos as tarefas domésticas – eu, pecador, me confesso. A sociedade continua a tolerar excessivamente o homem que agride uma mulher ou que se pira e não paga a pensão aos filhos. Ainda nos horripilamos pouco com coisas com que devíamos: por exemplo, quantos daqueles que acham legítima uma intervenção militar para proteger os líbios ou os kosovares ou outros quaisquer pensariam o mesmo duma intervenção armada num país africano ou asiático para acabar com práticas de excisão generalizada? Desconfio que poucos. Teríamos a mesma complacência se num dado país dessem para capar sistematicamente todos os rapazes? Não creio. No entanto, a mutilação genital feminina é uma forma de tortura e um abuso de uma barbárie absoluta que afecta cerca de dois milhões de crianças por ano. E praticada, estima a Amnistia Internacional, em cerca de 135 milhões de mulheres actualmente vivas. Haverá maior crime contra a humanidade do que isto?&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;Evoluímos bastante em Portugal no que toca à igualdade de género desde os tempos em que a presença da Engª. Maria Amélia Chaves numa obra provocava escândalo. Esta senhora provavelmente ainda precisou, por lei, da autorização do marido para viajar para o estrangeiro. Setenta anos volvidos, mais de metade dos nossos estudantes universitários são do sexo feminino. Em 2040, essas raparigas terão uma influência generalizada na sociedade portuguesa. Espero que consigam fazer melhor que os homens que as precederam. &lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36616367-4790407382438765886?l=mataspeak.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mataspeak.blogspot.com/feeds/4790407382438765886/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36616367&amp;postID=4790407382438765886' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36616367/posts/default/4790407382438765886'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36616367/posts/default/4790407382438765886'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mataspeak.blogspot.com/2011/03/elas.html' title='Elas'/><author><name>CMata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12803581531108411574</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://2.bp.blogspot.com/_n_0WB6ohfsc/SXFCmyxXa1I/AAAAAAAABA4/HWvYy4E_t1Q/S220/IMG_0073smallCM.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-OR48xInKf3o/TY6eKxcp6bI/AAAAAAAACmo/YMr6EhOjB-E/s72-c/isabel%2Bgago.png' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36616367.post-7164730695232835029</id><published>2011-03-21T00:05:00.004Z</published><updated>2011-03-21T00:17:38.666Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Constatações'/><title type='text'>The Prime Minister’s speech (as delivered by the Chancellor of the Exchequer)</title><content type='html'>Não esta que passou, mas a sexta anterior, foi dia de dois discursos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À noite, o do rei Jorge VI de Inglaterra. Gostei do filme: foi-se ao que a História tem para dar e ensinar, quis-se fazer bem e saiu bem feito. Às vezes, a perfeição técnica pode tornar-se uma obra de arte – veja-se um Ferrari. Colin Firth, Geoffrey Rush e Helena Bonham Carter actuam esplendidamente ao contar-nos como um homem ajudou outro a vencer-se a si próprio e a cumprir o seu destino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/-Yx8CjqXP_V8/TYaW59HZf7I/AAAAAAAACls/NBaL2tjQdgo/s1600/el_discurso_del_rey_01.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 267px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-Yx8CjqXP_V8/TYaW59HZf7I/AAAAAAAACls/NBaL2tjQdgo/s400/el_discurso_del_rey_01.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5586318310201982898" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;O enredo de “O discurso do rei” romanceará certamente um pouco as situações, os diálogos, os sentimentos dos personagens, mas o discurso do rei, esse, é igualzinho ao verdadeiro que se pode ouvir &lt;a href="http://www.ibtimes.com/articles/107080/20110131/king-george-vi-s-speech-on-eve-of-world-war-ii-audio.htm"&gt;aqui&lt;/a&gt; na “Internet”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Calculo que não terá sido um momento fácil. O discurso anuncia uma guerra a um povo que ainda tinha na memória o horror das trincheiras de França e o destroçar de uma geração de jovens. Jorge VI justifica-a pelos valores que estão em jogo, os que a Alemanha queria impor e os que a Inglaterra queria defender. E não usa figuras de estilo quando se trata de dizer o que se passa e o que se vai seguir: “estamos em guerra”, “a tarefa será dura”, “podem vir aí dias negros”, “a guerra hoje já não se resume só ao campo de batalha”. Mas logo de seguida, naquela que é a chave do discurso, se percebe porque não ilude com rodriguinhos as provações que estavam para vir: “we can only do the right as we see the right”, só podemos fazer o que está certo se virmos o que está a certo. Apenas assim, partilhando a verdade, ele podia pedir aos que o ouviam que estivessem “prontos para qualquer tarefa ou sacrifício que possa ser exigido”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O discurso é curto, simples, directo e, sobretudo, não é paternalista. Não trata os seus destinatários como imbecis porque quem o profere tem a percepção que só pode unir as pessoas numa causa tão difícil se falar verdade e sem rodeios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para além do filme, sabemos hoje que Jorge VI e a sua mulher Isabel granjearam o afecto do seu povo, após alguma hostilidade inicial, partilhando os riscos e (alguns) sacrifícios dos londrinos durante a Batalha de Inglaterra. Escaparam por pouco à morte aquando de um bombardeamento do palácio de Buckingham em 1940. O papel de Isabel na manutenção do moral dos ingleses foi tão de monta que Hitler comentou que ela era a mulher mais perigosa da Europa. Surpreendeu-me há cerca de dez anos atrás, num período em que ia muito a Londres, o respeito e o carinho que ingleses da minha geração ou mais novos ainda sentiam por ela, a “Rainha-mãe”, apesar de na altura a consideração dos súbditos pela monarquia andar muito cá por baixo. A um ponto tal que alguns até achavam exagero. Por exemplo Mark Steele, que em “Vive la révolution”, usa a rainha-mãe como protótipo de um apego dos britânicos à realeza que os pode levar – cito – ao “abandono completo do pensamento racional”:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Quando a Rainha-mãe morreu fomos todos informados por infindáveis fontes dos seus gloriosos talentos, com um documentário a insistir que ela era uma ‘grande dançarina’ e ‘tremendamente perspicaz’. Fiquei à espera que o locutor continuasse com ‘também inventou o CD ROM e uma vez ganhou 38 a 7 às Índias Ocidentais’. Os noticiários estavam cheios de personagens como Norman St John-Stevas declarando que ‘Sabes, nunca teríamos ganho a guerra sem ela. Todas as noites pegava num Spitfire e enfrentava a Lutwaffe sobre o canal da Mancha. A RAF queria impedi-la mas ela insistia. Sabes, uma noite foi abatida sobre a França ocupada e ainda conseguiu regressar na manhã seguinte a tempo do render da guarda.’”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/-u6VBm1eQ3Hw/TYaW6J_daLI/AAAAAAAACl0/_vXUMWT3ocw/s1600/1%2Bbl%2BPhilip%2Bde%2BLaszlo%2B%2528Hungarian%2Bartist%252C%2B1869-1937%2529%2BElizabeth%2BBowes-Lyon%252C%2BDuchess%2Bof%2BYork%252C%2Blater%2BQueen%2BElizabeth%252C%2Bthe%2BQueen%2BMother%2B1925..jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 304px; height: 400px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-u6VBm1eQ3Hw/TYaW6J_daLI/AAAAAAAACl0/_vXUMWT3ocw/s400/1%2Bbl%2BPhilip%2Bde%2BLaszlo%2B%2528Hungarian%2Bartist%252C%2B1869-1937%2529%2BElizabeth%2BBowes-Lyon%252C%2BDuchess%2Bof%2BYork%252C%2Blater%2BQueen%2BElizabeth%252C%2Bthe%2BQueen%2BMother%2B1925..jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5586318313658345650" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Acaba por ser um parágrafo simpático para com a memória da senhora: um bom momento de humor britânico ainda constitui a melhor homenagem que um inglês pode receber.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante essa mesma sexta, na televisão e na “Internet”, fui apanhando os ecos do outro discurso: o nosso ministro das finanças anunciava a redução das pensões, a redução de comparticipações no IRS, a redução de custos com a saúde e a educação, a subida de alguns impostos. PEC 4, portanto. Alguns dias depois de o governo ter dito que nada disto era necessário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta receita não é obviamente dele, ministro, foi ditada pela União Europeia e em particular pela Alemanha, que hoje nos tutela e convoca como nos séculos XVIII e XIX a Inglaterra o fazia. E o discurso do ministro das finanças não é obviamente dele, é do primeiro-ministro. Que, tristemente, na hora de dar más notícias mandou alguém. Não o vi olhar as pessoas nos olhos e dizer: vêm aí dias negros, a situação do país é esta, o que vai acontecer é isto e senão a alternativa era aquilo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há pessoas que têm essa característica: só conseguem transmitir boas novas, reais ou imaginárias. À noite lá apareceu no telejornal, em Bruxelas, comentando este pacote com a distância com que se poderia falar de uma ocorrência em Nairobi ou de um acidente no México. A execução orçamental vai bem, para não dizer muito bem – afirmava. Muito bem será expressão grande demais para o momento, julgo eu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se o nosso primeiro-ministro ou outros que o precederam estivessem em 1939 sentados no trono do império britânico, mandariam um ministro fazer o seguinte discurso:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Por razões que se prendem exclusivamente com o contexto político europeu, com o qual não temos nada a ver, iremos manifestar de forma veemente à Alemanha o nosso desagrado com a invasão da Polónia, nos termos dos tratados que temos firmados com os nossos aliados. Tal poderá acarretar alguns sacrifícios, que esperamos breves, por parte dos ingleses, mas o governo irá trabalhar todos os dias para minorar os inconvenientes que esta situação possa acarretar para a maioria dos cidadãos.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seguia-se uma conferência de imprensa:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Senhor ministro, quer isso dizer que estamos em guerra com a Alemanha?&lt;br /&gt;- Sabe, penso que não devemos dramatizar com palavras que só podem contribuir para uma instabilidade que o país não precisa neste momento. O governo vai acompanhar a par e passo a situação e tomará as medidas adequadas em função do desenrolar dos acontecimentos.&lt;br /&gt;- Iremos enviar tropas para o continente?&lt;br /&gt;- As nossas forças armadas estão capacitadas para exercer a sua missão em vários cenários possíveis, em função do que as contingências determinem.&lt;br /&gt;- A Alemanha vai bombardear-nos?&lt;br /&gt;- A nossa previsão aponta para que, mesmo que se confirmasse a eventualidade – que não esperamos – de algum avião sobrevoar o nosso território, as bombas alemãs não atinjam o solo, ficando estáticas a 348 metros de altura, no cenário inferior.&lt;br /&gt;- Mas senhor ministro, a generalidade dos analistas militares têm afirmado que as bombas quando largadas atingem o solo.&lt;br /&gt;- Não quero neste momento especular sobre um cenário que ainda não se verificou nem creio que se venha a verificar.&lt;br /&gt;- Mas senhor ministro, o chefe do gabinete-sombra, Dr. Peter Steps Rabbit afirmou recentemente que uma bomba no chão explode e mata a gente!&lt;br /&gt;- No plano teórico, é possível que uma bomba possa, sob efeito de uma onda de pressão interna inerente a uma reacção química, perder a sua unidade material e perturbar dessa maneira a continuidade de unidades biológicas de carbono que se encontrem na vizinhança. Mas eu não queria embarcar nessa atitude da oposição de politização de uma questão que é do interesse nacional e que requer, antes do mais, estabilidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;And so on…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não discuto aqui, neste momento, da necessidade das medidas, nem das causas, nem das culpas. Fico-me para já um passo atrás. A pensar que só podemos fazer o que está certo se virmos o que está a certo, como disse Jorge VI. Que as pessoas só compreenderão se lhes falarem a verdade nos olhos, sem subterfúgios, sem politicamente correctos, sem panos quentes, com a hombridade que os momentos requerem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/-hpksetj88Rk/TYaYLR3ivQI/AAAAAAAACl8/0fWxti3G3j0/s1600/soares%2Bpinto%2B2.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 300px; height: 168px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-hpksetj88Rk/TYaYLR3ivQI/AAAAAAAACl8/0fWxti3G3j0/s400/soares%2Bpinto%2B2.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5586319707342028034" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Recordo, em tempo da minha vida, duas crises financeiras desta magnitude, com FMI à mistura. E recordo o primeiro-ministro da época, ele próprio e mais ninguém, a dirigir-se aos portugueses a explicar que a coisa estava preta e o que tinha que ser feito. Podia ter muitos defeitos, mas esta lisura ninguém lha tira. Pena que o exemplo não tenha pegado, parece-me que desde então.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36616367-7164730695232835029?l=mataspeak.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mataspeak.blogspot.com/feeds/7164730695232835029/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36616367&amp;postID=7164730695232835029' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36616367/posts/default/7164730695232835029'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36616367/posts/default/7164730695232835029'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mataspeak.blogspot.com/2011/03/prime-ministers-speech-as-delivered-by.html' title='The Prime Minister’s speech (as delivered by the Chancellor of the Exchequer)'/><author><name>CMata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12803581531108411574</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://2.bp.blogspot.com/_n_0WB6ohfsc/SXFCmyxXa1I/AAAAAAAABA4/HWvYy4E_t1Q/S220/IMG_0073smallCM.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-Yx8CjqXP_V8/TYaW59HZf7I/AAAAAAAACls/NBaL2tjQdgo/s72-c/el_discurso_del_rey_01.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36616367.post-2707685851060125797</id><published>2011-03-05T14:03:00.004Z</published><updated>2011-03-05T15:57:31.659Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Exposição fotográfica'/><title type='text'>Exposição fotográfica (XXXI) - Edição Especial Sierra Nevada - Outras cenas</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/-ki20aqCh2ug/TXJDLUcYhwI/AAAAAAAACjA/JgGY0W3Pmz8/s1600/reflexo.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 267px; height: 400px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-ki20aqCh2ug/TXJDLUcYhwI/AAAAAAAACjA/JgGY0W3Pmz8/s400/reflexo.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5580596750010844930" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Passeando ao fim de tarde em Pradollano&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/-QsJQZ-EOyLM/TXJDLJzav8I/AAAAAAAACi4/Ko50CRhBP1s/s1600/cadeira.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 267px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-QsJQZ-EOyLM/TXJDLJzav8I/AAAAAAAACi4/Ko50CRhBP1s/s400/cadeira.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5580596747154669506" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Crianças brincando em Pradollano. Alguém deixara uma cadeira de escritório no meio da neve, para contemplar confortavelmente a paisagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/-jfjaucpgrSA/TXJDK50pY0I/AAAAAAAACio/cXMXZ20pvek/s1600/apr%25C3%25A9s-ski.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 283px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-jfjaucpgrSA/TXJDK50pY0I/AAAAAAAACio/cXMXZ20pvek/s400/apr%25C3%25A9s-ski.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5580596742864855874" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;"Après-ski": esta podia chamar-se "o galã e o invejoso".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/-R3DtOalZsrA/TXJDLvCX4tI/AAAAAAAACjI/FHkoYUJHuTs/s1600/skis.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 267px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-R3DtOalZsrA/TXJDLvCX4tI/AAAAAAAACjI/FHkoYUJHuTs/s400/skis.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5580596757149508306" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Subindo na tele-cadeira Monachil&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/-NOXZyDSzNLo/TXJDVB6y_hI/AAAAAAAACjg/l8AyCqZPayY/s1600/cadeiras.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 268px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-NOXZyDSzNLo/TXJDVB6y_hI/AAAAAAAACjg/l8AyCqZPayY/s400/cadeiras.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5580596916836826642" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;A tele-cadeira Veleta, em Borreguiles&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/-0XX16v-Uj7E/TXJDKzwp-LI/AAAAAAAACiw/0Uz82gGOR_U/s1600/arlequim%2Be%2Bprofessor.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 267px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-0XX16v-Uj7E/TXJDKzwp-LI/AAAAAAAACiw/0Uz82gGOR_U/s400/arlequim%2Be%2Bprofessor.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5580596741237504178" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;O arlequim e o professor&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/-lKDmK27bxnQ/TXJDU2dYCGI/AAAAAAAACjY/4-bRYKxi-Xw/s1600/pai%2Be%2Bfilho.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 320px; height: 400px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-lKDmK27bxnQ/TXJDU2dYCGI/AAAAAAAACjY/4-bRYKxi-Xw/s400/pai%2Be%2Bfilho.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5580596913760634978" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Pai é sempre pai, mesmo a 2500 metros&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/-eZkSxnNpAtY/TXJDUoNZmUI/AAAAAAAACjQ/sozkajHuAkM/s1600/herdeiros.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 267px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-eZkSxnNpAtY/TXJDUoNZmUI/AAAAAAAACjQ/sozkajHuAkM/s400/herdeiros.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5580596909935532354" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;E a propósito de pais, o meu duplo legado ao planeta&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36616367-2707685851060125797?l=mataspeak.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mataspeak.blogspot.com/feeds/2707685851060125797/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36616367&amp;postID=2707685851060125797' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36616367/posts/default/2707685851060125797'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36616367/posts/default/2707685851060125797'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mataspeak.blogspot.com/2011/03/exposicao-fotografica-xxxi-edicao.html' title='Exposição fotográfica (XXXI) - Edição Especial Sierra Nevada - Outras cenas'/><author><name>CMata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12803581531108411574</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://2.bp.blogspot.com/_n_0WB6ohfsc/SXFCmyxXa1I/AAAAAAAABA4/HWvYy4E_t1Q/S220/IMG_0073smallCM.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-ki20aqCh2ug/TXJDLUcYhwI/AAAAAAAACjA/JgGY0W3Pmz8/s72-c/reflexo.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36616367.post-5277009680088179639</id><published>2011-03-05T13:53:00.004Z</published><updated>2011-03-05T14:02:29.428Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Exposição fotográfica'/><title type='text'>Exposição fotográfica (XXX) - Edição especial Sierra Nevada - Esquiadores e "snowboarders"</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/-NtrliBrGqvk/TXJBDSM4jFI/AAAAAAAACig/oW6eBQP0ELc/s1600/snowboarder%2Bverde%2Be%2Bvermelho.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 277px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-NtrliBrGqvk/TXJBDSM4jFI/AAAAAAAACig/oW6eBQP0ELc/s400/snowboarder%2Bverde%2Be%2Bvermelho.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5580594412946754642" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;No cruzamento da Áquila com a Maribel&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/-Y-5SkMrfUeU/TXJBDHBXdwI/AAAAAAAACiY/7ckwMMps1bM/s1600/snowboarder.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 267px; height: 400px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-Y-5SkMrfUeU/TXJBDHBXdwI/AAAAAAAACiY/7ckwMMps1bM/s400/snowboarder.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5580594409945659138" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Descendo a pista Prado de las Monjas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/-FMJLHGtpOwI/TXJBC9RGf7I/AAAAAAAACiQ/LGZdM9GYMiY/s1600/sms.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 267px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-FMJLHGtpOwI/TXJBC9RGf7I/AAAAAAAACiQ/LGZdM9GYMiY/s400/sms.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5580594407327301554" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Um SMS rápido ao pé da tele-cadeira Stadium&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/-mAEWm3M9shI/TXJBC9U9rRI/AAAAAAAACiI/lf1E54Kbdoc/s1600/rezando.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 315px; height: 400px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-mAEWm3M9shI/TXJBC9U9rRI/AAAAAAAACiI/lf1E54Kbdoc/s400/rezando.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5580594407343500562" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;"Snowboarders" descansando no cruzamento das pistas Maribel e Sol y Nieve&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/-_SLfrzSM9Ro/TXJA3MRmQCI/AAAAAAAACiA/8OY3ZTSHjn0/s1600/dom.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 267px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-_SLfrzSM9Ro/TXJA3MRmQCI/AAAAAAAACiA/8OY3ZTSHjn0/s400/dom.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5580594205197484066" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Este reza para que Deus lhe dê jeito&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/-GZp1RDMaxEc/TXJA2lsbGtI/AAAAAAAACh4/F4w0vVuC8yc/s1600/descansando.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 267px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-GZp1RDMaxEc/TXJA2lsbGtI/AAAAAAAACh4/F4w0vVuC8yc/s400/descansando.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5580594194841017042" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;E esta ficou muito tempo quietinha, a olhar o vale&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/-wfTDvqq1yqA/TXJA2mIrvYI/AAAAAAAAChw/G-tp69r8WWU/s1600/dan%25C3%25A7a%2Bsobre%2Besquis.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 267px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-wfTDvqq1yqA/TXJA2mIrvYI/AAAAAAAAChw/G-tp69r8WWU/s400/dan%25C3%25A7a%2Bsobre%2Besquis.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5580594194959547778" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Descendo a pista Copa del Mundo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/-wMvxwKwdeBg/TXJA2RyaBNI/AAAAAAAACho/p5JbDCFfrG8/s1600/cal%25C3%25A7as%2Bamarelas.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 328px; height: 400px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-wMvxwKwdeBg/TXJA2RyaBNI/AAAAAAAACho/p5JbDCFfrG8/s400/cal%25C3%25A7as%2Bamarelas.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5580594189497402578" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Fim do dia: chegada a Pradollano&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36616367-5277009680088179639?l=mataspeak.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mataspeak.blogspot.com/feeds/5277009680088179639/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36616367&amp;postID=5277009680088179639' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36616367/posts/default/5277009680088179639'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36616367/posts/default/5277009680088179639'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mataspeak.blogspot.com/2011/03/exposicao-fotografica-xxx-edicao.html' title='Exposição fotográfica (XXX) - Edição especial Sierra Nevada - Esquiadores e &quot;snowboarders&quot;'/><author><name>CMata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12803581531108411574</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://2.bp.blogspot.com/_n_0WB6ohfsc/SXFCmyxXa1I/AAAAAAAABA4/HWvYy4E_t1Q/S220/IMG_0073smallCM.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-NtrliBrGqvk/TXJBDSM4jFI/AAAAAAAACig/oW6eBQP0ELc/s72-c/snowboarder%2Bverde%2Be%2Bvermelho.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36616367.post-972078703436961806</id><published>2011-03-05T13:22:00.007Z</published><updated>2011-03-05T13:53:39.970Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Exposição fotográfica'/><title type='text'>Exposição fotográfica (XXIX) - Edição especial Sierra Nevada - Paisagem</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/-WVlfGZbL3aE/TXI7rwlXnnI/AAAAAAAACgo/-JQVf4U72Pw/s1600/pradollano.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 352px; height: 400px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-WVlfGZbL3aE/TXI7rwlXnnI/AAAAAAAACgo/-JQVf4U72Pw/s400/pradollano.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5580588511227518578" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Pradollano visto da pista Loma Dílar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/-3EyA4McvvUQ/TXI7_lbAV4I/AAAAAAAAChI/Ou-1TmpYdK0/s1600/rochedos.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 267px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-3EyA4McvvUQ/TXI7_lbAV4I/AAAAAAAAChI/Ou-1TmpYdK0/s400/rochedos.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5580588851828643714" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Subindo na "bolha" até Borreguiles&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/-qmGlI5nMJm0/TXI7sfVrDeI/AAAAAAAAChA/pGdWu0GASBc/s1600/lua.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 267px; height: 400px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-qmGlI5nMJm0/TXI7sfVrDeI/AAAAAAAAChA/pGdWu0GASBc/s400/lua.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5580588523778149858" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;A lua sobre a Loma de Dílar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/-vjywoW8tPYc/TXI7sEXmidI/AAAAAAAACg4/Qku_vEkoddY/s1600/nuvens.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 267px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-vjywoW8tPYc/TXI7sEXmidI/AAAAAAAACg4/Qku_vEkoddY/s400/nuvens.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5580588516538485202" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Vista desde Pradollano&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/-3CNcK4KfMs4/TXI7sOMg3wI/AAAAAAAACgw/G-oDW5GQ7to/s1600/Por%2Bdo%2Bsol.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 267px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-3CNcK4KfMs4/TXI7sOMg3wI/AAAAAAAACgw/G-oDW5GQ7to/s400/Por%2Bdo%2Bsol.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5580588519176331010" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;As primeiras casas de Pradollano&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/-A8gaI4mzuqg/TXI7_4FpIQI/AAAAAAAAChY/PWD07dXpb_4/s1600/paus%2Bamarelos.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 267px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-A8gaI4mzuqg/TXI7_4FpIQI/AAAAAAAAChY/PWD07dXpb_4/s400/paus%2Bamarelos.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5580588856839315714" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;A pista Universíada&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/-NfygxPkG29I/TXI8AKPZaOI/AAAAAAAAChg/UUSIl-MRpMg/s1600/paus.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 267px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-NfygxPkG29I/TXI8AKPZaOI/AAAAAAAAChg/UUSIl-MRpMg/s400/paus.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5580588861712066786" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;A pista Universíada com um tipo espetado lá no meio&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/-XRQmFaPELuE/TXI7_9cw32I/AAAAAAAAChQ/g1xFL02AV2Y/s1600/silhuetas.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 292px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-XRQmFaPELuE/TXI7_9cw32I/AAAAAAAAChQ/g1xFL02AV2Y/s400/silhuetas.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5580588858278469474" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Pôr-do-sol sobre Pradollano&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36616367-972078703436961806?l=mataspeak.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mataspeak.blogspot.com/feeds/972078703436961806/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36616367&amp;postID=972078703436961806' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36616367/posts/default/972078703436961806'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36616367/posts/default/972078703436961806'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mataspeak.blogspot.com/2011/03/exposicao-fotografica-xxix-edicao.html' title='Exposição fotográfica (XXIX) - Edição especial Sierra Nevada - Paisagem'/><author><name>CMata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12803581531108411574</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://2.bp.blogspot.com/_n_0WB6ohfsc/SXFCmyxXa1I/AAAAAAAABA4/HWvYy4E_t1Q/S220/IMG_0073smallCM.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-WVlfGZbL3aE/TXI7rwlXnnI/AAAAAAAACgo/-JQVf4U72Pw/s72-c/pradollano.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36616367.post-5195109709748343878</id><published>2011-03-05T01:55:00.015Z</published><updated>2011-03-07T17:23:06.766Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Nostalgias'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Meditações'/><title type='text'>Notas de uma semana nevada</title><content type='html'>&lt;div style="TEXT-ALIGN: center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;Do domingo anterior ao sábado que passou, uma semana de família e de esqui nas alturas da Sierra Nevada. Algumas notas desses dias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;On the road&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sempre são setecentos e tal quilómetros e eu não perdi o meu velho hábito de dormir pouco na noite anterior a grandes viagens. Entre a adrenalina da partida, o fecho das malas, a sua reabertura, o seu refecho e o que falta à vigésima quinta hora e que não se encontra nem por nada, passam as três e tal da manhã e eu não prego olho. Às sete o despertador buzina impenitente o seu vagido electrónico, arrancando-me ao primeiro sono. Espeto com a cara debaixo da torneira, bebo a cafézada da ordem mas é com as pálpebras a meia-haste que me sento no carro, para mais uma jornada de terror nas estradas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Evito o habitual atalho pitoresco de Ficalho, Rosal de la Frontera, Jabugo e Aracena, com paragem nesta última para excelentes tapas no Manzano. Vou antes directo ao Algarve para depois rumar a Espanha, aproveitando que o Zapatero ainda não recebeu ordens de Berlim para portajar as autoestradas. De modo a não adormecer ao volante, recorro ao meu vezeiro e infalível truque: música da pesada, que chegue para me manter desperto durante todo o caminho. Desta feita e dado o comprido trajecto:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- o “Live at Leeds” dos The Who, edição alargada com a ópera “Tommy” em bónus;&lt;br /&gt;- um “best of” do Frank Zappa;&lt;br /&gt;- uma compilação de “reggae” de Trinidade e Tobago que comprei no aeroporto de Port-of-Spain; para quem não sabe, no que toca a potência, Trinidade 1 – Jamaica 0;&lt;br /&gt;- o “2001 Odisseia no chaço” dos Ena Pá 2000;&lt;br /&gt;- o “Viva!” dos Roxy Music, o melhor álbum ao vivo de sempre – desculpa lá, ó NF.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já rolamos há mais de uma hora na infindável A92, entre Sevilha e Granada, quando me aventuro a fazer deslizar o cêdê dos Ena Pá pela fenda do leitor. De imediato há protestos e há tumulto. Uma das coisas que me une à minha cara-metade, para além dos laços do matrimónio, é o não conseguirmos ficar indiferentes a Manuel João Vieira. Só que com sinais opostos: ela acha-o o último dos barrascos, eu acho-o um Gil Vicente dos nossos tempos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vieira canta: “Tenho pança de Super Bock/E o fígado é o do Capitão Haddock”. Tento argumentar que temos que ir prá aí a Cesário Verde ou a Camilo Pessanha para encontrar palavras tão rombas arrumadas com tamanho aprumo. Mas não a comovo. Ejecto por isso os Ena Pá, de modo a não estragar o início de férias e é aquecidos pela voz de galã roqueiro do Brian Ferry e pelo som dos Roxy que assistimos com um deleite sempre renovado ao crescendo em altura das montanhas da serra nevada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/-urz8cdBUJPo/TXGY9PHdy1I/AAAAAAAACfo/RxBbG2g0b1c/s1600/ena%2Bp%25C3%25A1.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 259px; DISPLAY: block; HEIGHT: 194px; CURSOR: pointer" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5580409591086041938" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/-urz8cdBUJPo/TXGY9PHdy1I/AAAAAAAACfo/RxBbG2g0b1c/s400/ena%2Bp%25C3%25A1.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;A room with a view&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nas outras vindas à Sierra Nevada, ficáramos num Meliá, o Sol y Nieve. Desta feita, com atitude de crise, baixámos umas coroas valentes no orçamento e uma estrela no hotel e experimentámos o vizinho Zyriab. Em boa hora o fizemos: o Ziryab tem quartos mais aconchegantes, um aquecimento mais eficaz, uma melhor cozinha e os armários dos esquis encostadinhos à bolha que nos ascende até Borreguiles, sítio de onde partimos a esquiar, poupando-nos assim a duas travessias diárias da aldeia de Pradollano de esquis às costas e botas nos pés. E tem também um nome que faz sentido nestas paragens que viram partir os últimos mouros, há pouco mais de quinhentos anos. Adiante veremos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/-GHi2XV7O-1o/TXGahZ0SBII/AAAAAAAACgg/vZ0jFt91gTs/s1600/janela.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0pt 0pt 10px 10px; WIDTH: 267px; FLOAT: right; HEIGHT: 400px; CURSOR: pointer" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5580411311945286786" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/-GHi2XV7O-1o/TXGahZ0SBII/AAAAAAAACgg/vZ0jFt91gTs/s400/janela.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;O hotel foi construído adossado à escarpa. Entra-se pelo piso zero, ao nível da praça principal, onde se trata da papelada e desce-se aos quartos, todos orientados para a montanha, todos com uma vista que lembra um quadro. Ou melhor vários, porque um quadro que vai mudando consoante a hora, o vigor do sol, os caprichos do tempo. De manhã, a encosta que sobe para a Loma de Dílar e que ocupa grande parte da nossa janela no 334 amanhece de um cinzento metálico, mas por pouco tempo: o sol, vencendo finalmente os picos de Alcazaba e de Mulhacén, rapidamente a dardeja e a inunda de um branco luminoso, apenas interrompido pela fuligem de algumas rochas mais temerárias, que ofusca com o seu vigor um céu de um azul fundo e sem mácula. As nuvens, quando vêm, não chegam tão alto: arrumam-se como um rebanho de ovelhas celestes no fundo do vale que serpenteia à nossa frente, pastam tranquilas a vegetação rala que cresce ao longo dos arroios e tapam a sucessão sem fim de cumeadas. À tarde, à medida que o sol roda para oeste, o branco vai azulando, até que desaparece de escuro quando o crepúsculo pinta de vermelho e amarelo a linha do horizonte. Caída a noite, a montanha torna-se um fantasma, uma presença, difusa mas certa: é a hora das raposas, que a pintalgam com as pegadas delicadas que nos intrigarão no dia seguinte, aproximando-se dos homens adormecidos. Cheguei a ver uma a altas horas no parque de estacionamento, possivelmente ao cheiro dos caixotes, deslizando ligeira entre os carros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo isto por três estrelas. Fico sem entender quais os estelares critérios de atribuição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;Zyriab&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que eu nunca tivesse ouvido falar de Zyriab diz muito sobre o pouco que sei, mas também sobre a ignorância que temos, em Portugal, em relação a um período da nossa história quase tão longo como o que começa com Afonso Henriques.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/-jaSREpUHtU0/TXGZsJ1GmfI/AAAAAAAACgA/9zeY7meHn58/s1600/zyriab.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0pt 10px 10px 0pt; WIDTH: 267px; FLOAT: left; HEIGHT: 400px; CURSOR: pointer" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5580410397120698866" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/-jaSREpUHtU0/TXGZsJ1GmfI/AAAAAAAACgA/9zeY7meHn58/s400/zyriab.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;Zyriab significa melro em árabe e foi alcunha de Abu l-Hasan Ali Ibn Nafi’, músico nascido em Bagdad no século IX. Melro pela tez escura e pela veloz melodiosa. A lenda diz que Zyriab trabalhou no palácio do califa Harum El-Rashid, onde deu nas vistas pelo talento e atraiu o ciúme do seu mentor, Al-Mawsili, que se tinha por favorito do califa. Como ainda nos nossos dias acontece, Al-Mawsili sentiu-se ameaçado e montou uma estrangeirinha a Zyriab, que teve que se exilar, primeiro para o norte de África, depois para a Córdoba omeíada, onde o califa Abd al-Rahman II o acolheu e fez dele o músico da corte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Zyriab foi, como muitos sábios muçulmanos dessa época, um enciclopedista ainda antes do conceito ter sido enunciado. Para além de músico, cantor e compositor, trabalhou em astronomia e geografia e introduziu na península vários hábitos refinados trazidos da capital do império. Consta que a ele devemos a partição da refeição em sopa, prato e sobremesa, a utilização de copos de cristal, o consumo de espargos, o uso de pasta de dentes, a depilação feminina, o corte da franja e outras maldades do género.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Compôs mais de mil canções, integrando elementos das diversas regiões por onde passou e criou um estilo que ainda hoje sobrevive como o mais tradicional no Magrebe, com um nome que não deixa dúvidas sobre a sua origem, o “andalou”. Ouvi pela primeira vez “andalou” ao vivo num almoço em Argel. Comentei com um comensal argelino sobre a tristeza da sonoridade, tão diferente do saltitante “raï” que se houve nas ruas. Explicou-me ele: “está para nós como o fado está para vocês”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Modificou ainda o alaúde, o seu instrumento preferido. Na altura tinha quatro cordas, representando os quatro humores da medicina antiga (sangue, linfa, bílis e atrabílis). Zyriab introduziu uma quinta, no meio das outras, que disse representar a alma. Apreciei a poesia contida neste gesto: a música será coisa de gente de carne e osso, mas não deixa nunca de ter o seu toque divino. Nisto terá pensado certamente Paco de Lucia quando escreveu a homenagem a Zyriab que vos deixo já a seguir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;iframe title="YouTube video player" height="390" src="http://www.youtube.com/embed/AImahLcp0r4" frameborder="0" width="480" allowfullscreen=""&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;A perfeição das crianças&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Inscrevi-me como usualmente nas aulas de esqui. A triagem fez-se numa encosta moderada e tentei um “slalom” o mais escorreito possível mas não enganei o olhar treinado dos monitores. Fui colocado num nível “cê menos”, equivalente a nabo com alguma experiência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O meu professor chamava-se Valter e era italiano das Dolomitas, mas falava um espanhol perfeito. E bom inglês também, o que fez com que na nossa aula, que era de adultos, fosse colocada a pequena Lucy, inglesa de oito anos, que se tornou a mascote da turma, composta por dois portugueses e quatro espanhóis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As aulas de esqui têm algo de recruta. Terminado um exercício, o Valter, com ar de sargento desapontado com o pelotão, alinhava-nos a todos na pendente e lia-nos o rol das desgraças: “Ninguém inclinou o corpo como devia. Numa pista inclinada a sério iam todos por ali abaixo. Carlos, o joelho de jusante tem que ser flectido; Margarida, o corpo inclina-se para o vale; Vicente, o torso não se roda para trás; etc.”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A seguir vinha o castigo, normalmente um exercício que nos parecia de grande complexidade: “Descemos em fila até ao fim da pista, todos atrás de mim. Em cada início de curva, passamos progressivamente o peso da perna de jusante para a de montante, no momento em que o peso está equilibrado devemos estar de pé no ponto médio da curva e rodamos e transferimos o peso para a perna que está agora do lado do vale, terminamos a curva flectindo o joelho um pouco para dentro para sentir bem a aderência do canto do esqui, a anca um pouco para montante e os ombros um pouco para jusante mas sem rodar o tronco para trás, fazemos a diagonal com o olhar na ponta do esqui de jusante e com o esqui de montante sem estar solto. Perceberam?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mentíamos, afirmando que sim e o Valter virava-se para a Lucy, que assistira a toda a conversa muito direita, com um sorriso de bonequita e sem perceber obviamente uma única palavra e dizia-lhe: “Lucy, you just look at me when we go down and do exactly what I do”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Descíamos. A Lucy fazia bem e nós fazíamos mal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/-yFgctvpFxrE/TXGaJHVVsXI/AAAAAAAACgI/mOaRCj4-9d4/s1600/riesgo.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 267px; CURSOR: pointer" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5580410894666805618" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/-yFgctvpFxrE/TXGaJHVVsXI/AAAAAAAACgI/mOaRCj4-9d4/s400/riesgo.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;A montanha ciosa&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nevou muito este ano na Sierra Nevada. A neve acumulou-se nas pistas, engolindo vedações e baixando sinais das alturas para o nível chão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dias antes da nossa chegada ocorrera uma avalanche num vale contíguo à estância que colhera quatro montanhistas. Uma parede de três por três metros que varrera um quilómetro. Três deles conseguiram safar-se. O outro ainda não apareceu. O Valter concluía, pesaroso: “só o encontrarão na primavera, quando as neves fundirem”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A montanha, tal como o mar, reclama o seu quinhão para se dar aos homens. Muitas vezes o mar leva os menos preparados, os mais incautos. A montanha, essa, escolhe entre os mais aptos e afoitos, como se não suportasse que chegassem tão alto quanto ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;As cores&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma semana na neve recauchuta-me a alma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nas subidas nas cadeiras, terminado o esforço, as pernas baloiçando no vazio, o vento silvando nos ouvidos, bebo uma paz ímpar na visão dos cumes namorando o azul forte do céu e dos mantos brancos ondulando montanha abaixo, pontilhados apenas pelas pequenas formigas de esquis ou tábuas nos pés.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas quando olho mais de perto, parando para descansar à beira de uma pista, encanto-me talvez mais ainda com as cores pintando arte sobre a tela branca de neve e gelo. Pode ser o traço único e nervoso, azul ou vermelho, de um esquiador descendo veloz por uma pendente estreita ou a dança caleidoscópica de dezenas de pedaços de arco-íris ziguezagueando de largo em largo, percorrendo o leito do Rio em direcção a Pradollano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A montanha é uma feira. A montanha é uma festa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/-wEfJH4K043k/TXGaJeL0nzI/AAAAAAAACgY/r319oLKYixY/s1600/azul%2Bamarelo.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 267px; CURSOR: pointer" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5580410900800905010" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/-wEfJH4K043k/TXGaJeL0nzI/AAAAAAAACgY/r319oLKYixY/s400/azul%2Bamarelo.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;O incentivo das mulheres&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante cinco dias esquiei próximo de quatro horas de manhã e entre uma e três a seguir ao almoço. Nesta parte da tarde, fi-lo com os meus filhos, muito melhores praticantes do que eu, em troços difíceis e fisicamente mais puxados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegava ao hotel esfalfado e abatia-me sobre a cama, os bofes do lado errado, os joelhos em petição de miséria, mas com o sentimento do dever cumprido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aí ouvia aquelas palavras de incentivo de que só uma mulher é capaz: “Julgas que ainda tens vinte anos!”. Nesse momento, ficava com setenta. E muitos…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;A parede que não separa&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O único defeito que encontrámos no Zyriab residia numa insonorização manifestamente deficiente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sempre que chegava ou partia uma família, por vezes a desoras, rolando malas, ouvia-se um tropel que quando passava a nossa porta soava como o vigésimo de cavalaria chegando uma vez mais atrasado ao combate.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rapidamente descobrimos também que no quarto por cima do nosso se alojara uma família espanhola, em que o pequeno Javier maltratava a sua irmã mais nova, provocando a ira apopléctica do pai, o que por sua vez suscitava apelos à calma da mãe. Certa vez ouvimos o progenitor gritando mais desesperada e lancinantemente que o normal – “No, Javier, no!” – e temi ver passar a irmãzinha em voo picado diante da nossa janela. Noutra ouvimos algo cair pesadamente no chão, com um estrondo de terramoto, e logo pus a hipótese do coração sofrido do senhor não ter aguentado mais uma graçola do filho. Mas não, continuámos a ouvi-los nos restantes dias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No quarto ao lado, separado do dossel da nossa cama por uma fieira simples de tijolo, dormia um compressor a gasóleo. Ouvíamos um ruído grave, contínuo, modulado, de uma intensidade mecânica. Ainda pusemos a hipótese de ser um ser humano a ressonar, mas o som era demasiado forte. Um compressor, definitivamente, provavelmente um Atlas-Copco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A meio da semana, a turbomáquina foi substituída por uns gemidos “sui generis” que nos motivaram, da primeira vez que os ouvimos, uns comentários marotos. Este não deve ter ido esquiar, dizíamos, perante o sonoro afinco. Só que o vagido prosseguiu noite fora, levando-nos a suspeitar de sexo tântrico, e repetiu-se nas noites seguintes, o que nos fez pensar que teríamos o Zézé Camarinha no 333. Mas tântrico ou não, tanto era demais e de modo a não ficar desmoralizados optámos por concluir que não seria pagode, mas que de facto o nosso vizinho produzia mesmo aqueles sons enquanto dormia, sonhando com sabe-se lá o quê.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O meu pai, hoteleiro de uma vida, possuía um livrinho que ainda lá deve estar numa das estantes, de título “A hotel is a very funny place” ou coisa parecida. É-o de facto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;A visita do velho Mata&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/-j8Muq9t7R0U/TXGZW6D0LWI/AAAAAAAACf4/GjtuL1hWHn0/s1600/amartya-sens-the-idea-of-justice-book-10357.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0pt 10px 10px 0pt; WIDTH: 177px; FLOAT: left; HEIGHT: 255px; CURSOR: pointer" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5580410032110185826" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/-j8Muq9t7R0U/TXGZW6D0LWI/AAAAAAAACf4/GjtuL1hWHn0/s400/amartya-sens-the-idea-of-justice-book-10357.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;Pois já que falámos nele, digo que não pôde faltar, mas fez-se esperar até ao último dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Levo sempre muita leitura para a semana na neve, não vá passá-la num sofá de perna engessada. A questão acabou por não se pôr, mas sempre fui avançando num “The idea of justice”, de Amartya Sen, professor de filosofia e de economia em Cambridge e Harvard, prémio Nobel da economia em 1998. Como diz a nova geração, um ganda “nerd”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É um livro que não se lê: desbrava-se, à catanada. E depois há que examinar cada corte, cada folhagem decepada para perceber para onde fica o caminho naquele matagal de reflexão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na sexta-feira, consegui entrar no segundo capítulo, onde Sen fala da teoria da justiça de John Rawls, o mais importante autor sobre o tema da segunda metade do século XX, descrevendo-a para depois melhor discordar dela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sintetizando, Rawls diz que se pessoas em certas condições de imparcialidade (a cuja descrição vos vou poupar) discutirem quais os princípios que deverão reger o funcionamento e as instituições de uma sociedade idealmente justa, vão eleger de forma unânime dois deles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O primeiro desses dois princípios afirma que cada pessoa tem igual direito a um esquema adequado e igual de liberdades básicas que seja compatível com todos usufruírem do mesmo esquema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando li estas linhas, a minha mente viajou até um dia de 1975, em que eu acabara de lhe afirmar que podia fazer não-sei-o-quê porque agora havia liberdade. Estávamos no Verão Quente e tal certeza numa liberdade incontinente era fruta da época.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele respondeu, de um modo que eu entendi como um misto de firmeza e iluminação:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Estás enganado. A tua liberdade acaba onde começa a liberdade dos outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Embora fosse uma frase feita que ele estava a aproveitar, o tom com que a disse e a consciência que de imediato tive que não estava diante de uma teoria, mas de um modo de estar que ele praticava todos os dias, fizeram-me adoptar como minha esta máxima que não é outra coisa que o primeiro princípio de Rawls, só que exibido como ponto de partida e não como de chegada. Só que gerado pela virtude e não pela dedução lógica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde aí, procuro honrar aquelas palavras. Às vezes falho. Quando tal acontece, tento arrepender-me.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem, obrigado pela visita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já agora, o segundo princípio de Rawls estabelece que as desigualdades sociais e económicas só podem existir sob duas condições: a primeira é que tais desigualdades resultem de posições e lugares acessíveis a todos com igualdade de oportunidades; a segunda que essas desigualdades acabem por contribuir para uma melhor situação das pessoas em posição mais desfavorecida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cheira-me que o velho Mata também não desdenharia deste segundo. Só que, infelizmente, não descreve o mundo em que estamos. Nem o caminho em que seguimos. O liberal Rawls teria vergonha destes liberais de ocasião.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;Declaração final&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trinta horas com os pés em cima de duas tábuas em materiais compósitos. Duas ou três vezes estive vai-não-vai, balancei, tangueei e tudo o mais mas acabei por me aguentar de pé.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“La garde meurt mais ne tombe pas”.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36616367-5195109709748343878?l=mataspeak.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mataspeak.blogspot.com/feeds/5195109709748343878/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36616367&amp;postID=5195109709748343878' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36616367/posts/default/5195109709748343878'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36616367/posts/default/5195109709748343878'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mataspeak.blogspot.com/2011/03/notas-de-uma-semana-nevada.html' title='Notas de uma semana nevada'/><author><name>CMata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12803581531108411574</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://2.bp.blogspot.com/_n_0WB6ohfsc/SXFCmyxXa1I/AAAAAAAABA4/HWvYy4E_t1Q/S220/IMG_0073smallCM.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-urz8cdBUJPo/TXGY9PHdy1I/AAAAAAAACfo/RxBbG2g0b1c/s72-c/ena%2Bp%25C3%25A1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36616367.post-3336345969793950125</id><published>2011-01-30T01:17:00.009Z</published><updated>2011-01-30T11:42:32.401Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Indignações'/><title type='text'>Atrasados mentais</title><content type='html'>&lt;meta equiv="Content-Type" content="text/html; charset=utf-8"&gt;&lt;meta name="ProgId" content="Word.Document"&gt;&lt;meta name="Generator" content="Microsoft Word 10"&gt;&lt;meta name="Originator" content="Microsoft Word 10"&gt;&lt;link style="font-family: georgia;" rel="File-List" href="file:///C:%5CDOCUME%7E1%5CCARLOS%7E1%5CDEFINI%7E1%5CTemp%5Cmsohtml1%5C01%5Cclip_filelist.xml"&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:worddocument&gt;   &lt;w:view&gt;Normal&lt;/w:View&gt;   &lt;w:zoom&gt;0&lt;/w:Zoom&gt;   &lt;w:hyphenationzone&gt;21&lt;/w:HyphenationZone&gt;   &lt;w:compatibility&gt;    &lt;w:breakwrappedtables/&gt;    &lt;w:snaptogridincell/&gt;    &lt;w:wraptextwithpunct/&gt;    &lt;w:useasianbreakrules/&gt;   &lt;/w:Compatibility&gt;   &lt;w:browserlevel&gt;MicrosoftInternetExplorer4&lt;/w:BrowserLevel&gt;  &lt;/w:WordDocument&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;style&gt; &lt;!--  /* Style Definitions */  p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal 	{mso-style-parent:""; 	margin:0cm; 	margin-bottom:.0001pt; 	mso-pagination:widow-orphan; 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 &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: right; font-family: trebuchet ms;font-family:georgia;" align="right"&gt;&lt;span  lang="FR" style="font-size:85%;"&gt;C’est toujours l’enfance qui succombe »&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: right; font-family: trebuchet ms;font-family:georgia;" align="right"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span  lang="FR" style="font-size:85%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: right; font-family: trebuchet ms;font-family:georgia;" align="right"&gt;&lt;span  lang="FR" style="font-size:85%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: right; font-family: trebuchet ms;font-family:georgia;" align="right"&gt;&lt;span  lang="FR" style="font-size:9;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Jacques Prévert, in « L’enfance »&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: right; font-family: trebuchet ms;font-family:georgia;" align="right"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span  lang="FR" style="font-size:9;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;font-family:georgia;"  class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="" lang="FR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;font-family:arial;"  class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="" lang="FR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;font-family:times new roman;"  class="MsoNormal"&gt;Há neste mundo uma criança que corre o sério risco de ser condenada a prisão perpétua por um crime que cometeu com onze anos. Isto não se passa no Irão, nem nas províncias nortenhas da Nigéria, nem numa remota fronteira da China, nem em nenhum daqueles outros sítios que a nossa suficiência europeia consideraria como provável para albergar uma barbárie desta magnitude.&lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: trebuchet ms;font-family:times new roman;"  class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;font-family:times new roman;"  class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" face="times new roman" class="MsoNormal"&gt;Chama-se Jordan Brown, tem agora treze anos, matou a namorada do pai com um tiro de caçadeira, já foi julgada em primeira instância e é norte-americana. E nem sequer de um daqueles estados do “bible belt” povoados de gente dada à bizarria. Vive na Pennsylvania, sítio supostamente civilizado, um dos estados que fundou a união pela mão, entre outros, de Benjamin Franklin.&lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: trebuchet ms;" face="times new roman" class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" face="times new roman" class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;font-family:arial;"  class="MsoNormal"&gt;Pois na Pennsylvania, como em muitos outros estados, um menor de qualquer idade é julgado como um adulto até decisão em contrário de um juiz. A população prisional norte-americana conta actualmente com 2400 condenados a prisão perpétua por homicídios cometidos quando crianças. Com Jordan Brown, em todo caso, onze anos constitui novo recorde. E já enfrentou um primeiro juiz que achou que ele não deveria ser tratado como um menor.&lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: trebuchet ms;" face="arial" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" face="times new roman" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Muitas coisas separam os homens que por esse mundo fora são capazes do mais reles e cruel que a nossa espécie pode. Uns são camponeses miseráveis arrebanhados por senhores da guerra, outros desorientados em demanda do sectarismo que lhes dê um espúrio sentimento de sentido, outros ainda, pelos vistos, formados em leis. O que une então a catana do miliciano “hutu”, a bomba artesanal à cintura do terrorista checheno ou o martelo deste juiz norte-americano? O mesmo ódio inútil. A mesma oportunidade para mostrar quão fundos são os abismos a que podemos chegar. Pergunto-me se este juiz será por acaso pai, se haverá na sua casa de banho um espelho no qual ele se olhe todas as manhãs sem remorso, se terá alguma vez procurado entender o que diz o Novo Testamento da Bíblia que usa na sala de audiências e que provavelmente manuseia ao domingo na sua congregação, engravatado e luzidio.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: trebuchet ms;" face="times new roman" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" face="times new roman" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;font-family:georgia;"  class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;O rapaz, Jordan Brown, cometeu certamente um acto abominável. Fê-lo com a sua própria caçadeira, um modelo concebido especialmente para crianças. Pois. Ponham armas nas mãos das crianças e programas da Fox nas suas cabeças e as coisas são capazes de acontecer. O que Jordan Brown fez foi, repito, horrível, mas uma criança de onze anos não tem a mesma percepção de culpa e de consequência que um adulto. Não sei se a fronteira se encontra nos dezasseis ou nos dezassete ou nos dezoito anos. Nos onze não passa de certeza. Se a sociedade condenar esta criança a prisão perpétua puxa o gatilho uma segunda vez e perde a segunda ocasião de que dispôs.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: trebuchet ms;" face="georgia" class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" face="georgia" class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" face="arial" class="MsoNormal"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_n_0WB6ohfsc/TUS8Xa6siBI/AAAAAAAACdI/aEsiYL159ss/s1600/children_in_prison_postcard_totredjedel.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 271px; height: 400px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_n_0WB6ohfsc/TUS8Xa6siBI/AAAAAAAACdI/aEsiYL159ss/s400/children_in_prison_postcard_totredjedel.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5567782149885298706" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Nietzsche escreveu que a insanidade é rara no indivíduo, mas a norma nas sociedades ou nos países. Ao olhar para este caso, só lhe posso dar razão. Uma sociedade que prende para a vida uma criança de onze anos só pode ser constituída por atrasados mentais profundos, naquele que considero ser o mais genuíno sentido destas palavras e que se aplica não aos que por deficiência têm limitações mas aos que, podendo evitá-lo, escolhem a via da mais confrangedora estupidez, seja pela prática ou pelo silêncio. A mesma estupidez que levou à sala de tribunal esta criança algemada, pasme-se, nos pulsos e tornozelos. Valentões de merda!&lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: trebuchet ms;" face="arial" class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" face="arial" class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" face="arial" class="MsoNormal"&gt;Os fenícios sacrificavam crianças a Baal, por medo deste. Os norte-americanos imolam-nas na ara das suas erróneas concepções de justiça, provavelmente por medo de si próprios. Os Estados Unidos e a Somália são os únicos países que recusaram ratificar a Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos das Crianças (que proíbe penas perpétuas para menores de dezoito anos). Os Estados Unidos e a Somália! Excelente companhia que se devem fazer um ao outro...&lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: trebuchet ms;" face="times new roman" class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;Infelizmente, pouco conseguiremos fazer, até porque os Estados Unidos são, pequeno detalhe, uma super-potência. Mas podemos pelo menos contar e fazer com que a vergonha se vá, lentamente, propagando. Quando estiverem com um norte-americano, afectem primeiro ter o conhecimento geográfico médio lá deles – “Estados Unidos, isso fica… Deixa ver…” – para depois arrematarem: “Já sei! É aquele país onde as crianças podem ser condenadas à pena perpétua”. “Shame on them”, com liberalidade!&lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;P.S. Soube deste assunto por uma notícia escrita numa página dezoito de um Público, assinada por uma Susana Almeida Ribeiro. Já seria por si só sintomático de uma certa mentalidade que um assunto desta gravidade surja, discreto, numa décima-oitava página. Dirão: critérios editoriais. Pois a mim parecem-me mais critérios civilizacionais. Mas o que mais me chocou foi o tom acrítico com que o artigo foi escrito. Esta senhora jornalista, se tivesse que reportar os fornos crematórios de Auschwitz, fá-lo-ia certamente como se de um empreendimento industrial se tratasse. Ninguém lhe parece ter explicado que o excesso de objectividade pode-se tornar facilmente numa tomada de posição.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Mas o pior é quando diz: “Os EUA têm, porém, vindo a suavizar as suas políticas. Em 2005 o Supremo Tribunal aboliu a pena de morte para menores de dezoito anos. Em Maio passado, o mesmo tribunal decidiu que os menores não podiam ser condenados a penas perpétuas por outros crimes que não sejam o homicídio”. Suavizar? Será que, se os sudaneses reduzirem a força com que mandam as pedras nas lapidações, ela também vai dizer que os tribunais islâmicos estão a “suavizar” as suas práticas? Santa paciência. Onde leva a capacidade de abaixamento mental! &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36616367-3336345969793950125?l=mataspeak.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mataspeak.blogspot.com/feeds/3336345969793950125/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36616367&amp;postID=3336345969793950125' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36616367/posts/default/3336345969793950125'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36616367/posts/default/3336345969793950125'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mataspeak.blogspot.com/2011/01/atrasados-mentais.html' title='Atrasados mentais'/><author><name>CMata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12803581531108411574</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://2.bp.blogspot.com/_n_0WB6ohfsc/SXFCmyxXa1I/AAAAAAAABA4/HWvYy4E_t1Q/S220/IMG_0073smallCM.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_n_0WB6ohfsc/TUS8Xa6siBI/AAAAAAAACdI/aEsiYL159ss/s72-c/children_in_prison_postcard_totredjedel.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36616367.post-5429412245569415660</id><published>2011-01-24T23:23:00.004Z</published><updated>2011-01-24T23:37:04.837Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Exposição fotográfica'/><title type='text'>Exposição fotográfica (XXVIII) - e post nº 200</title><content type='html'>Este é o ducentésimo "post" deixado aqui no Mataspeak. Para celebrar este número, algumas fotos de gente que faz vida do comércio de rua ou de praça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_n_0WB6ohfsc/TT4KpYK8OkI/AAAAAAAACc4/uwuHRUV0nmM/s1600/Santinhos%2BPorto.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 263px; height: 400px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_n_0WB6ohfsc/TT4KpYK8OkI/AAAAAAAACc4/uwuHRUV0nmM/s400/Santinhos%2BPorto.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5565897895455767106" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Antiguidades, Ribeira de Gaia&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_n_0WB6ohfsc/TT4KuljGpvI/AAAAAAAACdA/cUnksjes_dM/s1600/Vendedora%2Bde%2Bleques.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 329px; height: 400px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_n_0WB6ohfsc/TT4KuljGpvI/AAAAAAAACdA/cUnksjes_dM/s400/Vendedora%2Bde%2Bleques.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5565897984946120434" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Leques na marginal de Torre de la Mar, Andaluzia&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt; &lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_n_0WB6ohfsc/TT4KpXVnroI/AAAAAAAACcw/QYYMEEQqmfM/s1600/Praca%2BPorto%2BCovo.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 267px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_n_0WB6ohfsc/TT4KpXVnroI/AAAAAAAACcw/QYYMEEQqmfM/s400/Praca%2BPorto%2BCovo.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5565897895232122498" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Banca de legumes na praça de Porto Covo&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_n_0WB6ohfsc/TT4Ko9l4r2I/AAAAAAAACco/70ag_Ay8FXw/s1600/Mojitos.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 274px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_n_0WB6ohfsc/TT4Ko9l4r2I/AAAAAAAACco/70ag_Ay8FXw/s400/Mojitos.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5565897888321023842" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;"Mojitos" a 5€ o copázio na "Feria de Málaga"&lt;br /&gt;&lt;/div&gt; &lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_n_0WB6ohfsc/TT4KcBvCuoI/AAAAAAAACcg/a01Wp6IXrTs/s1600/J%25C3%25B3ias%2BTorre.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 267px; height: 400px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_n_0WB6ohfsc/TT4KcBvCuoI/AAAAAAAACcg/a01Wp6IXrTs/s400/J%25C3%25B3ias%2BTorre.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5565897666094873218" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Jóias baratuchas na marginal de Torre de la Mar, Andaluzia&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_n_0WB6ohfsc/TT4Kb841C5I/AAAAAAAACcY/ovtJYscD1pI/s1600/Chap%25C3%25A9us%2BBruxelas.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 267px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_n_0WB6ohfsc/TT4Kb841C5I/AAAAAAAACcY/ovtJYscD1pI/s400/Chap%25C3%25A9us%2BBruxelas.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5565897664793742226" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Chapéus de malha em Bruxelas&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_n_0WB6ohfsc/TT4KbYn_RbI/AAAAAAAACcQ/ndh86Bzzp-w/s1600/Bujigangas.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 267px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_n_0WB6ohfsc/TT4KbYn_RbI/AAAAAAAACcQ/ndh86Bzzp-w/s400/Bujigangas.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5565897655059432882" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Mais jóias baratuchas (e um olhar cansado) na marginal de Torre de la Mar, Andaluzia&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36616367-5429412245569415660?l=mataspeak.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mataspeak.blogspot.com/feeds/5429412245569415660/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36616367&amp;postID=5429412245569415660' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36616367/posts/default/5429412245569415660'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36616367/posts/default/5429412245569415660'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mataspeak.blogspot.com/2011/01/exposicao-fotografica-xxviii-e-post-n.html' title='Exposição fotográfica (XXVIII) - e post nº 200'/><author><name>CMata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12803581531108411574</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://2.bp.blogspot.com/_n_0WB6ohfsc/SXFCmyxXa1I/AAAAAAAABA4/HWvYy4E_t1Q/S220/IMG_0073smallCM.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_n_0WB6ohfsc/TT4KpYK8OkI/AAAAAAAACc4/uwuHRUV0nmM/s72-c/Santinhos%2BPorto.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36616367.post-3641473210791432638</id><published>2011-01-23T01:17:00.008Z</published><updated>2011-01-23T11:32:05.238Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Abardinanços'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Constatações'/><title type='text'>A importância do dado</title><content type='html'>&lt;meta equiv="Content-Type" content="text/html; charset=utf-8"&gt;&lt;meta name="ProgId" content="Word.Document"&gt;&lt;meta name="Generator" content="Microsoft Word 10"&gt;&lt;meta name="Originator" content="Microsoft Word 10"&gt;&lt;link rel="File-List" href="file:///C:%5CDOCUME%7E1%5CCARLOS%7E1%5CDEFINI%7E1%5CTemp%5Cmsohtml1%5C01%5Cclip_filelist.xml"&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:worddocument&gt;   &lt;w:view&gt;Normal&lt;/w:View&gt;   &lt;w:zoom&gt;0&lt;/w:Zoom&gt;   &lt;w:hyphenationzone&gt;21&lt;/w:HyphenationZone&gt;   &lt;w:compatibility&gt;    &lt;w:breakwrappedtables/&gt;    &lt;w:snaptogridincell/&gt;    &lt;w:wraptextwithpunct/&gt;    &lt;w:useasianbreakrules/&gt;   &lt;/w:Compatibility&gt;   &lt;w:browserlevel&gt;MicrosoftInternetExplorer4&lt;/w:BrowserLevel&gt;  &lt;/w:WordDocument&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;style&gt; &lt;!--  /* Style Definitions */  p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal 	{mso-style-parent:""; 	margin:0cm; 	margin-bottom:.0001pt; 	mso-pagination:widow-orphan; 	font-size:12.0pt; 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Teve azar. Estreia-se com a eleição mais soporífera de que há memória desde que os tanques do MFA instauraram o actual regime.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_n_0WB6ohfsc/TTuB2yK8lyI/AAAAAAAACcA/fr_cvZgJvAA/s1600/Presidenciais2011.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 294px; height: 166px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_n_0WB6ohfsc/TTuB2yK8lyI/AAAAAAAACcA/fr_cvZgJvAA/s400/Presidenciais2011.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5565184542726985506" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;O incumbente Cavaco Silva, tal como o incumbente FC Porto, irá ser campeão logo na primeira volta. Os adversários mais directos pouco passaram do meio campo e só conseguiram rematar umas bolas de longe, que o Aníbal, com a experiência de muitos campeonatos, facilmente chutou para canto. Ficámos a saber que terá feito uma permuta fiscalmente manhosa e fomos relembrados (a notícia não era nova) que tomou parte em negócio com gente amiga que entretanto se tornou pária. Não muita massa, mas rendeu bem. Enfim, habilidades que meio país já fez e a outra metade não se importava de fazer. A parte simpática é que lhe vai ser mais difícil doravante dizer que “não sou dessas”, a última frase que costumam soltar antes de passar a sê-lo.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Tal como os adversários do FC Porto se consolam das cacetadas que levam com um despeito ressabiado, insinuando em bicos de pés sobre a corrupção da arbitragem e a falta de nível dos dirigentes nortenhos, os adversários de Cavaco, em vez de jogar à bola, vão-se auto-satisfazendo trocando impressões sobre a “falta de cultura” e o “ar hirto” do homem de Boliqueime. Suponho que será para o lado que o Cavaco dorme melhor.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;As referências sobranceiras e classistas de uma certa “esquerda chique” sobre Cavaco sempre me irritaram porque têm um significado muito claro: incomoda a essa gente que o filho de um gasolineiro chegue a Presidente da República. Para essa malta, de que Teresa Villaverde e uma Raquel Freire que se diz cineasta são abetardos exemplos no Público desta sexta, Cavaco é um “de fora do nosso grupo, que somos cultos e relax”. E logo usurpou um poder que não lhe cabe. A esta pseudo-esquerda, de cujo nível cultural desconfio, recomendo algumas leituras sobre a Igualdade e o esforço que alguns despenderam e o sangue que alguns verteram para que ela fosse maior: &lt;a href="http://www.leiloes.net/upload_tmp/1/img_6750081_1250583211_abig.jpg"&gt;esta&lt;/a&gt;, &lt;a href="http://www.amazon.co.uk/gp/product/images/0747583862/ref=dp_image_0?ie=UTF8&amp;amp;n=266239&amp;amp;s=books"&gt;esta&lt;/a&gt; e &lt;a href="http://www.amazon.co.uk/Vive-Revolution-Mark-Steel/dp/0743208064/ref=sr_1_1?ie=UTF8&amp;amp;qid=1295747116&amp;amp;sr=8-1#reader_0743208064"&gt;esta&lt;/a&gt;, por exemplo.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;O “runner up” Manuel Alegre trocou a frutífera liberdade das eleições anteriores por uma camisa que só tem duas varas, mas varas grandes: os apoios de um Partido Socialista com reserva mental e de um Bloco de Esquerda com reserva mental. Como a intersecção ideológica entre o PS socrático e governante e o BE louçanico e oposicionista se reduz para aí ao casamento homossexual, tema que não chega para tantos dias de campanha, para não melindrar ninguém resta a Alegre disparar contra Cavaco. Por azar, quando o tema do BPN estava a começar a aquecer, apareceu-lhe aquela história do BPP que o baralhou um bocadinho. E a mim também: ainda não percebi onde é que está o cheque. Tem-no ele, a secretária, o BPP, a agência de publicidade? Ainda estará em trânsito no correio? Alguém se atravessa? Se ninguém o quiser eu fico com ele!&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;O “outsider” Fernando Nobre foi para mim a maior desilusão destas eleições. Não percebeu o básico: ser (e relembrar imparavelmente que se é) boa pessoa não chega para convencer o eleitorado. Algumas ideias para o futuro também convinham. Os ingleses, para derrotar os nazis, elegeram um misógino alcóolico com mau feitio e esqueletos no armário mas que tinha um programa claríssimo: arrebentar com eles. Feito esse serviço, sem qualquer gratidão, elegeram outro diferente logo a seguir à guerra. Ninguém nega e, julgo, todos admiram a obra humanitária de Fernando Nobre. Mas ele que não espere que uma multidão grata pelo seu passado benemérito o leve só por isso até à presidência. Nobre, infelizmente, exibiu uma imagem pálida dos candidatos ditos “oriundos da sociedade civil”, que vai deixar marcas e prejudicar novas aparições nos próximos tempos.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;O PCP decidiu desta vez trocar o lado “avô Cantigas” do partido, representado em 2006 por Jerónimo de Sousa, pelo “dark side” de Francisco Lopes que com aquele olhar licantrópico seguramente terá sido formado na distrital da Transilvânia do PC romeno. Com um registo mais próximo do aterrorizador Klaus Kinski que do sedutor Christopher Lee, Francisco Lopes não deverá atrair muitos pescoços para a dupla dentada.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;O Defensor Moura… Não me ocorre nada para dizer sobre o Defensor Moura, desculpem lá.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;O Coelho da Madeira (&lt;i&gt;Oryctolagus madeirensis)&lt;/i&gt;&lt;span style=""&gt; é um castiço que veio provar que a sucessão do Alberto João é possível. Afinal aquilo pega-se e deve haver lá mais assim. Gostei do táxi e do fato a condizer com a cor do táxi. Do carro funerário também.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_n_0WB6ohfsc/TTuB3E-xJ3I/AAAAAAAACcI/EgNmEAdHzXE/s1600/JoseManuelCoelho.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 204px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_n_0WB6ohfsc/TTuB3E-xJ3I/AAAAAAAACcI/EgNmEAdHzXE/s400/JoseManuelCoelho.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5565184547776178034" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;De resto, a campanha foi o habitual grau zero da política, com arruadas – palavra da moda que rima com burricadas, putos das jotas de bandeirinha, bacalhaus às mãos-cheias, beijocas às velhotas, repórteres explorando os limites mais recônditos da idiotia, debates não debatidos, moderadores imoderados, fuga às questões incómodas e demagogia quanto baste.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Com este cenário, amanhã levarei no bolso um dado e rolá-lo-ei no privado da cabine de voto. Seis candidatos, seis faces do cubo, o dado que decida.&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36616367-3641473210791432638?l=mataspeak.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mataspeak.blogspot.com/feeds/3641473210791432638/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36616367&amp;postID=3641473210791432638' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36616367/posts/default/3641473210791432638'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36616367/posts/default/3641473210791432638'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mataspeak.blogspot.com/2011/01/importancia-do-dado.html' title='A importância do dado'/><author><name>CMata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12803581531108411574</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://2.bp.blogspot.com/_n_0WB6ohfsc/SXFCmyxXa1I/AAAAAAAABA4/HWvYy4E_t1Q/S220/IMG_0073smallCM.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_n_0WB6ohfsc/TTuB2yK8lyI/AAAAAAAACcA/fr_cvZgJvAA/s72-c/Presidenciais2011.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36616367.post-8214160488787406238</id><published>2011-01-22T03:12:00.012Z</published><updated>2011-09-06T14:25:10.258+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Nostalgias'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cromos da minha caderneta'/><title type='text'>Cromos da minha caderneta (I) – Os bombardeiros</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: left;"&gt;Nos meus dezasseis anos, a cena aventureira em mais alto grau, equivalente a uma missão de exploração à Antártida ou a um serviço de reportagem junto da guerrilha afegã, era uma ida ao dois.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;O dois, ou dois mil, ou dois mil e um de seu nome completo, abrigava-se debaixo de uma bancada do autódromo do Estoril e para mim, para nós, no sectarismo próprio dessas idades, era A &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;DISCOTECA&lt;/span&gt; ponto. Entrar no dois marcava a passagem à idade adulta. Os judeus têm o “bar mitzvah”, na América Latina celebram a “Quinceañera”, os japoneses ouvem as recomendações dos mais velhos no “seijin shiki”, as meninas de sociedade debutam no baile da especialidade. Eu entrei no dois e tornei-me este belo rapaz, assim, de repente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_n_0WB6ohfsc/TTpMirrAkcI/AAAAAAAACbw/w3L-yN0h8n8/s1600/2001.jpg"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5564844448292049346" src="http://3.bp.blogspot.com/_n_0WB6ohfsc/TTpMirrAkcI/AAAAAAAACbw/w3L-yN0h8n8/s400/2001.jpg" style="cursor: pointer; display: block; height: 255px; margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 375px;" /&gt;&lt;/a&gt;Ir ao dois não era coisa fácil. Como qualquer projecto, começava por um licenciamento: havia que convencer a autoridade paterna das vantagens pedagógicas do passeio. Usávamos duas linhas de argumentação principais: a compensatória, que implicava apresentar boas notas na semana anterior e a psico-preventiva, que recorria a argumentos como “só os parolos não vão; eu não quero ser parolo; ficaria deprimido se fosse parolo; por isso deixem-me ir”. Esta última lógica leibniziana nunca colou bem lá em casa. Assim sendo, tive que me socorrer da via compensatória, fazendo pela vida durante a semana. Deste modo oblíquo contribuiu o dois para a minha formação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A seguir ao licenciamento, passávamos ao financiamento. O objectivo consistia em financiar o projecto de ir ao dois mil e um só com capitais alheios, sem recurso ao nosso balanço – o qual andava sempre a roçar a falência técnica. Aprendi mais tarde que a isto se chamava um “project finance”. Só que neste caso a entidade financiadora coincidia com a licenciadora, já muito batida neste género de negociações. Tal como ocorre com as receitas fiscais dos governos mais recentes, o dinheiro sacado acabava sempre por ficar muito abaixo do orçamento previsto, obrigando à contingência de um rigoroso controlo de custos (como veremos), quando não ao impopular recurso a capitais próprios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Reunidas as condições, vestidas as calças de ganga rasgadas no joelho e calçados os ténis Adidas (a marca das três riscas), eu apanhava o 15 até um tasco infecto na Rua do Alecrim onde, juntamente com o resto da malta, podíamos subir a alcoolémia a preços baratos. Dali descíamos em bando ao Cais do Sodré, onde o comboio nos esperava de portas abertas para nos conduzir em alegre pagode até ao Estoril. Aí, com algum jeito convencíamos um taxista a levar-nos em grupos de quatro até ao parque do autódromo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A porta do dois estava barrada por um velho de cabelos grisalhos penteados com brilhantina, volumoso sem ser um Tarzan, alto sem ser um poste, severo sem ser antipático. De nome Sanches, era o porteiro. O Sanches detinha um poder de vida ou de morte sobre a nossa ida ao dois. Com um olhar e um gesto de mão, entrávamos. Com um pedido para ver o B.I., ficávamos fora. A passagem pelo porteiro era a provação final. No momento em que, na romaria da fila de entrada, nos aproximávamos do Sanches, sentíamos um temor reverencial. Para me fazer mais velho, esticava a coluna vertebral, estufava o peito, arvorava o meu ar mais imbecil, que eu tinha por sério. Com o tempo conclui que os patrões do Sanches queriam a casa cheia, e que o Sanches só não nos deixaria entrar se antevisse que podia haver fiscalização ou rusga. E com mais outro tempo o bilhete de identidade rodou para os dezoito e pude passar descontraído e sobranceiro por um Sanches que me parecia mais pequeno e menos poderoso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os bilhetes do dois permitiam, se bem me recordo, duas cervejas ou uma bebida, normalmente umas azurrapadas vodkas com laranja ou uns melosos runs com coca-cola. As jolas permitiam uma gestão mais criteriosa da liquidez – vide controlo de custos, parágrafo supra. A pista vibrava com o melhor rock, as luzes reflectiam nas gigantescas semi-esferas de espelhos. Dançava-se até às quatro da manhã, o limite à época para qualquer governo civil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O regresso fazia-se a pé. Mais controlo de custos. Cinco quilómetros e meio, medidos hoje no Google Maps. De caminho recontávamos a noite que passara, discutíamos os amores que não duraram e forjávamos as amizades que continuam imperturbáveis. Chegávamos à estação do Estoril pelas cinco e meia, para o primeiro trem. Secos, se não chovesse. Ensopados, se chovesse. Estoirados mas eufóricos, com qualquer tempo. No Cais do Sodré, o primeiro autocarro que subisse a colina acartava com o nosso cansaço pelo preço das nossas últimas moedas. Deitávamo-nos às sete para uma santa manhã de um sono comatoso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_n_0WB6ohfsc/TTpMiyPjmYI/AAAAAAAACb4/gDxK3U3qO-Q/s1600/b52s%2B2.jpg"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5564844450055952770" src="http://3.bp.blogspot.com/_n_0WB6ohfsc/TTpMiyPjmYI/AAAAAAAACb4/gDxK3U3qO-Q/s400/b52s%2B2.jpg" style="cursor: pointer; display: block; height: 358px; margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 358px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Noites memoráveis e memoradas muitas. Recordo uma ida ao dois mil precedida de jantar em Lisboa. Eu aprumara-me porque levava comigo uma menina chamada M em relação à qual eu nutria excelentes mas desonestas intenções. No restaurante, já sentado, vejo passar pela mão de um empregado uma sopa alentejana de muito boa pinta. Eu adoro sopa alentejana. Que fazer? A sopinha recendia, mas um prato de alho e coentro àquela hora iria reduzir dramaticamente as minhas hipóteses de sucesso junto da M. Não trouxera escova e pasta de dentes e ir ao hospital para uma lavagem de estômago não me parecia praticável. Que se lixe, pensei: no final, a gula falou mais alto e arrebentei com uma pratada de sopa alentejana. No caminho até ao dois tentei nunca virar a cara para a M e quando falava fazia-o de boca quase cerrada, o que me dava um ar ventríloquo e certamente pateta. A noite não começava bem. Mas mantinha uma esperança secreta que até ao Estoril o pifo se dissipasse, coisa que claro não aconteceu. O dois mil estava relativamente vazio e ficámos numa mesa no recesso que havia ao fundo do lado esquerdo. E lembro que no final consegui levar a minha avante, à custa de algum álcool, muito paleio e uma insistência que possivelmente roçou a violação. Roubei uns beijos à M que lhe devem ter sabido a açorda de coentrada, coitada. Claro que na segunda-feira, quando fui buscar a M à António Arroio e lhe peguei na mão, levei um par de patins que até desci a Alameda com eles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outra viva na lembrança passou-se no parque automóvel, ao baixo da escadaria de acesso, ao fim da noite. Já alguns de nós tinham carta de condução e carro do pai. Eu estava no banco de trás do carro do S, que pusera o motor a trabalhar, quando o F lhe pediu para abrir o vidro. Vinha tirar desforço de algo que se passara lá dentro, o que ocorria muitas vezes entre eles. O S baixou o vidro e a conversa foi azedando, num tom galaró. O F já discutia com a cabeça dentro do carro, encostada à cara do S. A dado momento o F meteu a mão para dentro da janela, para agarrar os colarinhos ao S, que decidiu nesse momento que melhor fazia em arrancar com o carro a toda a velocidade. Sabem aqueles desenhos animados em que o gato Silvestre, para escapar a um míssil, encolhe a cabeça para dentro do corpo? Pois foi assim que se passou. Eu quase juro que vi, naquela décima de segundo em que o S acelerou e desembraiou, a cabeça do F a recolher, penetrando a caixa torácica até ao diafragma, o coração e os pulmões em rebuliço perante a visita inesperada. Facto foi que o carro arrancou e o F contra toda a probabilidade não foi decapitado. E o S lá seguiu ao volante, a gola amarrotada e o orgulho vincado, rumo à Marginal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No momento em que entrei pela primeira vez no dois mil e um estava a tocar o “There’s a moon in the sky (called the Moon)” dos B-52s. Muitas vezes injustamente considerada uma banda menor, os B-52s criaram um pop alegre, frenético e inovador, cheio de “non sense”, próprio para festa e para dança. O seu som é emblemático de uma época, mas ouvidos passados trinta anos a guitarra de Ricky Wilson, a batida de Keith Strickland e o “guy vs. gals” de Fred Schneider, Cindy Wilson e Kate Pierson ainda soam frescos que nem uma alface canora. Do seu primeiro álbum, o da esplêndida capa amarela, oiçam uma das minhas favoritas, “Rock Lobster”, sobre uma festa de praia em que acaba tudo meio apanhado. Em memória do dois mil e um.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;iframe allowfullscreen="" frameborder="0" height="345" src="http://www.youtube.com/embed/Oh5J33KAaqw" width="420"&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;(O primeiro vídeo que aqui pus deixou de funcionar porque o Youtube recebeu queixas de violação de direitos de autor. Este é um pouco mais "creepy", mas até tem melhor qualidade de som e imagem.)&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36616367-8214160488787406238?l=mataspeak.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mataspeak.blogspot.com/feeds/8214160488787406238/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36616367&amp;postID=8214160488787406238' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36616367/posts/default/8214160488787406238'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36616367/posts/default/8214160488787406238'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mataspeak.blogspot.com/2011/01/cromos-da-minha-caderneta-i-os.html' title='Cromos da minha caderneta (I) – Os bombardeiros'/><author><name>CMata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12803581531108411574</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://2.bp.blogspot.com/_n_0WB6ohfsc/SXFCmyxXa1I/AAAAAAAABA4/HWvYy4E_t1Q/S220/IMG_0073smallCM.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_n_0WB6ohfsc/TTpMirrAkcI/AAAAAAAACbw/w3L-yN0h8n8/s72-c/2001.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36616367.post-2695456262976220215</id><published>2011-01-16T18:35:00.005Z</published><updated>2011-01-16T18:44:21.919Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Exposição fotográfica'/><title type='text'>Exposição fotográfica (XXVII)</title><content type='html'>Burgos, 12 para 13 de Janeiro de 2011&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_n_0WB6ohfsc/TTM6vQpAA7I/AAAAAAAACao/S8knMD1pQAY/s1600/Museu.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 267px; height: 400px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_n_0WB6ohfsc/TTM6vQpAA7I/AAAAAAAACao/S8knMD1pQAY/s400/Museu.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5562854548327891890" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Museu da Evolução Humana&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_n_0WB6ohfsc/TTM7GYjNNfI/AAAAAAAACbQ/XW8yWMzdcLU/s1600/Virgem.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 267px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_n_0WB6ohfsc/TTM7GYjNNfI/AAAAAAAACbQ/XW8yWMzdcLU/s400/Virgem.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5562854945588065778" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Adro da catedral&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_n_0WB6ohfsc/TTM6-wKYQoI/AAAAAAAACa4/XERy4rSTrt4/s1600/Peregrino.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 267px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_n_0WB6ohfsc/TTM6-wKYQoI/AAAAAAAACa4/XERy4rSTrt4/s400/Peregrino.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5562854814487429762" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;O peregrino de Santiago&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_n_0WB6ohfsc/TTM6vxGYbWI/AAAAAAAACaw/S_tI-8G2ePg/s1600/Namorados.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 267px; height: 400px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_n_0WB6ohfsc/TTM6vxGYbWI/AAAAAAAACaw/S_tI-8G2ePg/s400/Namorados.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5562854557041061218" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Rua de Santa Agueda&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_n_0WB6ohfsc/TTM6u5evDfI/AAAAAAAACag/Y3oFolJn0x8/s1600/%25C3%2581rvores.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 267px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_n_0WB6ohfsc/TTM6u5evDfI/AAAAAAAACag/Y3oFolJn0x8/s400/%25C3%2581rvores.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5562854542110821874" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Telhados de Santa Agueda&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_n_0WB6ohfsc/TTM6_kLz9vI/AAAAAAAACbI/a1XdXym_P0g/s1600/Porta%2Bde%2BSan%2BMartin.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 267px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_n_0WB6ohfsc/TTM6_kLz9vI/AAAAAAAACbI/a1XdXym_P0g/s400/Porta%2Bde%2BSan%2BMartin.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5562854828452083442" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Porta de San Martin&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_n_0WB6ohfsc/TTM6_CIc9BI/AAAAAAAACbA/vXuingAKEkg/s1600/Plaza%2BMayor.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 270px; height: 400px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_n_0WB6ohfsc/TTM6_CIc9BI/AAAAAAAACbA/vXuingAKEkg/s400/Plaza%2BMayor.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5562854819311186962" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Praça Maior&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36616367-2695456262976220215?l=mataspeak.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mataspeak.blogspot.com/feeds/2695456262976220215/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36616367&amp;postID=2695456262976220215' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36616367/posts/default/2695456262976220215'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36616367/posts/default/2695456262976220215'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mataspeak.blogspot.com/2011/01/exposicao-fotografica-xxvii.html' title='Exposição fotográfica (XXVII)'/><author><name>CMata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12803581531108411574</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://2.bp.blogspot.com/_n_0WB6ohfsc/SXFCmyxXa1I/AAAAAAAABA4/HWvYy4E_t1Q/S220/IMG_0073smallCM.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_n_0WB6ohfsc/TTM6vQpAA7I/AAAAAAAACao/S8knMD1pQAY/s72-c/Museu.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36616367.post-1087036613972645956</id><published>2011-01-16T17:23:00.008Z</published><updated>2011-10-28T02:13:59.211+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Admirações'/><title type='text'>Lições do pleistoceno</title><content type='html'>&lt;link href="file:///C:%5CDOCUME%7E1%5CCARLOS%7E1%5CDEFINI%7E1%5CTemp%5Cmsohtml1%5C01%5Cclip_filelist.xml" rel="File-List"&gt;&lt;/link&gt;&lt;style&gt; &lt;!--  /* Style Definitions */  p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal  {mso-style-parent:"";  margin:0cm;  margin-bottom:.0001pt;  mso-pagination:widow-orphan;  font-size:12.0pt;  font-family:"Times New Roman";  mso-fareast-font-family:"Times New Roman";  mso-fareast-language:EN-US;} @page Section1  {size:595.3pt 841.9pt;  margin:70.85pt 3.0cm 70.85pt 3.0cm;  mso-header-margin:35.4pt;  mso-footer-margin:35.4pt;  mso-paper-source:0;} div.Section1  {page:Section1;} --&gt; &lt;/style&gt;  &lt;br /&gt;&lt;div align="right" class="MsoNormal" style="text-align: right;"&gt;&lt;span lang="EN-GB" style="font-family: Arial; font-size: 78%;"&gt;“Love hides in the molecular structure”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right" class="MsoNormal" style="text-align: right;"&gt;&lt;span lang="EN-GB" style="font-family: Arial;"&gt;&lt;span style="font-size: 78%;"&gt;The Doors, in “Love hides”&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="EN-GB" style="font-family: Arial;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt; &lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt; &lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;No início do século passado, a construção de uma via-férrea de serviço a uma mina rasgou a direito pelo meio de uma colina em Atapuerca, local ermo nos arredores da cidade de Burgos. A “trinchera del ferrocarril”, como é hoje conhecida, seccionou o maciço cárstico, zona de rocha calcária onde naturalmente se formam cavernas, poços e outros ocos, e revelou algumas destas formações. Tal permitiu que se encontrassem em quantidade vestígios animais e humanos muito antigos. Nos últimos trinta anos, o sítio tornou-se um dos maiores centros mundiais de arqueologia paleolítica, tendo-se nele achado cerca de quatro quintos dos vestígios humanos até agora descobertos no planeta. &lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;Estive esta semana num encontro de empresa em Burgos, cidade “muito espanhola”, como eles lá dizem, onde Franco montou quartel-general no início da Guerra Civil e os ossos do Cid campeador repousam num esconso da catedral. A “parte turística” do ajuntamento foi uma visita aos achados pré-históricos. Fazia muito frio e o manto de nevoeiro, que na cidade envolvia com charme as torres das igrejas e as arcadas da Praça Maior, convidando ao passeio, transformava-se no descampado de Atapuerca em final de tarde num banho húmido e gélido, que não apelava a sair do autocarro para dentro de uma garganta sombria. Ainda por cima para ver pedras.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;Mas lá fomos, para nossa sorte. Recebeu-nos o Doutor David Canales, um jovem doutorado em arqueologia, que segundo nos explicou passa as manhãs a descascar o metro cúbico de calcário que lhe está atribuído e as tardes no laboratório a lavar pedrinhas e ossinhos e a cruzar bases de dados. Como já &lt;a href="http://mataspeak.blogspot.com/2007/04/fsica-da-partcula.html"&gt;aqui&lt;/a&gt; o disse, não tenho particular afecto por partículas doutorais e outras exibições de peneira. Mas neste caso apeteceu-me usar o “Doutor” por uma razão muito simples: porque é o que está certo fazer-se.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_n_0WB6ohfsc/TTMrgiEVxSI/AAAAAAAACaY/TBoDdv9o9zo/s1600/IMG_4357.JPG"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5562837802633512226" src="http://1.bp.blogspot.com/_n_0WB6ohfsc/TTMrgiEVxSI/AAAAAAAACaY/TBoDdv9o9zo/s400/IMG_4357.JPG" style="cursor: pointer; display: block; height: 267px; margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 400px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;Canales tinha para nos mostrar apenas umas paredes barrentas com uns papelitos numerados presos aqui e ali. Poderá pois surpreender que tenha mantido cinquenta pessoas suspensas hora e meia do seu saber, do seu humor, da sua vivacidade, todas esquecendo a temperatura que caía e a noite que se aproximava. Um professor nato, mesmo que nunca tenha subido ao estrado. Pelo fio da sua voz fomos conduzidos até há cinquenta, cem, quinhentos mil ano atrás, e vimos um mundo austero, onde se cruzavam ursos e tigres de dente de sabre com homens, mulheres e crianças que procuravam o seu caminho. Mostrava-nos um biface, uma pedra talhada de ambos os lados e com arestas diversas e, com movimentos bruscos sobre o seu corpo, como aquela ferramenta poderia ser usada para decepar um membro, para raspar um osso para retirar carne, para esmagar sementes, para partir a tromba ao próximo. “O canivete suíço do paleolítico!”, concluía, “não ter um na altura era como não ter hoje iPod”.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;Tratou de nos tirar alguma ideia feitas, como a originada por aquela imagem da evolução em que os hominídeos se vão sucessivamente erguendo até ao “homo sapiens”. Abriu uma mala, retirou dois crânios, um do “homem de Heidelberg”, outro de um homem moderno. Deve ser giro ir trabalhar com uns crânios na bagagem. Mostrou-nos o furo de inserção da coluna: exactamente no mesmo sítio. “Os quadrúpedes têm este furo na parte de trás do crânio, os gorilas um pouco mais abaixo. Este, o de Heidelberg, tem o furo na base porque andava tão de pé como nós”. Ou como a de que o homem descende do macaco: “Temos antepassados comuns, dos quais divergimos. Somos irmãos dos chimpanzés, primos dos gorilas, primos afastados dos orangotangos”. Às vezes parece que não tão afastados, pensei eu.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;Para estes cientistas, há três características que marcam e justificam fortemente o caminho percorrido pelos nossos antepassados: o bipedalismo, que libertou as mãos e facilitou o desenvolvimento do uso de ferramentas; o carnivorismo, que permitiu alimentar as necessidades de energia de um cérebro sucessivamente maior e mais potente; e a socialização que maximizou as probabilidades de sobrevivência de seres fisicamente fracos numa envolvente extraordinariamente variável e hostil. Não consigo deixar de sorrir ao pensar nos vegetarianos que conheço e que, com aquele desdém chique pelos atrasados culturais que comem bifes, acham que recuperam a sua humanidade com saladas e arroz por grosso. Afinal, o homem saiu mesmo estruturalmente carnívoro. Sem carne crua, ainda estaríamos com cento e tal centímetros cúbicos de caixa craniana, a fugir à frente dos predadores, em vez dos confortáveis 1300/1400 c.c. actuais, que servem para fugir aos credores. É tão diferente como equilibrar-se numa Piaggio 125 ou pilotar uma Suzuki Hayabusa GSX1300R – a mota do verdadeiro carnívoro.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_n_0WB6ohfsc/TTMqiVhlLAI/AAAAAAAACaI/qnPJpnlJvjM/s1600/Atapuerca%2Bnature.jpg"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5562836734114606082" src="http://4.bp.blogspot.com/_n_0WB6ohfsc/TTMqiVhlLAI/AAAAAAAACaI/qnPJpnlJvjM/s400/Atapuerca%2Bnature.jpg" style="cursor: pointer; float: left; height: 167px; margin: 0pt 10px 10px 0pt; width: 120px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;Mas sobre o que realmente interessa na humanidade, tivemos mais e melhor. Neste local descobriu-se um crânio completo de “homo heidelbergensis”. Os arqueólogos puseram-lhe catitamente o nome de Miguelón, em homenagem ao ciclista Miguel Indurain, na altura ás do pedal. Sabe-se que o Miguelón levou violentamente na fronha, por um oponente que era destro, pois apresenta várias pancadas do lado esquerdo do crânio. Uma delas partiu-lhe um dente e provocou-lhe um abcesso (que ficou marcado no osso) e posteriormente a morte por septicemia. Este processo demorou algum tempo. O Miguelón estava todo partido, completamente inoperacional, mas não morreu de fome. Alguém tratou dele. Alguém foi buscar comida para ele e não foi ao Pingo Doce. Alguém arriscou a vida por um moribundo, centenas de milhares de anos antes de Kant escrever sobre imperativos categóricos. Repetindo a conclusão do Doutor David Canales: “O que se passou nesta caverna? Amizade? Amor? Não sei. Os vossos mil e quatrocentos centímetros cúbicos de caixa craniana que respondam”.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;Outro achado notável foi o de uma criança – a Benjamina, apesar de não se saber se rapaz ou rapariga – que apresentava uma craniossinostose, uma união prematura dos ossos do crânio, que neste caso seria pré-natal. Esta criança nasceu muito provavelmente com deficiências psicomotoras graves. Apesar delas, morreu com mais de uma década de idade, talvez próximo de ser adulta. Ou seja, mau grado ela ser um fardo para o grupo, foi tratada e alimentada e desenvolveu-se durante anos. Teve mais sorte do que se tivesse nascido numa família norte-americana sem seguro de saúde.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_n_0WB6ohfsc/TTMrgcz2adI/AAAAAAAACaQ/UkkwcDHTNNU/s1600/IMG_4345.JPG"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5562837801222171090" src="http://1.bp.blogspot.com/_n_0WB6ohfsc/TTMrgcz2adI/AAAAAAAACaQ/UkkwcDHTNNU/s400/IMG_4345.JPG" style="cursor: pointer; display: block; height: 400px; margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 267px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;Em Atapuerca os investigadores não descobrem só o sublime. Ainda não chegaram ao ponto de encontrar os maxilares vorazes de um tipo da banca de investimento, mas vão-se deparando com a morte violenta, o ódio ao outro, os primeiros vestígios de canibalismo. Apesar disto, ao sair da garganta estreita da trincheira, não pude impedir-me de pensar no exemplo do Miguelón e da Benjamina e dos que incógnita e carinhosamente deles trataram. Macacos? Macacos somos nós. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36616367-1087036613972645956?l=mataspeak.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mataspeak.blogspot.com/feeds/1087036613972645956/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36616367&amp;postID=1087036613972645956' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36616367/posts/default/1087036613972645956'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36616367/posts/default/1087036613972645956'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mataspeak.blogspot.com/2011/01/licoes-do-pleistoceno.html' title='Lições do pleistoceno'/><author><name>CMata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12803581531108411574</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://2.bp.blogspot.com/_n_0WB6ohfsc/SXFCmyxXa1I/AAAAAAAABA4/HWvYy4E_t1Q/S220/IMG_0073smallCM.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_n_0WB6ohfsc/TTMrgiEVxSI/AAAAAAAACaY/TBoDdv9o9zo/s72-c/IMG_4357.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36616367.post-4555169715250737293</id><published>2010-12-31T17:43:00.002Z</published><updated>2010-12-31T17:46:47.421Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Meditações'/><title type='text'>Feliz ano novo de 2009</title><content type='html'>&lt;div&gt;O momento mais natalício de 2010 li-o num artigo do Público de 22 de Dezembro intitulado “Filha, a mãe está desempregada”. A matéria versava sobre como dizer aos filhos, de forma suave, que se foi parar ao olho da rua. Infelizmente tema de interesse, potencial ou real, para muitos portugueses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma mãe, recém-despedida, contou sobre a reacção da sua filha pequena: “Ela primeiro ficou impávida, a olhar para mim. Mas quando me viu chorar começou logo: ‘Ó mãe, não chores, não faz mal. Se precisares de dinheiro, partimos o meu mealheiro. Vais ver que arranjas um emprego
